Consultório do Investidor
- Perante a actual crise nos mercados financeiros, o Diário Económico, em parceria com a Schroders, criou o Consultório do Investidor, com o objectivo de responder às dúvidas e questões dos nossos leitores.
Envie as suas questões para consultoriodoinvestidor@economicasgps.com
As respostas, a cargo da Schroders, são publicadas semanalmente no caderno de Finanças Pessoais que se encontra nas bancas todas as sextas-feiras, sendo posteriormente divulgadas nesta página.
O Diário Económico reserva-se o direito de fazer uma selecção das questões e respectivas respostas.
- Edição de 20 de Novembro de 2009
Como posso proteger os meus investimentos da subida dos juros?
A forma mais directa é o investimento em activos financeiros cuja rendibilidade esteja directamente ligada às taxas de juro. É o caso das obrigações de taxa indexada. Estas obrigações revêm periodicamente a sua taxa de cupão. Dependendo do título específico podem fazê-lo todos os trimestres, semestres ou anos. Desta forma, à subida de taxas corresponderá uma subida de rendimento corrente do título.
Para efeitos de ilustração pode dizer-se que é o efeito simétrico ao que se sentirá, por exemplo, no crédito à habitação. No entanto, se analisarmos a subida das taxas de juro no contexto em que tipicamente ocorre, há outros investimentos que produzem boas rentabilidades. O investimento em acções é um deles.
1 - Continua a fazer sentido investir em obrigações do tesouro?
As obrigações do tesouro são os títulos de dívida que apresentam menos risco - de crédito, de liquidez - mas também por isso são os títulos de menor rendimento. A rentabilidade futura que se prevê vir a obter neste tipo de investimento está neste momento no seu ponto mínimo do ciclo económico. A Schroders acredita que há alternativas muito mais interessantes, como por exemplo o investimento em dívida de empresas com boa qualidade de crédito, também classificadas como ‘investment grade'. O diferencial de rentabilidade prevista entre estas e as de dívida pública poderá ser de 2% a 4% (nota: supondo uma redução do prémio de risco de 50bp a 100bp).
2 - As moedas emergentes são, de forma consensual, aquelas que têm uma visão mais positiva. Quais os riscos destes investimentos?
Em regra são divisas mais arriscadas, o que significa que poderão ter variações mais pronunciadas e mais frequentes no seu valor contra o Euro, mas são de facto neste momento as divisas que estão mais subavaliadas. Esta situação tem a sua origem nas enormes desvalorizações feitas há cerca de 10 anos e entretanto cristalizadas sob a forma de uma gestão rigorosa da sua paridade contra o dólar americano. Esta situação é insustentável ‘ad eternum' e é previsível que essas divisas venham a apreciar contra o dólar. Há várias formas de investir em divisas, desde o investimento em fundos de divisas ao investimento em fundos de obrigações de mercados emergentes- como o Schroder ISF Emerging Markets Debt Absolute Return - que aproveitam não só esse potencial como também o diferencial positivo de taxas de juro.
3 - Quais as matérias-primas com melhores perspectivas para o próximo ano?
A nossa expectativa continua a ser de valorização das matérias-primas em geral, mas dentro deste grande grupo, a Schroders distingue claramente o investimento em energia, metais e agricultura. Em todos há que equilibrar factores específicos - procura, oferta e ‘stocks' - com factores macro-económicos mais gerais (como a evolução do dólar, moeda na qual em regra estes bens são cotados, o nível geral de taxas de juro, o nível geral de aversão ou propensão ao risco e o crescimento económico). Os bens agrícolas parecem estar bem suportados de ambos pontos de vista, com a possível excepção temporária de alguns cereais. Os metais de base como zinco, chumbo, níquel, cobre, e alumínio, apesar da boa performance que têm tido, enfrentarão a pressão de um nível de ‘stocks' bastante elevado, que terá que ser justificado por crescimento económico mais rápido do que actualmente esperamos. Por esta razão preferimos os metais preciosos, de entre os quais se destaca o ouro, que continua a ter bastante procura acima dos 1000 dólares. A procura de ouro por parte de bancos centrais para constituição de reservas em detrimento de dólares, como foi o caso recente do Banco Central da Índia, também continuará a dar-lhe suporte. Por fim os bens energéticos, onde o equilíbrio entre os factores macro-económicos e a dinâmica procura-stocks-oferta tem sido instável. A nossa opinião é que os factores macro-económicos continuarão a dar suporte às cotações destes bens, mas mantemo-nos extremamente atentos a qualquer quebra de expectativas neste domínio, à qual poderiam ter grandes dificuldades em resistir.
_____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 6 de Novembro de 2009
Quais são os investimentos com melhores perspectivas para 2010?
Acreditamos que em geral, e apesar da incerteza, encontrámos este ano uma base a partir da qual os investidores devem reconstituir as suas carteiras.
Em particular acreditamos que as obrigações de empresas terão rendibilidades superiores às da dívida pública e dos depósitos.
O investimento em dívida de mercados emergentes deverá também apresentar resultados interessantes. Quanto a acções, os mercados emergentes, se bem que sujeitos a correcções de curto prazo, deverão superar os mercados desenvolvidos.
1 - Se um investidor quiser comprar acções internacionais, o que deve ter em conta?
O investimento em acções internacionais acrescenta ao investimento em acções do mercado local o risco de evolução negativa da divisa em que estão denominadas. Um investidor no mercado americano arrisca ver os seus resultados negativamente afectados por uma desvalorização do dólar em relação ao euro. Posto isto, devem considerar-se todos os factores habituais na análise do investimento em acções, incluindo os activos que tem em balanço e a sua capacidade de geração de resultados. Este breve resumo esconde uma enorme complexidade de detalhes de análise financeira, e não dá uma ideia dos recursos humanos e materiais necessários para a obtenção e tratamento da enorme quantidade de informação subjacente. É por esta razão que se recomenda aos investidores particulares o investimento através de fundos, que são geridos por profissionais.
2 - Quais são as melhores aplicações financeiras num cenário de inflação negativa ou nula?
