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Em causa estão cláusulas que permitem às instituições alterar os ‘spreads’ do crédito.
A Deco pondera levar a tribunal os bancos que estão a praticar cláusulas nos novos contratos de crédito à habitação, permitindo às instituições alterar as condições dos ‘spreads' em qualquer momento de vida do crédito para a casa, avança Cristina Oliveira, jurista da instituição.
Em causa está uma notícia divulgada pelo Correio da Manhã dando conta que vários consumidores estão a apresentar à Deco reclamações pelo facto de alguns bancos estarem a introduzir cláusulas nos novos contratos de crédito à habitação que permitem às instituições alterarem o valor dos ‘spreads' se a situação dos mercados financeiros o justificar. Recorde-se que até agora, os bancos só poderiam alterar os ‘spreads' negociados na altura de contratação de um crédito à habitação no primeiro ano de vida do empréstimo e caso existisse um incumprimento das condições contratuais por parte do cliente. Apesar disso, a introdução desta cláusula pode ser considerada legal- apesar de deixar os consumidores mais desprotegidos.
Esta é a opinião António Júlio Almeida, presidente da Sefin, que "há meses que recebe reclamações de consumidores a denunciar esta situação". Na visão do responsável, a cláusula é "legal, mas abusiva e lesiva dos consumidores". E diz: "O potencial subscritor de um crédito à habitação não tem poder negocial. E ao assinar o contrato está a dar o seu aval, o que significa que é feito com o seu consentimento".
Cristina Oliveira, jurista da Deco, partilha a mesma opinião. "Para uma cláusula ser considerada ilegal e abusiva, tem de existir uma sentença do tribunal a decretá-lo. Até isso acontecer, os bancos podem continuar a praticar estas cláusulas".
A chave para a resolução da questão está agora nas mãos do Banco de Portugal, entidade reguladora do sector e para onde a Deco reportou o problema. No entanto, ao final do dia de ontem, o Banco de Portugal ainda não tinha recebido, "qualquer comunicação da Deco sobre a eventual inclusão em contratos de crédito à habitação de cláusulas que prevejam a possibilidade de alteração da taxa de juro aplicável no caso de as alterações nos mercados financeiros o justificarem". "Pelo que, naturalmente, não se pode pronunciar sobre o seu conteúdo", referiu fonte oficial da instituição.
O Diário Económico tentou contactar ainda as três instituições bancárias que, segundo a Deco, estão a praticar estas novas cláusulas- Millennium bcp, BES e Montepio Geral- mas até à hora de fecho da edição só foi possível obter uma reacção do Montepio. O banco liderado por Tomás Correia rejeita as acusações: "Na presente data, o Montepio não tem nos seus contratos de crédito à habitação quaisquer cláusulas que permitam o agravamento unilateral do ‘spread', pelo Montepio". Já a APB alega que não faz parte das suas competências pronunciar-se sobre esta matéria. Já a Provedoria da Justiça ainda não recebeu qualquer reclamação dos consumidores.
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Comentários (43)
Filipe Mastro , | 23/08/10 08:24
O problema está aí mesmo... só que dantes as pessoas gostavam quando o banco lhes dizia "temos uns novos produtos que lhe pode baixar a prestação" e lá iam ao banco para assinar um novo contrato onde eram incluídas essas coisas novas... até 2005 isso era para reduzir os spreads em troca de passar a pagar outros produtos ou seguros. Agora é o inverso... claro que um cliente nunca irá ao banco se lhe disserem "venha até cá que achamos que está a pagar pouco e queremos que assine um contrato para pagar mais".
Assim o banco aproveita-se do cliente e substitui-se nessas negociações. Se o cliente aceita... não há nada a fazer.
A regra é legal... apesar de não ser ética. E se for criada uma lei contra isso, irá afectar todos os serviços bancários, o que leva a ser complicado criar um lei que proíba essa situação.
Só que se o cliente ler todo o contrato e vir uma dessas simpatias, só precisa de dizer que só assina o contrato se excluírem essa cláusula. E o banco terá de aceitar... mesmo que o cliente pense que não.
ONDE SE LÊ "POR VIA DOS IMPOSTOS QUE NÃO PAGA", DEVE LER-SE: POR VIA DA BAIXA TRIBUTAÇÃO SOBRE OS LUCROS.
Em situações como esta não há espaço para ponderar mas para agir. A banca, que vê os empréstimos congelados pelos seus congéneres no estrangeiro (é o BCE que lhes vai mandando algum) procura com estas claúsulas financiar-se. Infelizmente muitos não têm possibilidade de dizer não, porque se entrarem na porta ao lado o outro banco está a fazer o mesmo. Quando se diz que a banca é bem gerida em Portugal, esquece-se de dizer que só se rentabiliza desta forma à custa dos impostos que as empresas e cidadãos pagam no sentido de lhes ser permitido pagar uma ridicula quantia sobre os lucros. O QUE A BANCA NÃO PAGA EM IMPOSTOS PAGA O CIDADÃO E AS EMPRESAS. SÃO AS EMPRESAS E OS CIDADÕS QUE FINANCIAM ESTA ACTIVIDADE. AQUILO QUE A BANCA EMPRESTA JÁ RECEBEU DO CONTRIBUINTE, POR VIA DOS IMPOSTOS QUE NÃO PAGA.
