Mais Lidas
Comunidade
O ano de 2011 revelou-se um período de expectativas defraudadas. Ao longo do ano, as previsões de crescimento para a economia global foram sendo revistas em baixa e os riscos acentuaram-se, perigosamente enviesados no sentido negativo.
2012 inicia-se, deste modo, num cenário de extrema incerteza, em que os piores cenários são de certa forma, impossíveis de quantificar. A crise da Zona Euro surge como o elemento de risco primordial pois a ausência de determinação e liderança política uníssona tendo em vista a sua resolução, reflecte-se sobre todas as decisões, de investimento, de consumo ou de poupança. Mas existem também factores positivos a ressalvar, e que poderão fazer (embora com uma probabilidade reduzida) que as actuais previsões possam defraudar novamente, desta vez pela positiva.
Nos primeiros meses do ano passado, o efeito desfasado da alta de preços das matérias-primas, seguido pelo cataclismo no Japão, em Março, faziam antever a probabilidade de algum arrefecimento, temporário. Todavia, as perspectivas sofreram um revés acentuado desde o Verão, perante a intensificação da crise de dívida soberana europeia, tendo aumentado as probabilidades de ruptura do projecto da moeda única. A escalada dos custos de financiamento para os estados europeus periféricos, os sinais de evidente contágio a países de maior dimensão (Itália e Espanha), e, mais recentemente, o regresso de tensões intensas ao mercado interbancário, fizeram ressurgir os receios de que um ciclo desvirtuoso se materializasse entre o sector financeiro e a economia real. Neste cenário, os indicadores de confiança retrocederam acentuadamente, em particular nos países desenvolvidos e na região do euro, justificando a antecipação de arrefecimento do crescimento económico em torno do final do ano.
Mas, outros factores justificam o cenário de arrefecimento antecipado pela generalidade dos organismos internacionais em 2012: o crescimento global deverá desacelerar para pouco mais de 3% depois de 3.7% estimados em 2011. Para além da situação ainda enfraquecida da economia norte-americana, a tendência generalizada de prática de políticas orçamentais mais restritivas e a desalavancagem do sector financeiro europeu serão forças que deverão empurrar o crescimento global para um desempenho fraco. Outros factores de risco importantes são a possibilidade de recrudescimento das tensões no mercado interbancário, a secagem do financiamento à actividade económica na UEM (embora recentemente mitigada pela utilização de vários mecanismos de reforço da liquidez no sistema, pelo BCE); falha do sector privado norte-americano em sustentar a actividade e regresso das dúvidas quanto ao processo de consolidação fiscal nos EUA; forte arrefecimento das economias emergentes ou o aumento significativo dos preços das matérias-primas, bens alimentares e energéticos devido a factores geopolíticos.
Finalmente, resta referir os elementos positivos, cujo desenvolvimento poderá eventualmente fazer surgir um cenário global mais positivo que o antecipado: os indícios recentes de uma maior resistência da economia norte-americana, que parece dar sinais de algum dinamismo contra todas as expectativas; um desempenho mais favorável que o antecipado das economias emergentes, cuja expansão está cada vez mais assente na procura interna; o alívio das tensões geopolíticas subjacentes ao elevado preço do petróleo; finalmente (e, aparentemente com pouca probabilidade, mas pode haver surpresas), a eventual tomada rápida de medidas pelos líderes europeus, que restabeleça a confiança entre os investidores e os agentes económicos.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





