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Taxa de juro é “elevada” mas “vantajosa” face ao exigido no mercado

Margarida Vaqueiro Lopes   e António Sarmento
10/05/11 17:15

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Analistas dizem que juro cobrado a Portugal poderá baixar se as condições oferecidas a Irlanda e Grécia forem revistas.

A informação, revelada hoje por Olli Rehn - de que Portugal pagará entre 5,5 e 6% pela primeira tranche -, "é o que decorre das regras aprovadas pelo Mecanismo de Estabilização Financeira (MEF)", notou José Brito, do Millennium BCP, ao Económico. "É o que decorre das regras aprovadas para o MEF. O comissário não podia dizer outra coisa. A taxa de juro do FMI é que foi anunciada e podia ser muito diferente", afirma.

"A taxa que Portugal vai pagar é a mesma que a Irlanda, porque é exactamente ao abrigo do mesmo programa", esclareceu o mesmo analista, salientando que "portanto, em relação à surpresa pelo valor da taxa, ela é nula".

Na mesma ocasião, José Brito recordou que esta segunda-feira o primeiro-ministro irlandês disseque estava bastante confiante de que uma renegociação das taxas de juro poderia acontecer.

"Se isso acontecer não vejo razão nenhuma para que a Irlanda tenha um estatuto de excepção. E nesse caso, o anúncio que fez hoje o Sr. Olli Rehn não tem razão nenhuma", sublinhou.

Uma opinião partilhada por Pedro Lino, da DIF Broker, que sublinha que "é uma taxa cara, mas penso que passível de ser renegociada quando forem renegociadas as da Grécia e da Irlanda".

Já Duarte Caldas, analista do IG Markets, refere que esta "é a taxa possível, mas não é uma boa taxa, apesar de a taxa conjunta ser mais simpática do que a da Grécia ou da Irlanda. De qualquer forma, é preferível isto a entrar em ‘default'".

Filipe Silva, do Banco Carregosa, disse por seu turno que "quem nos está a emprestar dinheiro não pode fugir muito ao que foi determinado nos empréstimos à Grécia e à Irlanda. A nossa taxa está um pouco melhor do que a da Irlanda, de 5,8%, mas ainda assim está um pouco alta".

"Mais vantajoso que ir ao mercado"

Independentemente da maturidade a que for realizado este empréstimo, certo é que no mercado secundário a taxa cobrada pelos investidores é quase duas vezes superior à fixada pelo Mecanismo de Estabilização Europeu.

A 'yield' sobre OT nacionais a 5 anos cotava nesta altura nos 11,806%, enquanto na maturidade a 10 anos a taxa se fixava nos 9,711%.

"Não considero que seja uma taxa muito boa para o País mas fica em linha com as últimas emissões de obrigações do Tesouro", notou Filipe Silva, lembrando que "tínhamos feito uma emissão de dívida a 1 ano no início de Abril e pagámos 5,79%".

Pedro Lino sublinhou que a eventual renegociação da taxa de juro anunciada hoje "vai depender muito da aplicação efectivas das medidas. Se Portugal cumprir os planos estabelecidos, pode ser beneficiado. Caso não consiga, deverá ser penalizado".

E apesar de lhe parecer "um pouco elevada, é mais vantajoso do que ir ao mercado. Para maturidades a 10 anos, o mercado estava a indicar quase 10%. Independente de a taxa ser mais elevada do que o previsto, é sem dúvida muito mais vantajosa", afirma.

No mesmo sentido, José Brito refere que o pedido de ajuda "valeu a pena do ponto de vista financeiro. Sem dúvida. Se não houvesse esta intervenção, com total falta de acesso aos mercados Portugal chegaria a um ponto em que não conseguiria cumprir os seus compromissos", notou.

"Do ponto de vista de médio e longo prazo, acho que este programa implica medidas importantes, mas é um pouco curto em relação a um dos problemas principais da nossa economia que é o endividamento externo. Não é suficiente para resolver de forma permanente e satisfatória este grande défice de competitividade", salientou o mesmo analista.

Também Duarte Caldas considera que o pedido de ajuda era inevitável: "valeu sempre a pena pedir ajuda externa, porque não há alternativa. Ou era isso, ou teria de ser feita a reestruturação da dívida, o que seria ainda pior", referiu.

Filipe Silva também não tem dúvidas sobre se Portugal fez bem em pedir auxílio externo: "sim, sem dúvida. Ia chegar uma altura em que Portugal iria ficar sem compradores de dívida e isso era o pior que poderia acontecer".

 





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