SIM, ESTE FINANCIAMENTO ENCAPOTADO DEVIA SER CRIME. O PROBLEMA É QUE PORTUGAL É UM PAÍS COM MUITAS LEIS E POUCA OU NENHUMA EFICÁCIA NA APLICAÇÃO DAS MESMAS.
Num momento em que o mal devia ser dividido pelas aldeias temos um governo despesista e incapaz que pactua com este "free market" vampiresco.
Todos ou quase todos os banqueiros para o Campo Pequeno já, e também a maior parte dos ditos gerentes e depois haverá gente séria neste País
De tudo que aqui li hoje cresce a minha tristeza por verificar que cada vez mais as pessoas não entendem que o que se passa em Portugal é o reflexo de o Povo Português ainda se encontrar na pré-história da democracia apesar de constantemente se dizer que é um Povo amadurecido, responsável, adulto e outros tantos adjectivos que lhe alimenta o ego e nas alturas decisivas, quando têm que ir votar, usam o poder do seu direito de voto para eleger os governantes de tristes figuras que nos têm governado e permitem aos bancos fazerem o que muito bem lhes apetece, e terem como empregados alguns comentadores aqui presentes sem qualquer respeito pelos contribuintes que depositam o seu salário nos bancos e que lhes dão o ganha pão com, entre outras coisa, os pedidos de empréstimo para compra de habitação.
Se o Povo Português tivesse a real consciência do que pode fazer na altura que vai exercer o seu direito de voto de certeza que todos aqueles que durante todo o seu tempo esperaram firmes e de pé pelo direito de terem uma vida melhor que lhes foi prometida, talvez agora exigissem de melhor forma tudo a que têm direito.
A DECO tem razão. Mas os spreads irão subir, depois das sentenças (os nossos tribunais tem férias judiciais curtas pelo que não conseguem fazer Justiça), já que o lucro ( a Bíblia chama bezerro de ouro) será sempre mantido.
Bem-vindos à anarquia e ao Estado do salve-se quem puder...
Os consumidores são levianos e ávidos do crédito para viver acima das suas possibilidades... assinam de cruz tudo o que se lhe põe debaixo do nariz sem sequer ler. Quando as coisas azedam, aqui d'el Rei que fui enganado...
A banca é gananciosa, e inventa todos os estratagemas para encalacrar o cidadão... Em vez de informar abertamente sobre as cláusulas contratuais esconde as condições mais duras em alíneas invisíveis de contratos impressos em corpo 6.
O Estado fica-se a rir, porque no meio da bandalheira o cidadão tem mais em que pensar e tolera todos os desmandos... além de que esta conflitualidade alimenta muita gente... desde o pseudojornalismo do escândalo a advogados, tribunais, psiquiatras, médicos, indústria farmacêutica (via Xanaxes e quejandos)...
BEM-VINDOS AO SÉCULO XXI - É ESTA A CIVILIZAÇÃO DO DINHEIRO!
SALVE-SE QUEM PUDER!
Se o pessoal poupasse mais deixava de necessitar de pedir o chouriço para depois devolver o porco. Mas a malta se tem algum dinheiro na carteira tem de o gastar à velocidade da luz e quem agradece são os bancos. A culpa não é dos bancos, é de quem vive 200% acima daquilo que pode realmente. Depois tem de pagar a vida inteira as vacas ao dono.
Perda de tempo, os bancos sao ricos logo nao podem perder em Tribunal A pseudo-Justica em .pt da sempre razao as empresas, bancos, etc. Na verdade os Tribunais dao razao aos que pagam mais, e' so um negocio como outro qualquer.
Sandra, tens toda a razão! Vou fazer como diz o outro, vou flexibilizar os meus rendimentos e baixar o custo das minhas despesas...vou já instalar uma portagem na rua onde moro, unilateralmente, claro! Os restantes moradores que se vão queixar à Deco, Estradas de Portugal, Camara etc...
Um amigo meu levou um aumento de 75€ na prestação com essa clausula. Nunca sejam fiadores de ninguém se vão comprar casa, o fiador só protege os bancos mas o fiador pode ficar com a corda na garganta. Os bancos que arranjem outras alternativas. A figura do Fiador devia ser proibida por lei, porque muita gente aceita sem saber os riscos que corre.
é que o cab....rão, já está todo baralhado, é dos camelos que gosta de ofender, mas depois não tem os tim..ates no sitio para agunentar.
atrazado mental és tu seu philho da phuta. Fernando Silva
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