A inflação nula, ou negativa desde que não se transforme em deflação, cria condições que em geral são positivas para o investimento em activos financeiros. Associadas aos mesmos factores que geram estas condições nos preços de bens e serviços estão taxas de juro baixas e um ritmo de crescimento económico que, apesar de baixo, começa a aumentar. Neste contexto, o investimento em depósitos e dívida pública apresenta rendibilidades (em geral) baixas, sendo preferível o investimento em títulos de dívida de empresas. Também as acções respondem positivamente às baixas taxas de juro, já que representam uma oportunidade para reduzir os custos financeiros, e simultaneamente um baixo custo de oportunidade do investimento.
3 - Com base em que critérios devem um investidor escolher um fundo de investimento?
A escolha de um fundo de investimento deve começar pela definição de um conjunto de gestoras elegíveis. A independência de opiniões, os recursos humanos e materiais, a escala e a experiência são critérios importantes. Deve em seguida escolher a classe de activos em que quer investir. É uma decisão que dependerá da sua capacidade para absorver as flutuações do mercado, sabendo que os activos mais rentáveis a prazo são também aqueles cujo valor mais varia no curto prazo. A medida destas flutuações é a volatilidade. Deve em seguida escolher quanta liberdade quer dar ao seu gestor. Se pretende uma rendibilidade quase sempre próxima à dos índices bolsistas e aceitar trocar essa certeza pelo potencial de superar o mercado, deverá escolher um fundo menos activo. A medida de liberdade do gestor para se afastar do índice é o ‘tracking error'. Deverá considerar ainda as comissões cobradas. Os fundos de investimento publicam o seu valor diário já deduzido das comissões de gestão que cobram, mas deverá considerar seriamente quaisquer comissões de subscrição e resgate que lhe sejam impostas, e que poderão reduzir substancialmente a rentabilidade final do seu investimento. Por último a fiscalidade. Os fundos estrangeiros são isentos de impostos, pelo que podem constantemente reinvestir os ganhos brutos dos seus investimentos. Só no momento do seu resgate lhe será retida uma parte dos ganhos a título de retenção na fonte. O mesmo não se passa com os fundos nacionais, que pagam os impostos com o seu património enquanto estiver investido no fundo, o que obviamente o isentará de ter que o fazer quando resgate.
_____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 31 de Outubro de 2009
Envie as suas perguntas para consultoriodoinvestidor@economico.pt
O Económico, em parceria com a Schroders, criou o Consultório do Investidor, com o objectivo de responder às dúvidas dos nossos leitores sobre as poupanças e os melhores investimentos.
1 - Quais os mercados emergentes que, apesar das subidas registadas desde o início do ano até agora, apresentam o maior potencial de valorização?
Os mercados emergentes valorizaram já bastante desde os mínimos alcançados em finais de Outubro de 2008. Mantemos a nossa visão de que as economias emergentes estão melhor preparadas para enfrentar a actual situação e serão aquelas que contribuirão positivamente para o crescimento mundial este ano. Se aliarmos a esta boa saúde económica, a política monetária expansionista - muitos destes países tem as suas moedas, e portanto as suas taxas, ligadas ao Dólar norte-americano - temos uma feliz coincidência de factores que darão suporte aos mercados. Sugerimos uma aplicação num fundo bem diversificado por oposição ao investimento apenas num ou em poucos países. Mas é importante estar alerta para o facto de se produzirem correcções de curto prazo significativas, como aconteceu recentemente com a China.
2 - Tendo em conta que as taxas Euribor estão a níveis historicamente baixos, será a altura ideal para fazer um crédito à habitação de taxa fixa, para garantir juros baixos por vários anos?
As taxas de longo prazo reflectem a expectativa média de evolução futura das taxas de curto prazo, mais um prémio de liquidez e um residual de risco de estimativa. Ou seja, quem garante uma taxa por um período mais longo, paga ligeiramente mais do que a média das taxas de curto prazo esperadas, porque reduz a sua incerteza e isso tem um preço.
Há outros efeitos de ordem prática em jogo. As taxas Euribor estão a valores mínimos, bem como as taxas de juro fixas de longo prazo, mas estas são em regra superiores àquelas. Enquanto que a Euribor está a cerca de 1%, as taxas de 10 anos estão a cerca de 3,5%. Há que considerar em seguida o ‘spread' que o seu banco lhe aplicaria sobre estas referências. Assumindo que seria o mesmo ‘spread', garantíamos uma prestação de juros fixa, mas sobre uma taxa que neste momento é 2,5% superior à de curto prazo. Ganha-se em redução de risco, sem dúvida, mas começa por pagar mais.
Para ilustrar o que antes se disse, podemos observar que a Euribor a 6 meses ao longo dos últimos 10 anos teve uma média de 3,27%, e que a taxa de 10 anos era de 4% há 10 anos atrás. Para o período de 10 anos que agora se inicia, a taxa de longo prazo está a 3,45% mas, por outro lado, a Schroders acredita que as taxas de curto prazo irão manter-se mais baixas do que o normal e durante mais algum tempo. Por último, as prestações dos primeiros anos deverão ter mais valor para si - não só porque estão mais próximas no tempo mas também porque será de assumir um aumento real dos seus rendimentos. À luz de tudo isto, e apesar da questão ser muito pertinente, a prestação indexada não parece uma má opção.
3 - A partir de que idade devemos começar a fazer um complemento de reforma? E quanto devemos poupar por mês para este efeito?
As reformas da segurança social que se implementaram recentemente criaram os mecanismos necessários para garantir um melhor equilíbrio entre contribuições e prestações ao longo das próximas décadas. Sob as novas regras, um contribuinte que entre agora no sistema poderá receber uma pensão de apenas metade do seu último rendimento, dependendo do nível salarial inicial e do ritmo da sua progressão quando comparado com a taxa de inflação. Os cálculos variam bastante de um contribuinte para outro, mas quanto mais cedo começar o seu complemento de reforma melhor e uma taxa de poupança de 25% do seu rendimento é um bom objectivo.
4 - Para quem seja avesso ao risco mas considere os depósitos a prazo pouco atractivos, que outras alternativas interessantes existem actualmente?
