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Mario Draghi não pode ser acusado de faltar com a sua palavra. No passado mês de Julho, avisou que o Banco Central Europeu (BCE) faria tudo o que estivesse ao seu alcance para salvar o euro – “e, acreditem em mim, isso será suficiente”, disse então.
Ontem, o banqueiro passou das palavras ao plano de acção: vai avançar com um programa de compra ilimitada de dívida soberana, tendo como alvo as maturidades entre um e três anos. O anúncio não foi uma surpresa para os mercados, mas foi um alívio para os países em apuros. Primeiro, porque retira pressão às economias em dificuldades, que hoje pagam taxas muito acima de 4% ou 5% para garantirem financiamento, contra outros países, como a Alemanha, que beneficiam de taxas próximas de zero. Constrangimentos que depois se replicam nas empresas, que enfrentam as mesmas dificuldades para conseguir crédito junto da banca ou juros razoáveis. Depois, porque facilita, no caso de Portugal, o regresso aos mercados já no próximo ano. Mas, como os almoços, também estas ajudas não são grátis - os países terão de se comprometer com metas para controlar as contas públicas, para assim justificarem a intervenção do banco central. Todos, à excepção da Alemanha, que contesta este plano de Draghi, aguardavam por esta decisão - mas ninguém no seu perfeito juízo acredita que a solução da crise europeia está neste programa ou que, como vaticinou Draghi, as suas acções serão suficientes para manter o euro vivo. Para já, o plano de compra de dívida é uma escada que o BCE lança aos mais pequenos para que fiquem ao mesmo nível das economias europeias maiores e mais estabilizadas e, assim, reduzir a desigualdade no acesso e tratamento dos mercados. Mas só depende de cada economia manter o equilíbrio nessa escada - Portugal incluído.
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