Universidades

06 Mai 2012

Universidades apostam nas competências para o emprego

Carla Castro
Universidades apostam nas competências para o emprego

Várias faculdades introduziram nas licenciaturas cadeiras obrigatórias, com aulas mais práticas, de competências sociais e comportamentais.

Preparar os alunos para o mercado de trabalho passa por muito mais do que o que se aprende na sala de aula. Bagagem académica e notas excelentes já não são porta de entrada garantida num bom emprego. As chamadas ‘soft skills' -que passam por competências sociais e comportamentais - são cada vez mais importantes para os empregadores na hora de recrutar. Conscientes disso, várias faculdades começaram a introduzir cadeiras obrigatórias de ‘soft skills', de âmbito mais prático, e de línguas estrangeiras nas licenciaturas. Além disso, actividades extra-curriculares - como estágios, projectos de voluntariado, de empreendedorismo, etc - contam já créditos em algumas delas para a avaliação final do ano.

A importância que os empregadores dão a este tipo de competências é destacada pelos responsáveis das escolas contactadas pelo Diário Económico. As ‘soft skills' "são determinantes para a empregabilidade", resume Ana Canhoto, directora académica das licenciaturas da Católica-Lisbon School of Business & Economics. São "genericamente muito valorizadas pelos empregadores", corrobora Daniel Traça, subdirector da Nova School of Business & Economics. Permitem aos alunos ganhar ferramentas "que complementam a sua formação base" e são "diferenciadoras no mercado de trabalho", diz António Caetano,vice-reitor do ISCTE.

A Católica tem no plano de estudo das licenciaturas de Economia e Gestão o "Programa Learn in Action", que se divide em dois módulos obrigatórios: Comunicação Oral e Escrita e Desenvolvimento de Carreira. As empresas procuram evidências desse tipo de competências no currículo dos alunos,sublinha Ana Canhoto, "privilegiando aqueles que apresentam diferentes experiências profissionais, experiência internacional (Erasmus, Summer Schools, etc.), domínio de línguas estrangeiras, experiências de voluntariado/responsabilidade social, desportos de equipa e outras actividades extra-académicas ou experiências de vida relevantes".

A Nova está a lançar duas cadeiras obrigatórias: Desenvolvimento Pessoal e Competências Interpessoais, numa óptica de ‘experiencial learning'. "O mercado de trabalho actual exige profissionais "que sabem gerir as relações com as pessoas com quem se cruzam e têm estrutura mental para correr riscos, falhar, ultrapassar dificuldades, vencer", reforça Daniel Traça.

António Caetano justifica a criação, há três anos, do Laboratório de Línguas e Competências Transversais no ISCTE: é fundamental desenvolver nos alunos competências "que lhes permitam incrementar a sua capacidade de adaptação à mudança e a novas situações e aumentar o seu potencial de criação de valor no futuro posto de trabalho".

Reconhecida a sua forte formação técnica, os candidatos a engenheiros do Instituto Superior Técnico têm também já cadeiras obrigatórias de ‘soft skills' "para responder às exigências da sua vida profissional", diz Raquel Aires Barros, presidente do Conselho Pedagógico desta escola. Chama-se ‘portfolio pessoal' e passa pela realização de actividades extra-curriculares e de reflexão escrita sobre as mesmas, através de relatórios e projectos.

São competências que têm a ver com o percurso pessoal do aluno e dos seus gostos. Podem ser actividades de índole cultural ou social e é fundamental a colaboração entre os alunos.

FEP e ISEG lançam novas disciplinas no próximo ano lectivo
A Faculdade de Economia da Universidade do Porto ainda não tem, mas vai já lançar, no próximo ano lectivo, duas disciplinas de Competências Pessoais e Sociais, no 2º ano, e está a preparar o módulo extra-curricular ‘Working soft skills'. "Pretendemos, assim, responder às exigências dos principais empregadores de diplomados da FEP, ao nível das competências transversais", justifia o director, João Proença.

Também o ISEG está a equacionar a reformulação do actual plano de estudos no sentido de reforçar a presença das ‘soft skills', incluindo unidades curriculares específicas com carácter obrigatório. Esta escola tem já unidades curriculares, embora ainda não obrigatórias, "que têm verificado uma crescente adesão por parte dos jovens que procuram preparar-sede melhor forma para a vida profissional", diz Jorge Gomes, coordenador da licen ciatura de Gestão. No próximo ano, vai lançar o ‘Student Support Program', que dará grande destaque às ‘soft skills'.

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