Os depósitos bancários são aplicações de baixo risco, em particular após o reforço das garantias do Estado aos depositantes particulares, mas as taxas que oferecem estão baixas e assim irão permanecer algum tempo. É natural, por isso, que se procurem alternativas mais rentáveis que recompensem satisfatoriamente o investidor por abandonar a relativa segurança que os depósitos proporcionam. Entre elas destacaríamos os fundos de investimento em obrigações de empresas. A rendibilidade potencial destas aplicações excede bastante as taxas dos depósitos e remunera de forma muito aceitável os investidores pelo risco de variação adversa que possa resultar da flutuação em bolsa dos preços dos activos que o compõem. Em todo o caso, recomendamos que consulte o seu intermediário financeiro para assegurar que compreende todas as características destes fundos e decidir se são adequados ao seu perfil de risco.
5 - A maioria dos portugueses escolhe os PPR como o produto de eleição quando se fala de investimentos para a reforma. Será esta a melhor aplicação? Que alternativas atractivas existem?
Eleger uma aplicação como a melhor é difícil, dado que diferentes investidores valorizarão diferentes aspectos, como a liquidez, a facilidade de acesso e transacção, a portabilidade, transparência, risco e rendibilidade - incluindo aqui os efeitos da gestão, comissões e eventuais benefícios fiscais. Os PPR desempenham um papel muito importante na captação da poupança de longo prazo, especificamente a que é feita com vista à criação de um complemento de reforma. Para assegurar que os investidores de facto cumprem com este horizonte de investimento existem benefícios fiscais que lhes aumentam a rendibilidade líquida de impostos. Para os investidores que valorizem outros aspectos - e que não os encontrem plenamente satisfeitos nos PPR - existem muitas outras formas de constituir um complemento de reforma, entre as quais o investimento através de fundos de investimento. O benefício fiscal não existe, mas a contrapartida é uma maior flexibilidade na recomposição da sua carteira de investimento. Como solução intermédia existem seguros de vida ligados a fundos, que conseguem um bom compromisso entre vantagens fiscais e alguma flexibilidade na recomposição da carteira.
6 - Qual é o melhor método para avaliar as acções?
A análise fundamental envolve elementos da empresa e do mercado em que se insere - o negócio e a capacidade de geração de lucros, a forma como está financiada, entre outros. A partir destes elementos o analista tenta chegar ao que seria o preço justo para as acções da empresa. A convicção de que o mercado irá a prazo fazer convergir o preço da acção para este preço justo determina a existência e a dimensão da oportunidade de investimento. Este tipo de análise baseia-se portanto na premissa de que o mercado não é perfeito e pode ter erros de avaliação no curto prazo, que a médio prazo tendem a desaparecer. A análise técnica parte do princípio de que o mercado é perfeito e que a análise fundamental não pode acrescentar qualquer valor. Sendo assim, o que interessa é analisar padrões de comportamento típicos que se repetem ao longo da história e, com base neles, retirar ilações sobre o movimento seguinte nos preços. Muitos investidores usam as duas: a primeira para escolher o que comprar e a segunda para decidir quando o fazer.
7 - Que cuidados os investidores devem ter quando investem em instrumentos com alavancagem associada, para não terem surpresas desagradáveis?
Um instrumento alavancado pode sempre ser encarado como um múltiplo - tanto de risco, como de retorno - de um investimento feito com dinheiro próprio. Por exemplo, se temos 100 para investir num activo que tem uma rendibilidade esperada de 6% e pedimos outros 100 emprestados a 2%, poderemos ganhar muito mais sobre o nosso capital investido: 200 * 6% - 100 * 2% = 12 - 2 = 10%. No entanto, se o nosso investimento correr mal, amplificamos o efeito negativo. Por exemplo se a rendibilidade do activo for de -4% teremos: 200 * -4% - 100 * 2% = -8 - 2 = -Há maneiras de controlar o risco, caso não se queira este efeito multiplicador. Uma delas é investir menos dinheiro em instrumentos alavancados do que investiríamos em instrumentos semelhantes sem alavancagem, de tal forma que o efeito seja mais próximo.
8 - Na vossa opinião qual é o activo mais seguro que existe? Vale a pena investir nele neste momento?
A segurança mede-se em várias dimensões. Uma é o risco de crédito, e em regra, a dívida pública é a que apresenta menor risco. Em seguida existe o risco de preço de todos os títulos cotados em mercado, que variam de acordo com a procura e oferta. As obrigações de dívida pública variam apenas com a variação das taxas de juro de médio e longo prazo, pelo que a sua análise é mais simples, tendo recentemente estado sob a pressão da subida das mesmas. Não é por isso um activo que estejamos a recomendar. Quando esta subida de taxas parar, este tipo de investimento voltará a beneficiar não só de uma rendibilidade mais interessante como também de um risco menor.
9 - Que critérios devem ser tidos em conta na escolha de um fundo de investimento?
Deve analisar a rendibilidade por unidade de risco num prazo de 3 a 5 anos. Uma das medidas mais commumente utilizadas para fundos é o ‘information ratio', ou seja, o rácio entre o excesso de rendibilidade do fundo e a volatilidade do fundo em relação ao seu ‘benchmark'. É uma medida que permite analisar quanto um gestor acrescenta por unidade de risco em relação à alternativa de investimento passivo no mercado, ou seja, comprar directamente cada título na proporção em que ele componha o índice. Um valor igual ou superior a 0.5 é considerado como sendo consistente com uma posição entre os 25% melhores gestores. É verdade que o cálculo é imperfeito porque não considera o custo das constantes transacções envolvidas no investimento directo, mas em termos relativos é uma boa base de comparação entre gestores no mesmo mercado. Uma análise profissional tem vários passos anteriores a este, e começa por uma triagem das próprias gestoras. São favorecidas gestoras independentes, com mais anos de experiência, uma cultura de gestão em equipa por oposição a gestores-estrela, e financeiramente robustas.
10 - Como comprar acções americanas?
