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Há uma aparente contradição entre aquilo que os pilotos pretendem e aquilo que praticam.
Ao mesmo tempo que dizem querer ser "parte da solução" da privatização da TAP, geram novos problemas à companhia, anunciando mais greves para Julho e Agosto e continuando a contestar decisões da gestão, muitas delas forçadas pelas próprias orientações do Estado ao sector empresarial público. Parecem interesses inconciliáveis, sobretudo quando as paralisações continuam a ser factores de penalização para a actividade e contas da empresa e, consequentemente, para o sucesso da privatização da companhia aérea. Apesar da demora em apresentar ao mercado um caderno de encargos para a venda da TAP, que se esperava ainda no primeiro semestre deste ano, a verdade é que a empresa liderada por Fernando Pinto continua a seduzir grandes investidores e marcas influentes no sector aéreo. O problema é que cada greve, como as agora anunciadas para os primeiros dias de Julho e Agosto, uma das épocas mais fortes para o negócio da TAP, são uma machadada na sua viabilidade operacional e financeira. O poder dos pilotos para reclamarem ser parte de uma solução para a companhia aérea deveria ser o mesmo poder para evitar mais complicações para a empresa - a menos que os pilotos queiram ser accionistas de uma companhia que perdeu a confiança dos clientes, a atenção dos investidores e o (urgente) equilíbrio financeiro para se manter no ar. Caso contrário, todas as acções e reacções que contribuam para ameaçar a sobrevivência da TAP não passarão de um voo picado e, claro, demasiado arriscado. Um voo a evitar.
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