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O reitor da Universidade do Porto, José dos Santos, quer investir mais na área da ciência e investigação para criar produtos de valor acrescentado.
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O reitor da Universidade do Porto, José Carlos dos Santos, considera que o tratamento privilegiado de que irá beneficiar o ensino superior em 2011 é inteiramente merecido.
No centésimo aniversário da Universidade do Porto o reitor José Carlos dos Santos diz que a instituição ainda "quer ser muito melhor". Na sua opinião, o sistema de ensino superior português "é demasiado alargado com demasiadas instituições e há que racionalizar a oferta". No entanto, o reitor considera que as universidades portuguesas têm mérito por conseguirem gerir o magro orçamento que recebem do Estado.
Que prioridades destaca para o futuro da Universidade do Porto?
Não estamos satisfeitos com o que somos e queremos ser ainda muito melhores. Queremos investir mais na investigação para conseguir mais reconhecimento internacional e com uma formação de qualidade muito ligada à investigação. Queremos crescer sobretudo na área da pós-graduação, ao nível dos mestrados e dos doutoramentos e queremos também atrair mais alunos estrangeiros. Numa terceira via, queremos também contribuir mais para o desenvolvimento económico e social do país.
Que projectos estão a desenvolver nesse sentido?
Queremos contribuir através da valorização económica do conhecimento, da criação de empresas, do trabalho de voluntariado com a sociedade, de acções com empresas de investigação e de desenvolvimento para criar produtos de valor acrescentado e de marca nacional. Temos vários exemplos: a cerveja Super Bock sem álcool foi desenvolvida na Universidade do Porto, grande parte da linha de esquentadores da Bosch são desenvolvidos também aqui na universidade e a célebre garrafa de gás - a Pluma - da Galp foi desenvolvida por nós e pela Universidade do Minho. A Efacec e as tintas Cin também têm muitas coisas desenvolvidas na Universidade do Porto. Vamos continuar a desenvolver esta área porque entendemos que esta é uma maneira de devolvermos à sociedade o apoio que nos dá, através do financiamento parcial que recebemos.
Qual é a sua opinião dos ‘rankings'?
Os ‘rankings' valem o que valem. Todos têm muitas críticas mas todos querem lá estar. Mas estar nos ‘rankings' não é o nosso objectivo e sim um resultado dos nossos objectivos, porque se formos bons na investigação, na formação e no reconhecimento internacional acabamos por sentir um reflexo e aparecer nos ‘rankings'. É uma maneira de dizer às pessoas que temos sido bons em investigação e temos sido bons em formação e assim somos reconhecidos internacionalmente ao aparecer nos ‘rankings'.
Como avalia a política de financiamento das universidades?
As universidades portuguesas, na minha óptica, são as instituições públicas que se têm portado melhor. Desde há muitos anos que chegam ao fim do ano e não vão pedir mais dinheiro nenhum ao Orçamento de Estado. As universidades foram demasiado espezinhadas e criticadas injustamente. Penso que este tratamento especial previsto para 2011, para o ensino superior, é inteiramente merecido. Não somos perfeitos, mas temos vindo a aumentar a formação de quadros, o reconhecimento internacional, a ligação às empresas e há imensos casos de produtos que foram desenvolvidos em colaboração com as universidades. Acredito que nada é perfeito, de facto, o nosso sistema de ensino superior é demasiado alargado e há demasiadas instituições e há que se fazer um esforço no sentido de se racionalizar a oferta.
Concorda com as fusões da rede das instituições de ensino superior?
Não digo fusões. Penso que há outros esquemas como parcerias, conjuntos ou consórcios. Há que reduzir as estruturas dirigentes e os custos associados a novas entidades. Juntando entidades vai ser possível evitar que haja repetição de recursos nas entidades que se agregaram para fazer uma oferta conjunta e que teriam uma ligação única. Assim, o dinheiro que há disponível até pode ser melhor usado do que é hoje. Não temos ilusões e os nossos orçamentos são pobres em comparação com as universidades estrangeiras, mas ainda assim, é um grande mérito sermos capazes de trabalhar com elas.
Há o risco de o Governo não cumprir com o Contrato de Confiança?
Creio que não. É evidente que o País está com dificuldades, mas acredito que as dificuldades se resolverão. Temos de trabalhar muito e vamos perder algumas regalias. Mas uma coisa é certa, ninguém consegue viver com uma despesa superior à riqueza que consegue produzir.
Como avalia a prestação do Governo nas políticas de ensino superior?
Acho que tem sido positiva porque tem sido apoiada. Os governos têm mudado mas o ministro Mariano Gago tem sido aquele que tem apostado na ciência como estratégia para o ensino superior, que tem lutado e que tem cumprido com aquilo que tem dito em termos de financiamento. As universidades também têm que cumprir com a sua parte. A política tem sido correcta e que se nota uma evolução da posição de Portugal no avanço tecnológico, na produção científica internacional e nos resultados de investigação.
E quais são os aspectos menos positivos que aponta?
Integraria mais a investigação com o ensino superior. Isto é, a ciência é financiada por uns quantos canais e o ensino superior por outros, e penso que há aqui uma falta de coesão entre os institutos de investigação, que são financiados directamente, e as universidades. Percebo que as universidades também tinham que mudar para que aceitassem a investigação como uma área com uma certa autonomia interna e que não levantassem obstáculos a quem quer evoluir.
Produtos desenvolvidos na universidade do Porto
Super Bock sem álcool
A Super Bock sem álcool, lançada em 2007, resultou de um projecto de investigação desenvolvido entre a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) - Departamento de Engenharia Química - e a Unicer. Um projecto inovador a nível mundial que obteve o Registo da respectiva Patente.
Esquentadores da Bosch
Grande parte da linha de esquentadores da Bosch é desenvolvida na Universidade do Porto. Os produtos resultam de uma parceria firmada entre a empresa e a Faculdade de Engenharia da UP (FEUP), e alguns centros de investigação, que cruza a estratégia de inovação e áreas de I&D prioritárias da Bosch Termotecnologia e as competências de I&D da UP.
Tintas Cin
Foi em parceria com a FEUP que a Cin desenvolveu vários produtos entre os quais: as tintas intumescentes, com elevada resistência ao fogo, de base aquosa ou os novos vernizes parquet, também de base aquosa e com aumento significativo de resistência à abrasão.
Garrafa Pluma da Galp
A inovadora garrafa portátil de gás da Galp - a Pluma - também foi desenvolvida na Universidade do Porto, em parceria com a Universidade do Minho. Este produto foi distinguido com vários prémios internacionais de ‘design' desde o seu lançamento.
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