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Manuel Pinheiro

Síndrome de Estocolmo

19/08/09 00:02 | Manuel Pinheiro 



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Desde 1995 que Portugal tem seguido um caminho sustentado para lado nenhum. Primeiro com a travagem abrupta no ritmo de convergência face à UE, depois com a divergência efectiva.

Os dados presentes e as perspectivas futuras variam entre o empobrecimento efectivo e o empobrecimento relativo, mas sempre, sempre empobrecimento. Como a Comissão Europeia constatou num relatório recente, a nossa situação é uma ‘protracted slump'.

A avaliação deste Governo na rua varia entre o transversal "políticos, cambada de bandalhos" e uma certa condescendência cultural indígena que convive com o que for preciso desde que não lhe baralhem muito a vida. Deste último caso são interessantes as formulações "fez algumas coisas boas" e "trouxe algumas pessoas competentes". O problema é que pessoalmente não conheço um único português a quem transferida para as mãos metade da riqueza nacional não fizesse "algumas coisas boas" ou não trouxesse "algumas pessoas competentes". A questão, passe o utilitarismo, é se o tipo de actividade e despesa sustentam e alavancam a sociedade ou se, pelo contrário, a aprisionam e contribuem para este lento e melancólico definhar que nos afasta dos padrões europeus que todos conhecemos e ambicionamos.

Desde 1995 passaram 14 anos, 11 foram governos e presidentes socialistas. Ninguém mais do que eles é responsável pelo que temos e pelo que não vamos ter se não invertermos caminho. Não vale a pena clamar pelo ‘subprime', pela posição geográfica ou pelos preços do leste ou do oriente. Qual é que é exactamente a importância destes pontos no modelo de Justiça que temos e que não funciona aqui nem em lado nenhum no mundo? É por uma questão de latitude que o programa do PS para a Justiça é de uma pobreza arrepiante? Qual é a relação exacta entre os preços dos têxteis mundiais e a péssima política legislativa, provavelmente a pior da Europa ocidental, responsável por um mau e interminável ordenamento legal onde nem os profissionais se entendem? E porque é que os nossos parceiros têm ao longo do tempo taxas de crescimento superiores às nossas debaixo do mesmo enquadramento internacional?

O quadro competitivo, fiscal, laboral, o sistema Educativo, de Saúde, de Justiça ou de Segurança, todos eles resultam de escolhas passadas que podemos identificar. Sabemos o que temos, sabemos como aqui chegámos e sabemos nós e todas as agências internacionais para onde não vamos nos próximos anos se tudo se mantiver igual.

Sente alguma espécie de simpatia face a quem nos trouxe a esta situação?
____

Manuel Pinheiro, Autor do www.jamais.blogs.sapo.pt, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Social Democrata




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