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António Correia de Campos

Vertigem

18/07/11 00:02 | António Correia de Campos 



Momentos de vertigem descendente. A União desune-se, falando cada um para seu lado. O Reino Unido dissolve a independência dos media no mais gigantesco escândalo de intrusão na privacidade de cidadãos comuns e de políticos.

O Presidente Obama como um qualquer líder de um pequeno partido, sacode a contaminação dos casos grego e português, com a mesma infantilidade defensiva com que a Irlanda havia declarado ser diferente da Grécia, Portugal ser diferente da Irlanda e da Grécia, a Espanha ser diferente de Portugal, Irlanda e Grécia e só não chegámos a análoga declaração da Itália por o respectivo primeiro-ministro se ter auto-mutilado, criticando o ministro das finanças Tremonte, o seu verdadeiro seguro de vida, para se desdizer em 24 horas.

Por cá tivemos duas semanas de neo-indignação, a cargo dos que antes esfregavam as mãos em silêncio a cada nova má notícia. A "viradeira" está-nos no sangue da caseira intolerância. O novo governo faz prodígios para emendar ingenuidades comunicacionais e ignora o princípio do equilíbrio noticioso. De Maquiavel aprendeu a confluência de más notícias, ignorou o princípio de que o sofrimento tem que ser repartido também pelos ricos.

Vantagens atribuíveis ao facto de o PS andar entretido em querelas internas, os sindicatos a tomar balanço e a comunicação social ainda complacente. Haverá sempre desvios orçamentais, colossais ou simplesmente esperados, mas não se pense que o filão é inesgotável. Convém não abusar. Quando os portugueses derem conta de que estão cercados, os cercos rompem-se com o povo fugindo para a frente. Com a vida financeira de famílias e empresas a tornar-se lúgubre, será bom que o Governo cumpra o seu dever, governe. E se possível, bem.

Duas notas pessoais de grande mágoa: Diogo partiu de nós, súbita e imprevisivelmente, deixando-nos o sorriso luminoso do seu bom trato, os olhos arregalados e alegres da sua crença no futuro, a nossa boca seca sem compreender os desígnios da vida. Maria José deixou-nos lenta, e previsivelmente, solene, sagrada e repousada na sua capacidade de transformar uma derrota biológica numa vitória espiritual. Estive longe nessa semana, nunca esquecerei cada um deles, amigos a seu modo, grandes cidadãos. A cultura da sua memória, agora que tudo parece triste, será imperiosa para nos reencontrarmos como País.

Termino com esta crónica um trabalho quinzenal de muitos meses para um jornal que respeito e admiro. Agradeço aos que aqui me acolheram, em especial ao António Costa e ao Ricardo Costa Nunes, o ter-me sentido sempre em casa.

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António Correia de Campos, Deputado do PS ao Parlamento Europeu

 




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