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Congresso

Sócrates apela ao voto útil da esquerda para combater agenda liberal

Inês David Bastos  
08/04/11 22:00

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O secretário-geral do PS avisou que nestas eleições não se podem desperdiçar votos.

Deitando, assim, o olho ao eleitorado à esquerda do PS, José Sócrates alertou que "os votos desperdiçados" à esquerda "favorecem o caminho da direita para o poder".

Fazendo duras críticas "à cegueira contra o PS" do PCP e do Bloco de Esquerda, que disse ser, este último, "uma grande desilusão", o secretário-geral do PS alertou para o facto de que nas eleições de 5 de Junho "a escolha vai ser entre um Governo liderado pelo PS ou um Governo liderado pelo PSD".

Uma expressão que ganha também relevância num momento em que, ainda em que surdina, há quem no bastidores do conclave antecipe já soluções para uma eventual substituição de Sócrates caso este apenas consiga uma maioria relativa, sendo certo que Passos Coelho já afastou coligações com o actual líder do PS.

Ora, Sócrates não diz categoricamente que a escolha está entre um Governo liderado por si, mas, sim, afirma que está entre um Governo liderado pelo PS.

Continuando na crítica ao PCP e ao BE, Sócrates, num discurso de 18 páginas, pediu aos portugueses de esquerda que não cometam "os mesmos erros" que foram cometidos por aqueles partidos e sublinhou: "Só a concentração de votos no PS poderá travar a agenda liberal, aventureira e perigosa" do PSD e, também, do CDS.

"Não estamos em tempo de embarcar em aventuras perigosas", disse Sócrates, iniciando um duro ataque aquelas que têm sido as propostas do PSD, fazendo em contraponto com as do PS, num momento de verdadeira campanha eleitoral. O PSD, avisou José Sócrates, tem políticas "ultraliberais", que visam acabar com o "tendencialmente gratuito" para a Educação e Saúde e impor o "despedimento livre" no mercando laboral.

Enquanto o PS, disse o líder socialista, quer "um projecto de qualificação da escola pública" e corrigir "os indicadores de rigidez do mercado de trabalho", alinhando por "posições mais favoráveis aos trabalhadores".

A proposta do PSD de privatizar parcialmente a CGD foi também duramente criticada pelo secretário-geral do PS, que classificou de "aventura leviana" no actual contexto de crise. E aproveitou, de novo, para fazer campanha: "Isto diz tudo sobre o perigo que seria Portugal ser governado (...) por quem não se preparou".

O pedido de resgate concretizado esta semana quase que passou ao lado do discurso de Sócrates. Usou-o apenas como argumento para culpar e responsabilizar o PSD pela necessidade de recurso ao financiamento externo e para apelar aos partidos da oposição que "assumam também eles, finalmente, as suas responsabilidades" na negociação do pacote de medidas de austeridade que será imposto pelo Fundo.

A estratégia de dramatização da situação financeira e económica do país depois do chumbo do PC IV, "por responsabilidade do PSD", e a vitimização foram duas grandes marcas no discurso do secretário-geral do PS, recentemente reeleito com 93% dos votos.

Sócrates acusou o PSD de "leviandade" ao ter chumbado o plano de austeridade, que "fazia parte da solução para o país", criticou Passos Coelho de ter "ânsia pelo poder", mas concluiu que, perante a crise que causou, o PSD "merece tudo menos ganhar eleições".

Já quanto ao PS, Sócrates arrancou um aplauso dos delegados ao avisar: "não tenho medo de eleições, nem do julgamento democrático dos portugueses". E pediu a mobilização e o apoio de todos os socialistas "para lutar" ao lado de todos, "com energia", pela "vitória do PS". Nunca pediu a maioria absoluta.

 





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