O desemprego é, reconhecidamente, o principal problema social da economia portuguesa, mas não é o principal problema estrutural, por mais que seja politicamente incorrecto afirmá-lo.
O secretário de Estado do Emprego, Pedro Silva Martins, di-lo hoje, em entrevista ao Diário Económico. O desemprego é uma consequência de baixa produtividade e perda de competitividade, agravado pelas medidas de austeridade, claro. Por isso, é necessário não criar expectativas excessivas em relação ao Impulso Jovem.
O programa de apoio aos jovens desempregados é uma nova variante das Novas Oportunidades, melhorada, sem canudos, que permite ganhar tempo, mas que custa dinheiro, cerca de 150 milhões de euros aos cofres do Estado e mais de 350 milhões em fundos comunitários que estavam destinados a outros fins e que, a partir de agora, serão canalizados para subsidiar emprego.
O Governo faz bem em lançar este programa? Faz, claro, mas nem tudo está a ser dito. O programa está bem estruturado e permitirá às empresas a contratação de alguns milhares de jovens que estão hoje no desemprego e sem qualquer hipótese de entrar no mercado de trabalho. Falta acrescentar que as empresas não estão a contratar, nem por preços mais baixos, simplesmente porque não há mercado. E seria muito grave que o programa fosse aproveitado para fazer mais despedimentos e contratações a baixo custo. Exige-se inspecção.
Dito isto, mesmo as empresas que contratem, particularmente as exportadoras, farão, obviamente, uma avaliação do custo/benefício da manutenção de um posto de trabalho ‘impulsionado' pelo Governo no final do programa.
Sem economia, sem reformas estruturais que permitam melhorar a posição relativa de Portugal no contexto europeu e mundial, seguramente, esses postos de trabalho desaparecerão tão depressa como nasceram, centenas de milhões de euros depois.
____
António Costa, Director
antonio.costa@economico.pt
Comentários
Publicidade
Acções do PSI 20
Divisas
A tecnologia que muda a internet. Realtime




