Comunidade
Cada português toma em média dois remédios por dia e mais de 90% não passam sem medicamentos diariamente. As conclusões são do estudo “Adesão à Terapêutica em Portugal”, coordenado pelo professor universitário Manuel Villaverde Cabral, e mostram um país doente.
Obviamente que o envelhecimento da população é um factor explicativo destes resultados, o que coloca questões importantes para o futuro. Como o aumento da esperança média de vida e a baixa natalidade são tendências que vieram para ficar, o envelhecimento da população não é uma moda passageira mas, pelo contrário, uma realidade que vai obrigar a muitas alterações nos Estados desenvolvidos, nomeadamente nas contas públicas. A subida do número de idosos está intimamente ligada ao aumento da despesa pública, nomeadamente com as prestações sociais. O desafio passa por controlar a subida destes gastos públicos - até porque a cobrança de impostos tem limites - sem condenar os mais idosos a situações de exclusão e pobreza. O mesmo estudo mostra que um terço dos doentes crónicos não toma os remédios receitados por falta de dinheiro. Como é que se faz? Ainda ninguém sabe realmente. Para já, mexe-se na mecânica das prestações sociais - subsídio de desemprego e pensões -, ficando menos generosas e mais baratas. Mas o futuro vai exigir mais.
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