A melhor maneira de aceder a mercados distantes nos quais se espera ter dificuldade de colocação e execução de ordens é através de fundo de investimento. Em Portugal, são distribuídos vários destes produtos de investimentos, nomeadamente os fundos de investimento em acções americanas, como por exemplo, o Schroder ISF US Small & Mid-Cap. Usando um destes fundos, não só poderá aceder ao mercado com facilidade como constituirá uma carteira diversificada e profissionalmente gerida.
Tenha em atenção que este tipo de investimento acrescenta mais uma variável que é a taxa de câmbio, ou seja, os seus investimentos poderão beneficiar ou ser prejudicados por valorizações ou desvalorizações do dólar face ao euro. É mesmo para isso que os fundos de investimento apresentam soluções: há fundos que disponibilizam unidades de participação com cobertura integral do risco cambial, de tal forma que apenas estará sujeito ao risco de valorização ou desvalorização do próprio mercado.
____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 16 de Outubro de 2009
Faz sentido investir em ouro nesta altura?
O preço do ouro tem aumentado essencialmente por dois receios: de inflação generalizada e de desvalorização do dólar. Quer num, quer noutro cenário é claro que serão necessários mais dólares para comprar a mesma quantidade de ouro. Há quem especule com estes receios, e há também quem nesta conjuntura justifique a sua procura com a necessidade de encontrar uma reserva de valor estável. Nem só o ouro valoriza neste momento - outros metais preciosos e industriais estão também a valorizar muito. Para aproveitar estes movimentos, com maior diversificação, menor risco e uma gestão profissional que efectua um acompanhamento constante dos mercados, pode optar por fundos de investimento, como por exemplo o Schroders AS Gold and Metals.
1 - Este é um bom momento para investir em acções de bancos e do sector financeiro?
A liderança do mercado tem rodado bastante entre vários sectores de actividade, entre eles o sector financeiro. Para acompanhar essa rotação é necessário poder acompanhar de perto os mercados e ter capacidade, quer de análise, quer de reacção à sua evolução - algo que em regra está para além das possibilidades de um investidor particular. Recomendaríamos, por isso, que em vez de investir no sector financeiro, o fizesse num fundo de acções europeias, mais concentrado e flexível, cujo gestor tivesse mais liberdade, não apenas para rodar a carteira rapidamente como para manter posições de alta convicção, independentemente de poderem ser substancialmente diferentes das do índice de referencia. Este tipo de fundos - como o Schroder ISF European Equity Alpha - permitir-lhe-ão beneficiar da expertise do gestor no momento de decidir a melhor alocação sectorial.
2 - Quais os mercados emergentes que, apesar das subidas registadas desde o início do ano até agora, apresentam o maior potencial de valorização?
Os mercados emergentes valorizaram já bastante desde os mínimos alcançados em finais de Outubro de 2008. Actualmente, a Schroders mantém a sua visão de que as economias emergentes estão melhor preparadas para enfrentar a actual situação e serão aquelas que contribuirão positivamente para o crescimento mundial este ano. Se aliarmos a esta boa saúde económica à política monetária expansionista - muitos destes países tem as suas moedas, e portanto as suas taxas, ligadas ao Dólar norte-americano - temos uma feliz coincidência de factores que darão suporte aos mercados. A nossa equipa de mercados emergentes continua a sugerir uma aplicação num fundo bem diversificado por oposição ao investimento apenas num ou em poucos países. No entanto, haverá que estar alerta para o facto de se poderem produzir correcções de curto prazo significativas, como aconteceu recentemente com a China.
3 - A Austrália subiu os juros e a FED deu a indicação que brevemente também fará o mesmo. Na Europa é possível saber quando é que os juros irão subir? E é certo que as euribor acompanhem imediatamente essas subidas?
A Austrália está claramente avançada no que toca ao ciclo de taxas de juro. Não é, no entanto, previsível que os Estados Unidos e a Europa aumentem taxas no imediato. A expectativa dos economistas da Schroders é de que tal venha a acontecer apenas em meados de 2010. Ao aproximar-nos cada vez mais desta data é natural que todas as outras taxas comecem também a subir, dado que teremos iniciado uma fase nova no eterno ciclo de taxas, que acompanha o ciclo da actividade económica.
____________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 2 de Outubro de 2009
Esta é uma boa altura para investir na Libra?
A libra esterlina tem registado um fraco desempenho nos últimos meses, devido a preocupações sobre a posição do Governo em matérias fiscais, bem como às expectativas de que o Banco de Inglaterra mantenha as taxas de juro baixas.
O Banco de Inglaterra aumentou, inesperadamente, em Agosto, o programa de compra de obrigações do Tesouro, para um total de 175 mil milhões de libras. Este facto tem tido um efeito negativo na libra, uma vez que incentiva os investidores estrangeiros a revender as suas participações ao Banco da Inglaterra, e, portanto, a vender libras.
Nesta fase, os modelos de avaliação de moeda da Schroders colocam a libra no seu "justo valor" em relação ao dólar norte-americano. No entanto, o nosso modelo sugere que ela pode estar barata quando comparada com o euro e o iene. Ao comprar libras agora, os investidores enfrentam o risco da manutenção da política monetária expansionista, que pressupõe taxas de juro baixas e o aumento de massa monetária. Quem pretender reduzir o risco deste investimento deverá aguardar pelo resultado da reunião do Comité de Política Monetária, que se realiza em Novembro.
Tendo em conta que as taxas euribor estão a níveis historicamente baixos, será a altura ideal para fazer um crédito à habitação de taxa fixa, para garantir juros baixos por vários anos?
As taxas de longo prazo reflectem a expectativa média de evolução futura das taxas de curto prazo, mais um prémio de liquidez e um residual de risco de estimativa. Em temos correntes isto quer dizer que, quem garante uma taxa por um período mais longo, paga ligeiramente mais do que a média das taxas de curto prazo esperadas, porque reduz a sua incerteza e isso tem um preço.
Há outros efeitos de ordem prática em jogo. As taxas euribor estão a valores mínimos, bem como as taxas de juro fixas de longo prazo, mas estas são em regra superiores àquelas. Enquanto que a Euribor está a cerca de 1%, as taxas de 10 anos estão a cerca de 3,5%. Há que considerar em seguida o ‘spread' que o seu banco lhe aplicaria sobre estas referências. Para simplificar, vamos assumir que seria o mesmo ‘spread'. Nesse caso, poderia garantir uma prestação de juros fixa, mas sobre uma taxa que neste momento é 2,5% superior à de curto prazo. Ganha em redução de risco, sem dúvida, mas começa por pagar mais.
