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Recusar a revisão do tratado foi "decisão difícil mas boa"
"É importante que acordo seja aprovado rapidamente"
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Só o tempo dirá se "mínimo denominador comum" será suficiente
Acordo a 27 teria impacto "muito mais forte" no mercado
Comunidade
Um grande número de líderes europeus abandonou hoje a cimeira de Bruxelas com um sentimento amargo.
O encontro que deveria ser histórico pela apresentação de soluções imediatas para segurar o euro, arrisca-se a ficar na história pelo isolamento do Reino Unido, que optou por ficar fora da nova etapa de integração europeia.
Por um lado, o reforço tímido do Fundo de resgate e a formalização do Pacto orçamental parecem insuficientes para acalmar mercados, deixando a crise do euro bem acesa, enquanto a opção por um acordo intergovernamental podem criar nova crise na UE.
O líder britânico, David Cameron, quis aproveitar a revisão do Tratado para recuperar soberania nacional, soltando as amarras da regulação financeira europeia impostas à City de Londres. O pedido chocou a maioria dos líderes europeus precipitando uma ruptura com consequências imprevisíveis para o futuro do euro. "Não podíamos aceitar isto, porque consideramos, pelo contrário, que parte dos problemas do mundo resultam da falta de regulação do sistema financeiro", disse Sarkozy. "Quando não nos dão salvaguardas é melhor ficar de fora", disse Cameron. "Os britânicos já não estavam no euro e por isso estamos habituados", disse Angela Merkel.
Os federalistas clamam vitória com esta decisão, vendo menos um empecilho para a integração europeia, mas outros receiam uma crise política na UE e a perda de um contra-poder à hegemonia do eixo franco-alemão. Em Londres apenas a franja direita dos conservadores parece satisfeita.
Os 17 do euro avançam assim sozinhos para um tratado intergovernamental onde se comprometem a respeitar um novo pacto orçamental, com sanções automáticas para quem não cumpra. À excepção do RU, os outros países sem euro vão consultar os seus parlamentos antes de se juntar aos 17, mas destes estados todos os líderes estão de acordo. Herman Van Rompuy, o presidente do conselho, espera 26 signatários do novo Tratado, que será firmado até Março de 2012 e implementado até ao final do ano.
A chanceler Angela Merkel reconheceu à saída que obteve "tudo o que queria para o euro", porque acredita que só com novas regras se resolve o problema da moeda única. Mas o tom entre outros líderes era bem menos optimista sobre as soluções concretas para segurar a Itália e a Espanha nos mercados de dívida. "Gostaríamos que existisse um argumento mais forte que pudesse ser apresentado aos mercados, (...) para os países mais alvo de stress financeiro (Itália, Espanha, Bélgica ou França), de que o risco sistémico dentro da Europa iria ser combatido. As decisões tomadas (se incluirmos os empréstimos a três anos do BCE) apontam nesse sentido inequivocamente", mas "veremos se são suficientes", explicou o português, Pedro Passos Coelho.
A única novidade em matéria de recursos foi a mobilização de 200 mil milhões de euros dos bancos centrais para, através de crédito ao FMI, aumentar a resposta financeira à crise. Mas o fundo de resgate não vai superar o limite de 500 mil milhões, ficando muito aquém do objectivo de um bilião fixado há um mês. No plano da confiança, Berlim deixou cair a ameaça velada desde Outubro de 2010 de reestruturar a dívida de outros países do euro, além da Grécia. "No euro as dívidas reembolsam-se", avisou Sarkozy, celebrando a adopção das regras do FMI em que as insolvências se avaliam caso a caso.
Um ponto para os mercados. Mas nem assim: estes não perderam tempo em reprovar ontem o resultado da cimeira, elevando o prémio de risco espanhol e italiano. A expectativa é que o Banco Central Europeu dê sinais nas próximas semanas, continuando a comprar dívida pública. Caso contrário, os líderes terão de voltar a Bruxelas para mais uma cimeira crítica. Angela Merkel diz que não tem cimeiras extraordinárias na agenda e despediu-se com um "Feliz Natal".
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