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Clive Crook

Tecto da dívida divide facções no Partido Republicano

20/07/11 00:01 | Clive Crook 



A emergência do Tea Party em 2009 levanta duas questões. Até que ponto é que este movimento vai conseguir cativar as franjas do Partido Republicano e, se o conseguir, até que ponto reforçará a resistência ao projecto liberal Barack Obama ou contribuirá para deitá-lo definitivamente por terra?

A luta em torno do tecto da dívida veio responder à primeira questão: o insurgimento do Tea Party acabou por colher adeptos no partido republicano no Congresso.

A segunda questão terá resposta dentro de poucos dias, sendo muito os activistas do Tea Party que esperam activamente pela oportunidade de se confrontarem directamente com a administração Obama. Mas se correr mal, pode destruir o seu movimento e afectar seriamente esse velho grande partido que é o Partido Republicano.

Se há coisa que nunca faltou no Tea Party foi energia e convicção, e desde o início que vem colhendo apoios junto do eleitorado.

Este movimento não tem, à partida, líderes, mas sim futuros favoritos, como é o caso de Eric Cantor, o número dois dos Republicanos na Câmara dos Representantes, e Michele Bachmann, a representante do Minnesota, candidata a uma nomeação pelo Partido Republicano (e que está a registar muito bons resultados). Não tem políticas reais, só uma ira desmedida contra o governo. Ajudou à derrota dos Democratas na Câmara dos Representantes em 2010, mas parece incapaz de avançar com cálculos tácticos. Nomeou candidatos fracos para o Senado (era contra o ‘establishment', e era isso o que importava) e, sem querer, desperdiçou a possibilidade de conseguir o controlo de ambas as câmaras.

Há dez anos Obama afirmou que queria resolver o impasse em torno do tecto da dívida com uma "grande negociação". O objectivo era reduzir a dívida pública em mais de 4 mil biliões de dólares no espaço de dez anos. Mas corria o risco de provocar a ira no seu partido se concordasse em proceder a cortes no Medicare, na Segurança Social e noutros programas sagrados para a esquerda. Em troca, os Republicanos abrandavam a sua oposição a impostos mais altos -. John Boehner, líder da Câmara dos Representantes chegou mesmo a acordo com o presidente.

Mas o Tea Party disse que não. Só se davam por contentes com uma rendição incondicional dos Democratas. E pouco lhes importava que os Democratas controlassem então a Casa Branca e o Senato.

No caso da possibilidade de incumprimento da dívida dos EUA, são muitos os activistas do Tea Party que desdenham o prazo de 2 de Agosto avançado pelo Tesouro para resolver o impasse em torno do tecto da dívida. Não parecem preocupados com o facto de a disputa se poder arrastar por mais tempo. Há quem diga que este tecto não deve ser aumentado. Os EUA já se endividaram demasiado. Que entrem em incumprimento. Talvez assim as atenções se centrem no problema de fundo.

Mas esta posição pode contribuir para a destruição do Partido Republicano. Se o governo entrar em incumprimento e se a intransigência do Tea Party levar a que os Republicanos venham a ser culpados por esta calamidade, este grande partido de direita pode ver-se assim afastado do poder por muito tempo. E os Democratas de Obama podem conseguir assim uma clara vitória no próximo ano. Já o Tea Party, vindo do nada e tendo conseguido uma forte influência no espaço de dois anos apenas, pode ver-se afastado da esfera pública.

Tradução de Carlos Tomé Sousa
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Clive Crook, Colaborador do "Financial Times"




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