Para ilustrar o que antes se disse, podemos observar que a Euribor a 6 meses ao longo dos últimos 10 anos teve uma média de 3,27%, e que a taxa de 10 anos era de 4% há 10 anos atrás. Para o período de 10 anos que agora se inicia, a taxa de longo prazo está a 3,45% mas, por outro lado, a Schroders acredita que as taxas de curto prazo irão manter-se mais baixas do que o normal e durante mais algum tempo. Por último, as prestações dos primeiros anos deverão ter mais valor para si - não só porque estão mais próximas no tempo mas também porque será de assumir um aumento real dos seus rendimentos. À luz de tudo isto, e apesar da questão ser muito pertinente, a prestação indexada não parece uma má opção.
A partir de que idade devo começar a fazer um complemento de reforma? E quanto devo poupar por mês para este efeito?
As reformas da segurança social que se implementaram recentemente criaram os mecanismos necessários para garantir um melhor equilíbrio entre contribuições e prestações ao longo das próximas décadas. Ao mesmo tempo, foram postos em evidência os enormes desequilíbrios criados pela evolução demográfica da segunda metade do século XX. Sob as novas regras, um contribuinte que entre agora no sistema poderá receber uma pensão de apenas metade do seu último rendimento, dependendo do nível salarial inicial e do ritmo da sua progressão quando comparado com a taxa de inflação. Os cálculos variam bastante de um contribuinte para outro, mas quanto mais cedo começar o seu complemento de reforma melhor e uma taxa de poupança de 25% do seu rendimento é um bom objectivo.
____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 18 de Setembro de 2009
Esta é uma boa altura para investir no sector imobiliário?
Em termos relativos, o retorno médio do investimento em imobiliário deverá situar-se algures entre o retorno de obrigações e o de acções.
Infelizmente, o valor médio da rendibilidade é uma estimativa muito pobre do valor que essa rendibilidade virá de facto a assumir em cada ano.
A recuperação do preço das casas está condicionada por factores estruturais, como o grande ‘stock' existente, as difíceis condições de acesso ao crédito, a necessidade das famílias reduzirem o seu endividamento e a baixa confiança dos consumidores, afectada pela recente recessão e o consequente aumento do desemprego. Sem prejuízo da existência de oportunidades pontuais, a opinião da Schroders face ao investimento em imobiliário não é ainda positiva, sobretudo quando comparada com as alternativas existentes.
1 - Setembro é geralmente um mês negativo para as bolsas mundiais. Há alguma razão que o justifique?
Na verdade não. Contrariando a moderna teoria financeira que assume que os agentes económicos são sempre racionais e agem com base em informação objectiva e perfeita, a verdade é que há um elemento de psicologia de massas que intervém de forma, por vezes, decisiva. Os mercados financeiros avaliam os activos com base em critérios tão objectivos quanto possível mas os resultados são interpretados à luz do que se pode chamar um sentimento colectivo, que oscila entre extremos de pessimismo e optimismo, passando por todos os graus intermédios. Se uma proporção suficientemente grande dos investidores acreditar que Setembro é geralmente um mês negativo criará uma pressão de venda que forçará a descida dos preços e Setembro acabará de facto por ser um mês negativo, apesar do que possa indicar a informação económica e financeira. Esta é uma das muitas razões pelas quais se aconselha aos investidores não profissionais a manutenção dos seus investimentos por prazos longos, em que estes efeitos se anulam.
2 - Em média, os fundos de tesouraria portugueses apresentam uma rendibilidade negativa a 12 meses. Como se explicam estas perdas?
A APFIPP define os fundos de tesouraria como fundos com 50% a 85% da carteira investida em valores mobiliários e depósitos bancários com prazo de vencimento residual inferior a 12 meses, sendo que os depósitos não podem exceder 50% do património do fundo. Estas características conferem-lhes, à partida, uma grande estabilidade de património, pelo que em condições normais é muito pouco provável que tenham rendibilidades negativas. No entanto, os acontecimentos dos últimos 12 meses foram de tal forma graves que mesmo algumas das estratégias de investimento mais conservadoras sofreram perdas, muitas das quais foram motivadas pela redução drástica da qualidade de crédito de alguns dos activos detidos em carteira.
3 - Para quem seja avesso ao risco mas considere os depósitos a prazo pouco atractivos, que outras alternativas interessantes existem actualmente?
Os depósitos bancários são aplicações de baixo risco, em particular após o reforço das garantias do Estado aos depositantes particulares, mas as taxas que oferecem estão baixas e assim irão permanecer algum tempo. É natural, por isso, que se procurem alternativas mais rentáveis que recompensem satisfatoriamente o investidor por abandonar a relativa segurança que os depósitos proporcionam. Entre elas destacaríamos os fundos de investimento em obrigações de empresas. A rendibilidade potencial destas aplicações excede bastante as taxas dos depósitos e remunera de forma muito aceitável os investidores pelo risco de variação adversa que possa resultar da flutuação em bolsa dos preços dos activos que o compõem. Em todo o caso, recomendamos que consulte o seu intermediário financeiro para assegurar que compreende todas as características destes fundos e decidir se são adequados ao seu perfil de risco.
____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 4 de Setembro de 2009
Estamos já num ‘bull market'?
Sem prejuízo de potenciais correcções de curto prazo parece haver um consenso de que os mercados atingiram o valor mínimo deste ciclo em Março deste ano. Esta hipótese é consistente com o exagero de pessimismo a que assistimos entre o final de 2008 e o princípio deste ano quanto ao crescimento económico. Tendo as piores previsões económicas sido por enquanto - e, acreditamos nós, definitivamente - postas de parte, faz sentido que os mercados tenham em consequência recuperado daqueles mínimos.
