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Paulo Gonçalves Marcos

Thatcher morreu?

06/05/09 00:01 | Paulo Gonçalves Marcos 



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‘Lady’ Margaret Hilda Thatcher, baronesa do Reino Unido, mais conhecida enquanto governante de punhos de renda e vontade indómita, morreu enquanto personagem histórica com uma influência fulcral no sistema de Governo, e nas opções económicas e filosóficas subjacentes, de todo o mundo entre 1980 e 2008.

‘Lady' Margaret Thatcher e Ronald Reagan, influenciados por Hayek e Friedman, estabeleceram um novo modelo de funcionamento económico. Onde as três décadas anteriores tinham visto o primado da Economia Keynesiana, Thatcher e Reagan ousaram romper com o status quo. A um tempo em que Mitterrand, em França, nacionaliza grandes empresas, Thatcher privatiza, ataca os sindicatos e introduz mais princípios de mercado em serviços e provisões de bens públicos. Não tardaria que Mitterrand, o campeão do socialismo democrático, lhe seguisse os passos... E durante quase três décadas o legado de ‘lady' Thatcher pareceu vingar um pouco por todo o mundo: uma Economia de mercado liberalizada que resultou em baixas inflação e taxas de juro, com os produtos internos brutos das nações a crescer, a globalização em afirmação e a espalhar benefícios por todo o mundo em desenvolvimento (foram as décadas mais impressionantes de sempre no combate à pobreza mundial, com centenas de milhões a emergirem das fileiras das subclasses e a alcandorarem-se às classes médias). E qual cereja em cima do bolo, os mercados accionistas tornaram alguns milhões de cidadãos de classe média em cidadãos mais afortunados, fruto de uma subida geral dos valores mobiliários nas bolsas mundiais, durante as duas décadas de predomínio filosófico e político do legado de ‘lady' Thatcher. Sarkosy, quando é eleito para Presidente da República francesa proclama que tem como modelo de governação a senhora Thatcher e que a França precisa de um choque de vigor e de liberdade económica tal como aquela fizera no Reino Unido. Esta declaração marca, a nosso ver, o culminar da influência do legado Thatcher. Este, nos anos mais recentes, tinha evoluído de forma assinalável nos mercados financeiros: da desregulamentação inicial, passou-se para novos paradigmas como o ‘shareholder value', a independência dos bancos centrais e dos reguladores dos mercados de capitais (o que em si era benéfico, retirando aos políticos a capacidade de influência quotidiana). Em breve, os "polícias" dos mercados monetários e de capitais adoptaram uma Política de Regulação de tipo ‘light touch' (onde a ganância, a amoralidade e a falta de decência, encontraram terreno fértil para os excessos dos ‘subprimes' e afins...). E no desenrolar da crise económica são estes mesmos pilares, do legado Thatcher, que estão sob o foco e o ataque de políticos, opiniões públicas, comunicação social, organizações não governamentais e sindicatos. Mais regulamentação (vejam-se as novas directivas comunitárias e a sua transposição para o ordenamento jurídico português), mais ênfase na comunidade e na responsabilidade social das empresas (a que os dirigentes das empresas não se têm furtado; por todos, vejam-se as posturas exemplares de Soares dos Santos, Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Paulo Azevedo), mais intervenção do Estado na Economia (nacionalizações, tributação extra de rendimentos e prémios, e o mais que está para vir). Num mundo que parece estar em desmoronamento, Sarkosy, sintomaticamente, posa recentemente junto a um exemplar do livro de Marx, "O Capital" (caso para dizer que a convicção liberal de Sarkosy não seria muita....). Louçã, Sousa Santos, Jerónimo, Mário Soares, entre tantos, proclamam que o modelo de Economia Liberal (o legado de Thatcher) está morto. Seria caso para concordar, não fora o facto de não existir nenhuma alternativa política credível e provada...Nenhuma saída mágica da crise, nenhuma ideologia redentora para além de muito trabalho, estudo, engenho e ética.

www.twitter.com/paulomarcos
www.antonuco.blogspot.com

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor, professor universitário




Comentários (22)

