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Uma troca de palavras acesa entre Portas e Sócrates marcaram um debate onde imperou a agressividade política.
Em vésperas do Parlamento ser convocado a votar um Orçamento que impõe uma nova subida de impostos e um corte de salários na Função Pública, o debate de hoje foi tudo menos pacífico e acabou com uma confissão do primeiro-ministro: "Nunca me passou pela cabeça qualquer intenção de me ir embora".
José Sócrates, o primeiro a falar em plenário, até começou por ler um discurso onde apelava à "estabilidade política" e à "responsabilidade" da Oposição, mas poucos minutos depois lançou ataques em (quase) todas as direcções, sobretudo para as únicas bancadas que poderão passar o Orçamento de 2011: PSD e CDS/PP.
E não houve debate mais violento do que o protagonizado por Portas e Sócrates. Questionado sobre a sustentabilidade do TGV, o primeiro-ministro respondeu que "às vezes vem-se à procura de lã e sai-se tosquiado" para depois pedir explicações ao líder conservador sobre a aquisição de submarinos. "Este ano temos de pagar os submarinos que o Dr. Paulo Portas comprou em 2003", desabafou.
Na resposta, Paulo Portas pensou em voz alta, lembrando que no Estado da Nação pediu a demissão a José Sócrates e que, volvidos dois meses, pergunta-se sobre "o que ganhou o país em o senhor ter continuado aí?". Já antes, o líder do CDS/PP argumentara que Sócrates se devia "envergonhar" de falar em Estado Social e acusara o primeiro-ministro de ter enganado os eleitores e de ter dissimulado a realidade do país.
A ‘discussão' com o PSD também foi acesa mas durou menos tempo. Miguel Macedo classificou o primeiro-ministro de se revelar "alguém politicamente inimputável" e Sócrates respondeu ser "um insulto dizer aos portugueses que nada foi feito" para cortar na despesa. Sobre o Orçamento, o primeiro-ministro confessou que "estamos todos à espera para saber o que vai fazer o PSD" e disse esperar "que eles se decidam rápido".
À esquerda repetiram-se os sinais de ser praticamente impossível um entendimento orçamental. Louçã defendeu que Orçamento que aí vem preconiza um "estado mínimo e degradado" e Jerónimo de Sousa acusou o Governo de "roubar" os trabalhadores.
A 15 dias do Orçamento chegar à Assembleia da República, a palavra de ordem dos partidos parece ser a mesma: hostilidade.
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