Sendo assim, a fase que agora se inicia terá pelo menos uma das características normalmente associadas a um ‘bull market': rendibilidades superiores às médias de longo prazo. No entanto há ainda muitas incertezas quanto à capacidade das economias suportarem um bom nível de procura na ausência de investimentos e gastos públicos, e de planos de incentivo ao consumo privado. Passada esta fase de ajuste de expectativas e aumento de produção para reconstituição de ‘stocks', o desemprego e a necessária redução do endividamento, inicialmente das empresas e famílias e mais tarde, inevitavelmente, também do Estado, irá pesar no crescimento económico. A nossa opinião é que esta não será, portanto, uma recuperação económica rápida nem isenta de riscos, pelo que os mercados também deverão apresentar um ritmo de valorização mais modesto que noutras recuperações.
1 - Existe alguma forma de cálculo que me permita ver qual será o efeito da inflação nos meus investimentos ao longo de um período de 20 anos?
A inflação reduz o poder de compra do dinheiro que acumule ao longo desse período. Se for nula, 100 euros daqui a 20 anos servirão para comprar as mesmas coisas que 100 euros hoje. Se for de 1%, por exemplo, 100 euros daqui a 20 anos servirão para comprar o mesmo que 82 euros hoje. Se for 2% equivalerão a 67 euros hoje. Se for 3% equivalerão a 55 euros. Um investidor prudente nos seus cálculos deveria considerar a inflação a prazo pelo menos a 2%.
2 - Alguns especialistas temem que a subida das bolsas tenha já superado as perspectivas para a recuperação da economia global. Na vossa opinião, há razões para termos estes receios?
Apesar da recente recuperação, acreditamos que as acções da Zona Euro ainda estão muito baratas. Se considerarmos proveitos e lucros normalizados, as avaliações estão muito atractivas comparativamente com as médias históricas. No entanto, uma análise sectorial revela uma diferença assinalável entre os sectores mais defensivos e os mais cíclicos do mercado. Nos primeiros, salientamos a saúde, as ‘utilities' e os serviços de telecomunicações, muitos dos quais acreditamos estarem a oferecer um valor muito atractivo, sobretudo quando comparados com as respectivas médias históricas. De entre os segundos destacaríamos algumas empresas mineiras e industriais, que estão cada vez mais caras.
3 - As obrigações de empresas têm sido uma das áreas de investimento mais recomendadas para este ano. O ‘appeal' desta classe continua a manter-se? Ou será que entretanto existe uma outra classe de investimento mais atractiva?
Os factores que tornaram esta classe de activos muito interessante continuam presentes - ‘spreads' de crédito muito alargados, que remuneram muito bem os investidores pelo risco suportado, e perspectivas de melhorias dos mercados de obrigações após as condições muito difíceis encontradas em 2008. A Schroders continua apostada em tirar o máximo partido desta oportunidade. Entretanto, e em parte em consequência da melhoria das condições nos mercados de crédito, outras classes de activos estão a ficar mais interessantes, como obrigações convertíveis e acções.
____________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 31 de Julho de 2009
O sector energético e automóvel têm recebido apoios estatais. Serão sectores para apostar?
São dois sectores com dinâmicas muito diferentes. O sector automóvel americano está a atravessar uma restruturação que, já há algum tempo, muitos analistas consideravam necessária e que esta recessão tornou inadiável. É um sector que deverá emergir mais forte que anteriormente, mas não livre de todos os condicionalismos. Os apoios prestados ao sector das energias renováveis estão orientados para a diversificação de fontes de energia de uma economia manifestamente muito dependente de combustíveis fósseis. Esta é uma área onde acreditamos se continuará a investir, tanto por esta questão estratégica como também pela crescente preocupação em controlar as causas - ou tentar mitigar as consequências - de alterações climáticas. A própria Schroders tem dedicado bastante atenção a esta temática através de fundos como o Global Climate Change.
A maioria dos portugueses escolhe os PPR como o produto de eleição quando se fala de investimentos para a reforma. esta é a melhor aplicação? Que alternativas atractivas existem?
Eleger uma aplicação como a melhor é difícil, dado que diferentes investidores valorizarão diferentes aspectos. Entre eles estarão liquidez, facilidade de acesso e transacção, portabilidade, transparência, risco e rendibilidade - incluindo aqui os efeitos da gestão, comissões e eventuais benefícios fiscais. Os PPR desempenham um papel muito importante na captação da poupança de longo prazo, especificamente a que é feita com vista à criação de um complemento de reforma. Para assegurar que os investidores de facto cumprem com este horizonte de investimento existem benefícios fiscais que lhes aumentam a rendibilidade líquida de impostos. Para os investidores que valorizem outros aspectos - e que não os encontrem plenamente satisfeitos nos PPR - existem muitas outras formas de constituir um complemento de reforma, entre as quais o investimento através de fundos de investimento. O benefício fiscal não existe, mas a contrapartida é uma maior flexibilidade na recomposição da sua carteira de investimento. Como solução intermédia existem seguros de vida ligados a fundos, que conseguem um bom compromisso entre vantagens fiscais e alguma flexibilidade na recomposição da carteira. Dependendo das suas preferências pelas várias características referidas poderá optar por uns ou outros, mas o importante é que prossiga na sua intenção de constituir este tipo de poupança - mais tarde será muito bem recompensado.
Para um investidor com um perfil conservador, que alternativas existem aos depósitos a prazo?
Um depósito a prazo tem a vantagem de ter uma taxa de juro conhecida à partida, o que reduz a percepção de risco por parte dos investidores. Considerando que a instituição bancária em causa merece o seu crédito, é uma aplicação segura. Na actual conjuntura será também uma aplicação pouco rentável. As alternativas são várias. Todas lhe parecerão mais arriscadas dado não terem aquele tipo de resultado pré determinado, mas serão também potencialmente mais rentáveis. Entre elas estão fundos de obrigações, que podem ser de vários tipos desde obrigações do tesouro até obrigações de empresas. O seu valor no dia a dia irá variar, conforme variem em mercado os preços dos títulos que os constituem, mas deverão chegar ao final do seu horizonte de investimento com um valor acumulado superior ao que teria com o depósito. Aconselhe-se com o seu intermediário financeiro e peça-lhe que lhe explique como funcionam na prática. Não se esqueça de lhe pedir um bom exemplo e um exemplo mau, para que forme uma imagem clara do que significa exactamente o risco de investimento de que tanto se fala mas por vezes tão pouco se sabe.
