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Mudança de mentalidade e mais confiança estes são os conselhos que os especialistas deixam no sapatinho de famílias e investidores.
Há quem não acredite no Pai Natal ou no Menino Jesus, mas independentemente das crenças de cada um, a verdade é que o Natal é a época em que se formulam pedidos e desejos. A pensar nisso mesmo, e a antever a aproximação de um ano de 2012 com muitas dificuldades para a generalidade dos portugueses, o Diário Económico pediu a três especialistas um conselho para "pôr no sapatinho" das famílias portuguesas para gerirem os seus orçamentos e os seus investimentos nos próximos tempos. É que os conselhos são como a canja de galinha: nunca fizeram mal a ninguém.
Diogo Teixeira, administrador da gestora de activos Optimize, e Filipe Garcia, presidente da IMF, são unânimes no conselho que deixam aos portugueses: mais confiança. " Gostaria de receber uma grande caixa cheia de confiança. No futuro, na moeda única, nos políticos, na Europa, no BCE, no FMI, nos bancos, nos mercados, nos investidores. Esta é, sem dúvida a melhor prenda que podemos dar às nossas poupanças, individualmente e colectivamente", acredita Diogo Teixeira. E explica porquê: "Embora seja totalmente imaterial, [a confiança] tem reflexos muitíssimo concretos para todos. A confiança destruída veio abalar as nossas economias, a nossas empresas, as nossas vidas. Temos de lutar para reconstruir este edifício frágil, único caminho possível para regressar a um crescimento saudável e sustentável".
Mas na verdade, "semear" o sentimento de confiança nas famílias portuguesas não é uma tarefa fácil. Especialmente tendo em conta o cenário negro que se avizinha para o próximo ano. As perspectivas da OCDE apontam para que Portugal tenha a maior recessão das últimas décadas. Além disso, a mesma entidade estima que a taxa de desemprego continue a aumentar e atinja os 13,8% no próximo ano (um valor que compara com os 13,4% previstos pelo Governo). A juntar a todos estes ingredientes, as famílias verão os seus rendimentos disponíveis caírem, quer pelo aumento da carga fiscal quer pelo corte dos subsídios de férias e de Natal. Perante este cenário pouco optimista Filipe Garcia não hesita em vaticinar: "Todos sabemos que 2012 será difícil para todos, sobretudo os que estiverem sem emprego". Por isso mesmo o presidente da IMF advoga que "há uma revolução na mentalidade que deve ser feita". Para este economista é "mais importante empregar energia em aumentar rendimento do que em poupança". E deseja que em 2012 "haja, sobretudo, confiança".
Já Natália Nunes, responsável pelo gabinete de apoio aos sobreendividados da Deco, acredita que o maior desafio das famílias para o próximo ano é tentar manter o mesmo nível de vida com menos dinheiro. E isso só será possível se as pessoas "fizerem um orçamento familiar que lhes permita identificar com rigor todos os seus gastos". Por isso, a especialista deixa o seguinte desejo: "Gostava que o Pai Natal trouxesse como prenda no sapatinho um orçamento familiar que todos tivessem de organizar". Natália Nunes refere que apesar da crise ter obrigado as famílias a fazerem uma gestão mais criteriosa do seu dinheiro, ainda há muito a fazer neste campo. "As pessoas sabem quanto gastam com a prestação da casa, as despesas da luz ou da água porque são encargos mais ou menos fixos. No entanto, a maioria das pessoas não sabe exactamente quanto gasta com as compras de supermercado. Sendo que esta é uma das despesas que mais pesa nas contas dos portugueses. Normalmente, têm apenas uma ideia vaga. Só que muitas vezes há uma grande diferença entre a noção que as famílias têm dos seus gastos e os seus gastos reais".
Apesar disso, e de estes serem tempos de austeridade, em que todos devem saber conjugar o verbo "poupar", Filipe Garcia acredita que há que ter algum bom senso neste domínio. "Não se deve ceder ao mito da frugalidade excessiva, em que se corta em todos os prazeres a troco de uma poupança residual. As poupanças relevantes fazem-se nos itens caros como a casa, carro, férias e ‘gadgets' e não nas pequenas coisas".
Prenda de Natal
Os especialistas contactados pelo Diário Económico gostariam que os portugueses recebessem mais confiança neste Natal. E Neste campo ainda há muito a fazer. Os últimos dados do INE mostram que os níveis de confiança dos portugueses voltaram a atingir, em Novembro, um mínimo histórico.
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