Tomás, Belo Horizonte | 05/06/10 09:12
É verdade que a diretriz politico-econômica de Thatcher triunfou na política internacional. Mas não é verdade que seu efeito trouxe crescimento a todos e "impressionantes" índices de combate à pobreza mundial. Segundo dados da UNICEF, às decadas de 80 e 90 bateram recordes de desnutrição infantil no mundo, o que é um reflexo da distribuição de trabalho, renda e alimentação.
Segundo dados do U.S. Bureau of Labor Statistics, essas mesmas décadas bateram o recorde de desemprego nos E.U.A., desde de a crise de 1929. A década de 80 (a era Reagan) foi a campeã, chegando, em 1983, ao índice de 9.7% de desempregados na população do país.
E sem contar que quem seguiu as bulas neoliberias (do "livre mercado") fielmente, como a Bolívia, por exemplo, só quebrou, chegando à falência do Estado. "Livre Mercado" para os outros, para nós não! Essa é a história da carochinha que Tatcher e Reagen exportavam para o mundo: "Abram seus mercado que este é a novo dogma! Nós estamos intervindo em nossas economias apenas acidentalmente, não tentem nos imitar. Façam o que digo, mas não o que faço!"


Ana Mendes - ccm, Almada/ Monte de Caparica | 13/05/09 22:42
O que realmente falta ao mundo, é um mercado saudável, ou seja um sistema de mercado que não esteja tão doente. Hoje em dia, a ganância e a falta de ética dos homens, fez com que muitas portas se fechassem. O mundo chegou a esse estado de decadência, porque o ser humano só pensa no seu bem-estar e quanto mais tem, mais quer ter, e como diz o velho ditado “ quem tudo quer, tudo perde “.
Ana Mendes



Carla Sofia Menezes, Almada | 09/05/09 00:58
Eu diria antes que morreu a politica do braço de ferro, porque Margaret Hilda Thatcher a personagem histórica quer na Inglaterra quer por todo o mundo será sempre lembrada.
O que é verdadeiramente necessário é o urgente aparecimento do tal “ choque de vigor”, para que a classe média torne a ter uma boa condição económica, porque sem ela qualquer pais entra num cataclismo que aponta sempre para o fundo. É verdade que o nosso pais ainda não chegou a este ponto, mas também não se vê luz ao fundo do túnel e a comparação seja a que nivél for com outros paises da união Europeia é despropositada, porque temos paises que que até á bem pouco tempo estavam a baixo de nós a todos os niveis e agora ou já nos ultrapassaram ou igualaram .
Esperemos que o comboio sem a maioria absoluta do governo encarrilhe nas linhas e comece a andar.
Carla Sofia Menezes



Carolina Tavares, Feijó / Almada | 08/05/09 16:46
Thatcher morreu?
Após a leitura do texto, penso que “lady” Thatcher não morreu. A sua dedicação ao longo dos anos em “conjunto” com Reagan na elaboração do novo modelo de funcionamento economico foi extrondosa para todos em todo o mundo. Verificamos a sua motivação na elaboração do conjunto de ideias economistas que pretendiam a novidade face aos últimos 30 anos (1950/1980). Enquanto outros seguiam modelos de nacionalizar empresas, Thatcher privatizava-as, algo que mudou para sempre a economia mundial nestes termos, ideias que muitos aderiramem todo o mundo. Nas quase quatro décadas que se seguiram, verificou-se um modelo de economia – Economia de Mercado, onde se visualiza a libertação das taxas de juro e baixas inflações. A nova implementação ajudou muitos a terem um estatudo melhor na sociedade, e a poderem usufruir de melhores condições de vida. Neste momento verificamos cada vez mais que o mundo se encontra a atravessar uma crise economica bastante elevada e não é com a nacionalização de bancos que iremos chegar a algum lado. Neste momento existe uma necessidade extrema de levantar os braços e começar a trabalhar no sentido de podermos vingar a situação que estamos a passar. Neste momento penso que muitos dos governantes deviriam seguir este modelo e pensar mais em seguir Thatcher e não deixar que daqui a uns anos a diferença seja mais acentuada entre os mais pobres e os mais abastados, pois neste momento cada vez é mais visivel esta questão. Já que tantos politicos seguem este modelo, era de repensar a muitos, principalmente ao nosso P.M. fazer o mesmo.

