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Numa política que vai contra a tendência da crise, responsáveis da Ericsson revelam que contrataram mais estagiários em 2010 e 2011 que nos anos anteriores.
Com os cortes generalizados que estão previstos para 2012, será de esperar que isso se reflicta numa cada vez menor abertura à contratação? Nem sempre. "Em 2010 e 2011 recrutámos mais estagiários do que em anos anteriores", explica Rute Diniz, responsável pelo programa de estágios da Ericsson, que costuma contar com cerca de dez estagiários de cada vez que é lançado, conforme as necessidades da empresa.
"A mobilidade interna numa empresa global como a Ericsson tem sido elevada o que originou mais oportunidades tanto para os colaboradores como para criar mais vagas para estágios", aponta a responsável da empresa tecnológica, acrescentando que "a nossa cultura informal sai reforçada com a integração de jovens profissionais nas equipas e a experiência é normalmente tão gratificante que muitos estagiários integram a empresa após o estágio".
Remunerados com entre 900 euros a 1.000 euros, os estagiários na Ericsson podem vir de áreas como Economia ou Gestão, mas tendem a concentrar-se na das Engenharias. É esse o caso de José Alves, que tem um mestrado integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, ramo de Telecomunicações, do Instituto Superior Técnico. "Trabalhar em projectos ambiciosos, muitas das vezes em contacto directo com os clientes, tanto nacionais como internacionais, é um factor que contribui bastante para o desenvolvimento não só de competências técnicas, mas também de outros ‘soft skills' bastante importantes para o futuro de qualquer profissional", destaca o ‘service engineer trainee', ao recordar o que tem sido a sua experiência profissional na Ericsson.
Essencial no estágio na empresa tecnológica é o acompanhamento contínuo dos recém-licenciados que entram. Um acompanhamento que é da responsabilidade de ‘managers' como Nuno Roso, "Head of Competence Domain Media & Applications' da Ericsson em Portugal. "Cada estagiário tem designado um orientador de estágio, normalmente um colaborador mais sénior, que faz um acompanhamento técnico e de processos de trabalho, supervisionando o seu progresso face aos objectivos estabelecidos. Todos os outros membros da equipa participam também neste ‘coaching', contribuindo para reduzir a curva de aprendizagem do novo elemento", descreve. "
Apesar de acreditar que a competência técnica dos recém-licenciados portugueses em nada fica atrás das melhores práticas europeias, Nuno Roso gostaria de ver as universidades nacionais a fazer um melhor trabalho de aproximação à realidade empresarial, com medidas como "atribuir projectos de fim de curso e mestrados que pudessem facilmente ser convertidos em oportunidades de negócio".
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