Comunidade
Aos 20 anos acreditava que iria reformar-me aos 60. Aos 35 anos sonhava reformar-me mais cedo, eventualmente aos 50 ou por aí perto.
Então, era moda as pessoas anteciparem a reforma, quer porque podiam fazê-lo quer porque os seus empregadores estavam fartos e os convidavam a sair. Agora que cheguei aos 50, percebi que a "meta" se deslocou novamente e que terei de penar - perdão, trabalhar - até aos 70 ou mais anos.
Nas últimas semanas, passaram-me pelas mãos vários relatórios elaborados por economistas, que dizem que a única forma que temos de salvar a economia é trabalhando muitos mais anos. Posso aceitar esta percepção no caso do sector público, mas para os restantes profissionais isso soa-me a mais problemas e dificuldades.

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Depende do sector público. Por exemplo, quem trabalha por turnos devia ter a possibilidade de se reformar antes dos 65. Já agora, deixo uma sugestão aos "heróis" que defendem o trabalho até aos 70 anos: trabalhem eles até aos 150, para que os "normais" possam reformar-se aos 60.
Ah claro, e o mercado de trabalho vai se inchando com gente nova querendo trabalhar e as empresas segurando seus profissionais até os 70 anos.
E a taxa de desemprego, como fica? Isso não vai salvar o mundo da crise econômica, vai é salvar o bolso dos empresários.
A única forma do sistema de reformas ser sustentável é que as pessoas contribuam o suficiente para o que usufruem, resultado, ou são milionários e não precisam sequer de trabalhar, ou então têm de trabalhar mais até juntarem o suficiente para a reforma.
Combater desemprego com reformas antecipadas é um duplo disparate (senhor David Abreu)