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A crise que ditou o fim das facilidades no crédito à habitação está a mudar o mapa imobiliário do país.
Isto porque, após anos de incentivo à compra de casa - que levou à gestação de uma enorme classe de portugueses endividados pelo sonho do património -, Portugal transforma-se agora num território povoado por senhorios e inquilinos. E são as próprias agências imobiliárias, que se concentraram nos últimos anos no negócio de compra e venda de habitação, que dão sinais dessa nova realidade: cerca de 50% das suas transacções já envolvem arrendamento de casas e a tendência é para subir. São reflexos de um país enrascado. De um lado, há compradores hipotecados que começaram a falhar as prestações ao banco e que não conseguem vender as suas casas, mesmo com reduções dramáticas de preço. Do outro, há um grupo crescente de portugueses que não consegue comprar casa - porque lhe faltam os fundos ou o banco já não empresta como antes - e que acaba por arrendar. E há ainda os que encaixam nestes dois grupos: devedores ao banco que trocam a prestação por uma renda e que, para tirar partido da casa que não conseguem vender, abrem a porta a novos inquilinos. A dinamização do arrendamento habitacional é um objectivo antigo (e necessário), que sempre esbarrou no dilema da actualização das rendas. Um impasse que, se a lei avançar como previsto e seguindo as exigências da ‘troika', se irá desfazer a partir de Outubro. É curioso, contudo, que tenha sido a crise económica e o seu impacto no mercado a forçar uma dinamização adiada durante décadas. E que seja agora o arrendamento a salvar tantas famílias com orçamentos em apuros, que descobrem agora a sua vocação (forçada) para serem senhorios e inquilinos.
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