________________________________________________________________________
- Edição de 17 de Julho de 2009
Qual é o melhor método para avaliar as acções?
A análise fundamental envolve elementos da empresa e do mercado em que se insere - o negócio e a capacidade de geração de lucros, a forma como está financiada, entre outros. A partir destes elementos o analista tenta chegar ao que seria o preço justo para as acções da empresa. A convicção de que o mercado irá a prazo fazer convergir o preço da acção para este preço justo determina a existência e a dimensão da oportunidade de investimento. Este tipo de análise baseia-se portanto na premissa de que o mercado não é perfeito e pode ter erros de avaliação no curto prazo, que a médio prazo tendem a desaparecer. A análise técnica parte do princípio de que o mercado é perfeito e que a análise fundamental não pode acrescentar qualquer valor. Sendo assim, o que interessa é analisar padrões de comportamento típicos que se repetem ao longo da história e, com base neles, retirar ilações sobre o movimento seguinte nos preços. Muitos investidores usam as duas: a primeira para escolher o que comprar e a segunda para decidir quando o fazer.
1 - Que peso devem ter os investimentos alternativos numa carteira com perfil equilibrado?
A designação "investimentos alternativos" pode conter muitos activos e estratégias de investimento que, além de poderem ter um perfil de rentabilidade menos evidente face a activos mais conhecidos - como as acções e obrigações- têm em regra menor liquidez. Esta é aliás uma das fontes de retorno que exploram, já que os investidores se fazem pagar pelo risco de nem sempre poderem reaver o investimento. É importante que conheça exactamente todas estas características e esteja confortável com elas antes de aceitar incluir estes investimentos na sua carteira. Das aplicações ditas alternativas, destacaríamos actualmente o investimento em ‘commodities'. A estabilização da situação económica e o potencial de geração de inflação a prazo farão de novo desta classe um investimento com retornos muito interessantes.
2 - Que cuidados os investidores devem ter quando investem em instrumentos com alavancagem associada, para não terem surpresas desagradáveis?
Um instrumento alavancado pode sempre ser encarado como um múltiplo - tanto de risco, como de retorno - de um investimento feito com dinheiro próprio. Por exemplo, se temos 100 para investir num activo que tem uma rendibilidade esperada de 6% e pedimos outros 100 emprestados a 2%, poderemos ganhar muito mais sobre o nosso capital investido: 200 * 6% - 100 * 2% = 12 - 2 = 10%. No entanto, se o nosso investimento correr mal, amplificamos o efeito negativo. Por exemplo se a rendibilidade do activo for de -4% teremos: 200 * -4% - 100 * 2% = -8 - 2 = -10. Há maneiras de controlar o risco, caso não se queira este efeito multiplicador. Uma delas é investir menos dinheiro em instrumentos alavancados do que investiríamos em instrumentos semelhantes sem alavancagem, de tal forma que o efeito seja mais próximo.
3 - Desde Março que as acções mundiais iniciaram um processo de recuperação. Será que as acções deixaram de estar baratas?
As acções dizem-se baratas quando o seu preço está abaixo do valor actualizado dos resultados por acção que a empresa vai gerar no futuro. Se por um lado é verdade que os preços subiram bastante desde os mínimos de Março, também há que considerar que as expectativas em relação à capacidade das empresas gerarem resultados melhoraram - ou deixaram de piorar - desde o final do ano passado. Dito de outra forma, os preços subiram mas o valor esperado também, sobretudo em relação aos piores cenários construídos durante o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Estaríamos de acordo com a afirmação de que as acções estão hoje menos baratas do que já estiveram, mas acreditamos que a oportunidade de investimento em acções europeias, por exemplo, continua a ser bastante interessante.
__________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 19 de Junho de 2009
Quais as melhores aplicações num cenário de hiper-inflação?
Existe um tipo especial de obrigações cuja taxa de juro é em parte indexada à inflação, pelo que os pagamentos de cupão sobem e o valor nominal é constantemente actualizado, em períodos inflacionistas. Na sua maior parte são emitidas por governos.
No entanto, há que reconhecer que no imediato o cenário é de deflação, e que o fenómeno inflacionista tem em regra um período de gestação longo. Muito antes da subida de preços atingir o índice de preços ao consumidor serão visíveis os aumentos de preços das matérias-primas ou ‘commodities' (energia, metais, bens agrícolas). Existem fundos de ‘commodities', como o Schroder AS Commodities, que podem ser um óptimo veículo para, integrado numa carteira de investimento diversificada, proporcionar alguns ganhos em cenários de aumentos de preços.
Na vossa opinião qual é o activo mais seguro que existe? Vale a pena investir nele neste momento?
A segurança mede-se em várias dimensões. Uma é o risco de crédito, e em regra, a dívida pública é a que apresenta menor risco. Em seguida existe o risco de preço de todos os títulos cotados em mercado, que variam de acordo com a procura e oferta. As obrigações de dívida pública variam apenas com a variação das taxas de juro de médio e longo prazo, pelo que a sua análise é mais simples, tendo recentemente estado sob a pressão da subida das mesmas. Não é por isso um activo que estejamos a recomendar. Quando esta subida de taxas eventualmente parar este tipo de investimento voltará a beneficiar não só de uma rendibilidade mais interessante como também de um risco menor.
Existem algumas acções que acumulam valorizações superiores a 200%. Tendo em conta estes ganhos elevados, será que é seguro entrar nestas acções agora?
O primeiro comentário a fazer é que o investimento em títulos individuais tem um enorme risco específico. Os investidores devem constituir carteiras diversificadas, com um número elevado de títulos com comportamentos diferentes, ou aceder ao mercado através de fundos de investimento que façam isso por eles. Em seguida, podemos dizer que a nossa opinião é que a classe de investimento onde encontramos o melhor compromisso entre risco e retorno é a de obrigações de empresas. O investimento em acções estará ainda durante algum tempo sujeito a uma volatilidade, que poderá desencorajar os investidores mais conservadores. Por outro lado, as rendibilidades que se podem obter em obrigações de empresas serão suficientemente elevadas para satisfazer a maior parte dos investidores e terão muito menos risco.
