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João Marques de Almeida

Um país do presente

19/07/10 00:03 | João Marques de Almeida 



Durante décadas, chamava-se ao Brasil o país do futuro. O futuro, finalmente, chegou. E o Brasil é agora um país do presente. Estas observações vêm a propósito do que vi durante uns dias que passei no Brasil, por motivos profissionais.

Nota-se uma grande confiança no país, principalmente entre as elites. De tal modo que se sente, aqui e ali, o perigo da arrogância. Como confessou um velho diplomata brasileiro, há no país um "imperialismo inconsciente" que por vezes não é salutar.

A verdade é que a economia do país está a crescer a um ritmo elevado (as previsões apontam para cerca de 5% este ano), com a pobreza a diminuir e a classe média a aumentar. Desde 2004, dez milhões de brasileiros acederam à classe média. O Brasil será certamente uma das grandes potências comerciais das próximas décadas.

Em duas áreas fundamentais para a economia global, possui um grande potencial. Na agricultura, será uma questão de tempo até se tornar, a par dos Estados Unidos, a maior potência agrícola mundial. Muitos dos alimentos que as futuras classes médias asiáticas e africanas irão consumir, serão exportadas do Brasil. A outra área de liderança brasileira será a energia. Quer na produção do petróleo, quer nas energias renováveis e nos bio-combustiveis.

A par do crescimento económico, há igualmente desenvolvimentos políticos impressionantes. Na política interna, a liberdade de imprensa e o pluralismo de opinião estão plenamente adquiridos, após vinte anos de democracia. Na política externa, verifica-se uma confiança sem precedentes. Desde a liderança regional até à ascensão na hierarquia das grandes potências, o Brasil parece seguir uma estratégia bem definida.
Claro que o país continua a enfrentar problemas sérios.

A pobreza persiste. Por exemplo, a extensão de favelas no Rio de Janeiro é arrepiante. A insegurança nas cidades marca o quotidiano de milhões de brasileiros. Nas relações políticas, prevalece ainda uma espécie de "peronismo à brasileira". As ligações e os interesses pessoais são muitas vezes mais poderosos do que as regras e os equilíbrios institucionais. Por exemplo, é vulgar um político mudar várias vezes de partido político. Por fim, há ainda muito a fazer pela educação do país.

Apesar destes problemas, o progresso do Brasil durante a última década e meia foi extraordinário. Existem todas as condições para promover e desenvolver a cooperação diplomática e a integração económica entre a Europa e o Brasil. Após o esquecimento do século XX, a relação transatlântica regressou ao sul do Atlântico. Se se aproximar da dimensão política e económica do Norte, o oceano Atlântico poderá ser ainda o grande espaço geopolítico do século XXI. Eis, uma das prioridades da política externa portuguesa para as próximas décadas.
____

João Marques de Almeida, Professor universitário

 




Comentários (11)

José Luiz, São Paulo | 22/07/10 13:28
ha muito tempo o brasil é o pais do presente..... mas só agora aqueles que não queriam ver a realidade estão sendo obrigados a abrir os olhos... Portugal precisa ver o brasil antes que seja tarde e os outros paises deixem Portugal a ver navios.... Portugal poderia aproveitar a oportunidade da afinidade linguistica e pegar esse " bonde do crescimento" somos iguais... somos GRANDES, (apesar de Portugal todinho caber no leito do rio São Francisco e ainda sobrar rio...),,, Portugal tem muito a oferecer ao mundo novo..... e o mundo novo tem muito a oforecer ... ( e como tem,,,,,) .. pena que alguns " intelectuais" ainda pensem que o Brasil continua a ser o Pais dos Papagaios... rrrrss. abraço...


Bandeirante, Manaus | 19/07/10 19:02
Honra e glória as famílias de Mazagão, que por odem do Rei, foram transladadas do Marrocos ao Amapá, para com sua nobreza e vigor, conquistarem a Amazônia para a língua portuguesa, Viva Mazagão: os verdadeiros aliados e senhores da portugalidade! Viva Marrocos!


