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Sindicato da Energia (SINERGIA) está preocupado com a possibilidade de a REN "ficar nas mesmas mãos da EDP", depois da privatização.
A menos de um mês da data limite para a entrega das propostas vinculativas para a aquisição de até 40% do capital da gestora da rede energética, o presidente da direcção do SINERGIA considerou que a privatização pode ser positiva para os trabalhadores, mas receia que ganhe a proposta da State Grid, detida pelo Estado chinês, tal como a empresa vencedora da corrida à EDP, a Three Gorges Corporation.
"Temos reservas sobre a REN ficar nas mesmas mãos da EDP, porque é muito complicado por uma questão de concorrência", admitiu à Lusa Afonso Henrique Cardoso, que hoje se reúne com o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, para debater a política energética nacional.
Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato da Energia adiantou que "não foi por acaso que se separou a REN do grupo EDP e juntar outra vez não é saudável para o funcionamento do mercado de energia".
Ainda assim, Afonso Henrique Cardoso realçou que "os trabalhadores podem ganhar com a privatização da REN, porque têm as carreiras e os vencimentos congelados há uma série de tempo".
"Julgo que a privatização é uma janela de oportunidade para a situação ser reposta. Enquanto o capital for maioritariamente público, os trabalhadores vão sofrer de forma mais agravada as dificuldades nacionais", acrescentou o dirigente sindical.
À reunião com o secretário de Estado da Energia, ex-administrador da REN, o Sindicato da Energia vai levar também "algumas preocupações" em relação ao plano nacional de barragens, lançado pelo Governo de José Sócrates, adiantou o sindicalista.
"Estamos preocupados com a situação que se está a gerar, porque o plano começou com dez barragens, agora estamos em seis e só duas estão em curso", afirmou, destacando que a suspensão dos projectos tem implicações no plano hidrográfico, na criação de postos de trabalho e na dependência energética em relação a terceiros.
Afonso Henrique Cardoso considerou que a injecção de capital na EDP, com a entrada do novo accionista, deve dar um impulso à concretização do plano nacional de barragens.
"Agora que há promessas de dinheiro para investir, julgo que esse caminho não pode ser arrepiado", declarou.
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