Muitos especialistas têm referido que as subidas recentes na bolsa são um ‘bear market rally'. Quais são as características de um ‘bear market rally'?
Um ‘bear market rally' é uma subida temporária do mercado que ocorre quando o mercado ainda mantém uma tendência descendente. Por definição é uma subida que não quebra a dita tendência e que acaba com uma queda na qual o mercado encontra valor mínimos inferiores aos anteriormente registados. Quando os investidores detectam que é este o caso, mantêm posições de investimento relativamente conservadoras e concentram-se em procurar o ponto ideal para voltar a vender. Não nos parece ser esse o caso desta recuperação. É provável que os valores mínimos alcançados no início do ano se venham a revelar os mínimos absolutos para este ciclo, apesar do caminho para a recuperação ser ainda longo e sujeito a algumas quedas temporárias.
___________________________________________________________________________________________________________________________
- Edição de 5 de Junho de 2009
Que impacto tem a queda do dólar nos meus investimentos?
A eventual desvalorização do dólar face ao euro fará com que a rentabilidade dos seus investimentos se reduza ou possa passar a negativa, mesmo que em dólares seja positiva. Imagine uma paridade inicial de 1 dólar por 1 euro e que investia 100 euros = 100 dólares. Mesmo que a rentabilidade fosse de 5%, o que produziria 105 Dólares, se ao liquidar o seu investimento a paridade tivesse mudado em seu desfavor - por exemplo para 1 dólar por 0,90 euros - a rentabilidade em euros seria negativa de -5,5%, pois iria vender os seus 105 dólares mais baratos do que os comprou e o resultado em euros seria afectado.
A melhor forma de se proteger contra esta eventualidade é investir em fundos que invistam nos EUA mas que tenham cobertura cambial integral. O que fazem é utilizar técnicas de gestão relativamente simples que tornam a sua carteira imune às desvalorizações. Tipicamente distinguem-se por incluírem a expressão "Euro Hedged" na sua designação. Obviamente estando imunes às variações cambiais também não aproveitarão algum potencial valorização do dólar.
A Euribor teve um ciclo de sete sessões de subidas. Será que chegou finalmente o momento de inversão das taxas interbancárias?
A visão da Schroders é de que, apesar de estarmos a ver os primeiros sinais de normalização dos mercados, as taxas se irão manter baixas durante muito tempo. Isto não impede que possam ter pequenas flutuações em torno dos actuais valores, mas acreditamos que estamos longe do momento em que as taxas de curto prazo invertam a recente tendência.
No actual momento dos mercados, qual o factor determinante para a evolução das acções: os dados económicos ou os resultados das empresas?
A médio e longo prazo as cotações reflectem os resultados que as empresas podem gerar, devidamente descontados pelo nível de risco que os investidores lhes atribuem. Esses resultados dependem das características de cada empresa, mas todas as empresas são afectadas pelo ritmo de crescimento económico e pela forma como este se distribui pelos vários sectores de actividade.
Quando os investidores avaliam os potenciais investimentos a realizar tentam estimar os resultados que as empresas vão gerar no futuro, pelo que investem com base na sua percepção de uma melhoria futura e não tanto na evidência de bons resultados no momento. É a mudança desta percepção que, em regra, despoleta a recuperação do mercado. É também por isso que se observa que a evolução dos mercados financeiros antecipa a recuperação económica.
Por último, os investidores são afectados pela sua propensão à tomada de risco. Uma enorme aversão ao risco, como a registada no final de 2008, pode fazer com que o mercado continue a cair apesar de estar fundamentalmente barato. Por outro lado, uma recuperação geral da confiança pode produzir uma recuperação dos mercados apesar de aparentemente não existir informação macroeconómica nova que a justifique.
Os mercados emergentes têm subido bastante. É o momento para investir?
De um ponto de vista económico, os mercados emergentes têm condições para proporcionar rendibilidades substancialmente superiores às dos mercados desenvolvidos no médio prazo. As suas economias não padecem dos mesmos males e desequilíbrios estruturais e o ritmo de crescimento médio previsto é bastante superior. Por outro lado, são cada vez menos dependentes das economias desenvolvidas. Os mercados emergentes de acções registaram de facto uma grande recuperação desde finais de Outubro de 2008. A China, por exemplo, subiu mais de 70% desde o seu valor mínimo, e cerca de 30% desde o início do ano. Acreditamos que estas rendibilidades resultam da recuperação da confiança dos investidores desde um nível extremo de pessimismo no final do ano passado, bem como da constatação de que se conseguirão evitar os piores cenários económicos então traçados. Gostaríamos, porém, de ver uma correcção antes de continuar a investir.
________________________________________________________________________
Edição de 8 de Maio de 2009
Esta crise pode afectar o valor da minha reforma?
Não, pelo menos de forma directa e imediata. O sistema público de segurança social em Portugal é um sistema redistributivo, o que significa que as pensões de velhice são pagas com recurso em grande parte às contribuições feitas pelos contribuintes no me
Publicidade
Última Hora
- 21:02
Oliveira Costa já foi notificado da acusação - 19:21
PGR manda arquivar escutas a Sócrates - 08:05
Investimento em matérias-primas atinge nível recorde - 00:05
Penedos assume indícios de um crime de tráfico de influências - 00:05
Conheça as acções mais ignoradas da bolsa portuguesa - 00:05
Martifer já factura 130 milhões a fabricar painéis solares - 00:05
Ventoinhas gigantes da EDP transformam paisagem dos EUA
Comunidade
- Ryanair oferece bilhetes a 1 euro para promover nova rota em Portugal 20/11/09
- Saiba quais são as acções favoritas dos gurus da bolsa 20/11/09
- Combustíveis descem pela primeira vez num mês 20/11/09
- Paulo Penedos indiciado por tráfico de influências 20/11/09
- Poupe dinheiro com compras à distância de um ‘click’ 20/11/09