Huuum!, | 19/07/10 15:53
Puxa Sergio...visão colonialista! Garanto-te que isso não esta na nossa mentalidade actual. La vão os maus tempos de colonialista. E sempre possível que um ou outro idiota assim veja as coisas mas isso não e a norma.
De um modo geral todos vos desejamos um futuro prospero. Por vezes denota-se comentários menos desejáveis mas também se diga que alguns desses são de carácter defensivo ou seja a gente com mentalidade corrupta em todo lado.
E isso tudo do melhor (menos no futebol!)


Pedro C., | 19/07/10 15:19
Crescimentos destacados só se fazem à custa do adiamento das políticas sociais, cavando um fosso profundo entre as classes mais abastadas e as mais pobres. O Brasil a par da China são um exemplo disso mesmo.


Ricardo, Brasília | 19/07/10 14:59
De acordo com o relatório "Perspectivas Agrícolas 2010-2019", recém-publicado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação-FAO e pela Organização para a cooperação e Desenvolvimento Económico-OCDE, o Brasil terá a maior produção agrícola do mundo na próxima década, passando os EUA como maior exportador mundial em 2018. A concretizar-se a previsão, o Brasil será, sim, o maior produtor agrícola, uma vez que sua produção aumentará em 40% no período enquanto a de outros grandes produtores agrícolas crescerá, em média, 20%.


Guigas, Pisa - Italia | 19/07/10 12:57
O povo brasileiro nunca foi e nunca será um povo arrogante. Somos uma mescla de todas as culturas do mundo em um só país. Por isso somos um povo hospitaleiro e acolhedor. A fase promissora que o país atravessa só virá para realçar o espírito altruísta e otimista de um povo que sempre soube "driblar" as dificuldades. Portanto independente de tornar-mos uma potencia de destaque ou não em um futuro próximo, saberemos sempre sorrir para os bem aventurados que decidirem ancorar suas naus na nova era que atravessa a terra de santa cruz...


luis, lisboa | 19/07/10 12:08
Um artigo cheio de clichés e incorrecções. Poderia ter sido escrito há 100 anos. Mas esperemos que o futuro do Brasil seja brilhante.

Quanto às maiores potências agrícolas, elas são neste momento, por ordem de grandeza, a CHINA, a EU, a India e os EUA. Por isso não percebo como se vão tornar a par dos EUA na maior potência agrícola. Se calhar o autor queria dizer exportador agrícola?


Realista, Porto | 19/07/10 09:22
Fico imensamente feliz com o crescimento do Brasil. Quero chamar a atenção para um pequenino pormenor. O anterior presidente (Fernando Henrique Cardoso, creio que se chamava) era um intelectual prestigiado. Fez uma boa presidencia mas o Brasil não se destacou. Lula da Silva foi (ainda é) um presidente com origens humildes e sem grande formação. E foi ele o pai da revolução brasileira. Nós aqui em Portugal temos a mania de que um bom político tem que ser um intelectual. Não tem! Tem é que ser um bom comunicador e ter empatia com o povo. Sobre o comentario de <sergio>. Tem alguma razão. Mas o Brasil tem uma sociedade de extremos. Tem o muito bom e o muito mau e a imagem que por vezes nos chega aqui á Europa é a do muito mau. A grande tarefa do Brasil tem que ser a de reduzir a pobreza e aproximar mais os extremos da sociedade. O Rio (por exemplo) é das cidades mais bonitas do mundo. Mas as favelas......


Marco Almeida, Bruxelas | 19/07/10 09:14
Senhor Sérgio itapê-brasil, não tenha medo que nós não temos visão colonialista, nós chegamos ao Brasil em 1500, colonizámos o Brasil até á data da sua independência em 1822, portanto desde essa data que nós não temos nada de nada no Brasil, homem, vocês são independentes há 188 anos, se vocês não estão melhor a culpa não é nossa, ou será? Um grande abraço a todo o povo Brasileiro com muito amor e carinho, força Brasil.


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