Quando aprendemos aritmética, começam por nos ensinar a operação de adição e só depois a de subtracção.
Segue-se a operação de multiplicação e só depois a de divisão. Finalmente aprendemos a potenciação e finalmente a radiciação.
Penso que a natureza nos fez assim e nos deu os exemplos dessa maneira. Os seres vivos crescem e só depois os vemos morrer. Os frutos desenvolvem-se e maturam, e só depois os vemos cair dos ramos. A ausência só se nota depois do conhecimento. É da nossa natureza e por isso é mais natural ao homem querer juntar do que reduzir.
Os espectáculos, temo-los de dois tipos: de implosão e de explosão. E a explosão, apesar de ser potencialmente destruidora, tem sido usada como o espectáculo por excelência. O champanhe brota festivamente em explosão, os golos celebram-se em explosões de alegria e abraços, as festas terminam comummente em espectáculos pirotécnicos.
Se já antes tinha escrito que Portugal pode implodir se os portugueses não mudarem de rumo, agora acho que a coisa vai ser mais espectacular: afinal pode explodir! E isso vai ser muito mais bonito de se ver.
A União Europeia acaba de divulgar um novo documento de trabalho, o European Economic Forecasts - Autumn 2009. Desse relatório destaco três indicadores previsionais: o da taxa de crescimento do PIB, o do défice público anual e o do total da dívida pública emitida (‘outstanding'). De acordo com a previsão, Portugal, em comparação com a média dos países quer da Europa quer da zona do euro, irá crescer menos em 2010 e 2011, vai apresentar défices públicos mais acentuados e vai acabar com um saldo de dívida pública directa em piores condições.
Mas a sensação que tenho é que nestes relatórios há a assumpção de que os investidores irão financiar estes enormes défices públicos sem fazerem contas, porque são insensíveis ao risco. Temo que nos modelos de previsão o capital não seja escasso, nem o prémio de risco variável. Isto é, assumem que, num mundo global em que os países disputam diferentes oportunidades de investimento e dão diferentes garantias de pagamento, todos mantêm a sua confiança eterna nos mesmos governos europeus. Enganam-se bem. As expectativas alteram-se rapidamente e eu só temo que estejamos a preparar uma enorme explosão. Se assim for, vendam pelo menos uns bilhetes a uns senhores estrangeiros para assistirem à enorme explosão de Portugal.
As conclusões do relatório são animadoras para quem gosta de uma boa explosão. Três anos sucessivos com défices públicos acima de 8%? Vai ser bonito! Afastamo-nos cada vez mais da Europa numa Jangada de Pedra a lançar foguetes. Só falta a música para os Reais Fogos de Artifício de Handel!
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João Duque, Professor catedrático do ISEG
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