José Sócrates avisou o PSD de que não está disposto a “pôr o neoliberalismo” na Constituição. O mais que o PSD pode esperar do PS é que mantenha o socialismo na gaveta.
O primeiro-ministro e líder do PS acusou o PSD de procurar "ajustar contas com a História e com o Estado Social e o Estado Providência em Portugal". Ora, para isso não conte o PSD com o PS. Embora o PS saiba que pode contar com o PSD, como o PSD tem contado com o PS, para reduzir, congelar e espoliar os apoios sociais herdados do socialismo primitivo e rejeitados pelo socialismo moderno. O primeiro-ministro e líder do PS exemplificou: o que o PSD quer é acabar com "a gratuitidade e a universalidade" da Saúde e da Educação. Mas para tanto não poderá contar com a colaboração do PS. É que o PS não abdica de ser ele próprio a fazer de tais preceitos constitucionais caricaturas de traço grosso.
O PS e o PSD, tal como o CDS, estão no seu direito de usarem matrizes sociais na respectiva identificação. Não há na Constituição nem nas leis qualquer preceito que impeça os partidos de traficar ideologias, contrabandear políticas, ou enganar papalvos. Excluindo as designações que envolvam simbologia da Igreja ou valores do fascismo, os partidos são livres de se designarem como bem entendam. Mas então, porque não há no leque partidário nenhum partido com denominação capitalista, ao passo que às últimas eleições legislativas concorreram oito partidos com siglas de inspiração social ou mesmo socialista? Será que no mercado das ideias, o social e o socialismo têm procura? E então onde está a oferta?
Sem um só voto em eleições e sem consagração constitucional, o neoliberalismo governa o país. Os portugueses têm razão para se queixar, nem que seja à defesa do consumidor.
joaopauloguerra@economico.pt
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