Carolina Tavares



Bruno Cota, | 08/05/09 14:45
Mais uma excelente opinião, na linha do que nos tens habituado. Até dia 15 de Maio, às 21:30h, na sessão de autografos da 2ª edição do Marketing Inovador, no stand da Universidade Católica Editora.


João Ralha, Lisboa | 08/05/09 12:44
As pessoas não mudam. O que tem que mudar são os sistemas. Faltou regulação? Então os políticos queregulem e criem condições para prevenir os excessos. Estatizar nunca será solução. Concordo com a última afirmação,. Não há receitas milagrosas que substituam "...muito trabalho, estudo, engenho e ética."


Cláudia Bernardino, Lisboa | 08/05/09 11:41
Concordo em parte que a políticas de Tatcher de liberalização económica possam ter resultado na " felicidade" de muitos, esses muitos provavelmente são aqueles que agora mais sentem a sombra da crise, crise essa que podemos dizer poderá até ter origem na desregulamentação, a meu ver "excessiva".
No entanto, não culpemos apenas as políticas e mercados, temos sempre presente a ganancia e a falta de valores morais com um pilar que se segura entre os homens e o dinheiro.
Um mercado mais livre e desregulamentado é uma porta não aberta, mas escancarada para aqueles que não sabem o que é moral e cidadania. Agora que ela chegou ( a crise ) resta apontar o dedo.. resta saber a quem.
Cláudia Bernardino



jrdesiludido, | 06/05/09 23:52
O sistema de mercado que continua em vigor em todo o mundo não morreu. Está é muito doente porque a ganância de alguns, levou-o à falência técnica. Todos sabemos que o ser humano é mesmo assim: Quanto mais se tem, mais se deseja ainda ter. Isto transforma-se num ciclo vicioso, e, quando não existem determinadas regras, todos põem "a pata na poça". Continua a fazer falta gente séria e honesta, especialmente entre os líderes que governam o mundo...


bem vistas as coisas..., | 06/05/09 13:41
e com tanta retórica teórica de "professores" universitários de economia, é de considerar continuar a tentar os instrumentos daquela época tatcheriana...com mais insistencia e flexões talvez tenhamos mais uns desastres financeiros, pois os que houve ainda não deram para confirmar a derrota do neoliberalismo económico! Continuem a laboratoriar...


nfernandes, | 06/05/09 13:33
Excelente exposição, e uma grande verdade. Não há de facto alternativa ao modelo actual. Claro que alguns excessos podem ser evitados, mas daí a entrar em histerias a-lá-Sarkozi vai uma grande distância.
Podemos inclusive vir a pagar bem caro por intromissões do Estado na economia...(do tipo Fidel Castro).


F. H., | 06/05/09 13:23
A prova que o legado de Thatcher/Reagan não morreu é que não existe um modelo alternativo, que ponha em causa os princípios fundamentais do liberalismo, Para além de que as intervenções dos Governos e Bancos Centrais, como a nacionalização ou injecção de liquidez, não são como dizem, o regresso do socialismo ou keynesianismo. São do mais autêntico monetarismo. Foi Milton Friedman, prémio Nobel considerado supremo neo-liberal, quem recomendou estas políticas para tratar crises deste tipo.


pato bravo, | 06/05/09 12:52
Será que o modelo de Thatcher foi de facto um modelo de mercado livre?? ou foi um mercado muito intervecionado pelos bancos centrais e governos camuflado de mercado ultraliberal???
O papel do estado é o de garantir a segurança de pessoas e bens, que se faça justiça de forma independente e igual para todos, pelo menos na minha opinião penso que deveria ser esse o seu principal papel!
Já subsidiar isto ou aquilo e injectar dinheiro aqui e acolá, não faz o menor sentido visto que não se conhece melhor forma de alocar recursos do que o funcionamento normal do próprio mercado! O papel do estado no mercado deveria ser o de tentar evitar monopolios, oligopolios e burlas/corrupção nos licenciamentos aos privados e negócios públicos!
Assim sim, o estado estaria a fazer um bom papel!!!

