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Jacinto Nunes

Subsídios podem não ser repostos em 2014

Económico  
27/01/12 11:40

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Antigo governador do Banco de Portugal considera que Portugal não terá condições para regressar aos mercados até 2014.

Jacinto Nunes admite que os subsídios de férias e Natal da função pública podem não voltar a ser pagos em 2014. O economista defende ainda a necessidade de reduzir efectivos não só na administração central como na administração local.

Em entrevista à TVI, e quando questionado sobre o regresso dos subsídios nesse ano, o economista respondeu: "Talvez, é incerto", acrescentando que "se a situação não melhorar, tem de se manter o corte".

Tentando "ser optimista", o ex-governador do Banco de Portugal admite que "se a situação não se agravar e se a Europa começar a ter juízo, talvez seja pago um mês".

Sobre a função pública, o economista continua a defender a necessidade de reduzir efectivos. Sem querer precisar o número de funcionários que teriam de ser despedidos para equilibrar as contas, Jacinto Nunes refere que em alguns serviços "há postos que não são necessários".

Mais 30 mil milhões

No que se refere ao resgate externo, Jacinto Nunes diz que precisamos de mais um ano e 30 mil milhões, e sobre as medidas de austeridade afirma que são necessárias porque já se sabe que o orçamento vai derrapar.

Por isso, o ex-governador do Banco de Portugal defende que, ao contrário do que tem sido acusado, o Governo não foi longe de mais nas medidas de austeridade, ultrapassando o que foi exigido ao país pela troika. Para o economista, a "almofada" criada no Orçamento pelo ministro das Finanças serve para tapar buracos, que é certo que vão aparecer.

"Não há almofada nenhuma, a almofada é a compensação de uma certeza, de que o Orçamento não se cumpre rigorosamente", explicou, ilustrando que "o Orçamento é uma mulher honesta que se prostitui na sua execução".

No entanto, o ex-ministro das Finanças avisa que o espaço para mais medidas de austeridade começa a ser "muito curto", nomeadamente em termos fiscais. "Nos impostos estamos no limite", afirma.

Recessão pode chegar aos 3,5%

Jacinto Nunes não acredita que Portugal consiga regressar ao mercado nem no ano que vem, nem no ano a seguir. "Em 2014 ainda não. Porque mesmo que estejamos com um défice reduzido, a dívida ainda estará a um nível elevado".

"Mas talvez aí, se nós cumprirmos o programa, a Europa, o BCE, etc, reconheçam o esforço que fizemos e nos dêem mais algumas dezenas de milhões de euros". Se "nós cumprimos rigorosamente o que nos pediram, com isso podemos solicitar, ou até ser-nos oferecido, um auxílio", explicou.

Para o responsável, Portugal ainda não está numa situação de bancarrota, e isso pode ser evitado se o Governo mantiver uma política de rigor e se os bancos se mantiverem equilibrados. O problema é a recessão económica que, admite, pode chegar aos 3,5%.

A terminar, o economista deixa ainda uma crítica à forma como a crise europeia tem sido gerida, nomeadamente a Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. "A Europa não tem líderes, esta gente que está a gerir a Europa não tem nível. Não há um (Helmut) Kohl, não há um (François) Miterrand...", lamentou.

 





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