De seguida apresento uma sequencia de videos em que Peter Schiff explica claramente vários "erros/vicios de pensamento" que levaram às várias crises economicas...
Muito interessante e recomendável:
http://www.youtube.com/watch?v=izynlWz4rmU
http://www.youtube.com/watch?v=Rdc8bJiN2Qo
http://www.youtube.com/watch?v=ZzSWttpXT1k
http://www.youtube.com/watch?v=GfMtNCxxgrU
http://www.youtube.com/watch?v=2bLe9Sy4q8g
http://www.youtube.com/watch?v=E-a_CAIYSKQ
http://www.youtube.com/watch?v=DyYFqOAqEzw
http://www.youtube.com/watch?v=pFI6jgpU_O8
alternativamente ouça o mesmo em:
http://mises.org/multimedia/mp3/ASC2009/ASC09_Schiff.mp3

Veja como o raciocinio de Peter Schiff lhe permitiu prever já em 2006 o que se veio a revelar verdadeiro nos dias de hoje!
Será apenas coincidência??? decida por si:
http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw

Acerca dos malefícios dos subsídios proponho a leitura atenta dos seguintes sites:
http://www.heritage.org/research/agriculture/bg2043.cfm
http://www.reason.com/news/show/36207.html
http://northerngleaner.blogspot.com/2007/12/end-of-farm-subsidies-new-zealand.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Agricultural_subsidy

Veja como os governos/politicos podem "atrapalhar" ou mesmo sufocar o mercado e as liberdades individuais quando exageram nas suas funções... Veja os seguintes videos (e pense por si próprio):

http://thefreeturkey.com/2008/10/18/the-politically-incorrect-guide-to-politics-john-stossel/
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Xtra stuff
http://financialtruth0.blogspot.com
http://www.youtube.com/user/PhilDeCarolis
http://www.youtube.com/watch?v=vweLBpE4mso
(em alternativa a este ultimo site no caso de o video já não se encontrar disponível basta procurar no google por "Peter Schiff Analogies")

Veja como o sistema financeiro não é viavel a longo prazo:

http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw
(veja o seguite com atenção, aconselho a fazer pausa para ler certas legendas mais rapidas)
http://www.youtube.com/view_play_list?p=50E3C62D8AC7B1ED
http://video.google.com/videoplay?docid=5232639329002339531
http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Documentaries

Para quem considera importante encontrar soluções para a crise recomendo os seguintes livros (recomendo a todos os economistas portugueses, que nas nossas universidades não estudam esta abordagem à economia, enfim...):

http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://jim.com/econ/
http://www.youtube.com/watch?v=1x-D8-1ilwI
http://mises.org/Books/HumanActionScholars.pdf
http://mises.org/books/desoto.pdf



R. do Ó, | 06/05/09 12:45
A quem preconiza o fim do mercado e se delicia com as recentes intervenções publicas nos mais diversos sectores, apontando que estamos perante o advir da economia centralizada em contraposição à economia de mercado, é importante lembrar que o modelo do estado planeador, que tudo sabe, que tudo faz, falhou há muito tempo (1989 se quiserem uma data).

Aos defensores do mercado custará certamente ter que assumir a necessidade das recentes intervenções do estado (nem todas bem feitas). Deve custar bastante não porque acreditam que o mercado não conseguisse resolver a actual situação, mas porque sabem que a resolução do “mercado” seria feita de uma forma bem mais dolorosa (principalmente para os clientes) ainda que certamente mais rápida.

É evidente que o paradigma falhou! Mas isso não quer dizer que o certo estará num sobredimensionado peso do estado na economia, já todos vimos ao que isso nos leva. Adulterando uma frase de Churchill, a propósito da Democracia, permitam-me que vos diga: a economia de mercado é o pior sistema económico, com excepção de todos os demais.



Ana Sirage Coimbra, Maia-Porto | 06/05/09 12:33
A situação actual só vem demonstrar que o futuro passa pela adopção de modelos mitigados, que de uma forma coerente, promovam uma regulação baseada na responsabilização dos actores sociais, na transparência dos mercados e no compromisso de que o desenvolvimento de um país implica, necessariamente, pensamento estratégico focalizado na resolução dos reais problemas (estruturais ou conjunturais), que nada têm que ver com ideologia.


JC, Matosinhos | 06/05/09 12:21
Quem estiver refém de dogmatismos, tem dificuldade em aceitar a evidência dos números. Os números não mentem, estão aí para provar os factos.


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