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O antigo Presidente da República confia no bom senso dos políticos e acredita que haverá um acordo no Orçamento.
"Creio - apesar do dramatismo, tanto do PSD como do PS, divulgado em público pela imprensa - que o Orçamento vai passar. Seria um crime de lesa-Pátria, o contrário. Aí, então sim, teríamos as agências de ‘rating' e os olhos dos especuladores do mundo inteiro fixados em Portugal para ver se poderiam ganhar com a desgraça alheia", escreve Mário Soares no Diário de Notícias.
Sobre a eventual demissão do Governo PS, caso o Orçamento seja travado, Soares considera que seria muito grave para o país, já que, actualmente, não pode haver substituição nem demissão do Parlamento. "Como se formaria um novo Governo, sem novas eleições, as quais, não poderão ocorrer antes das eleições presidenciais e dos prazos constitucionais que se lhes sucedem? Quem governaria nesse período? Sócrates mesmo demitido? Ninguém o poderia então criticar se governasse mal, porque seria um primeiro-ministro contra a sua vontade declarada", alerta.
O antigo Chefe de Estado critica Passos Coelho por este se opor "como se fosse matéria sagrada" ao aumento de impostos e desdramatiza: "Ainda agora, a nossa vizinha Espanha acaba de aumentar os impostos, o que afecta cem mil contribuintes em 2011, incluindo ricos e os próprios ministros verão diminuídos os seus vencimentos em 16%", explica.
Para Mário Soares, "Portugal não pode ser excepção. Por que razão o seria? Não pode à priori afastar essa hipótese", e faz um alerta: "Não se deve, isso sim, é apertar demasiado o cinto à classe média baixa e aos mais desfavorecidos, porque nesse caso, provavelmente, teríamos ondas sucessivas de manifestações e, porventura, de violência, o que afecta a coesão social, como se compreende, e a própria segurança do Estado. Quem avisa, bom amigo é...".
Revisão constitucional do PSD é despropositada
Mário Soares refere ainda que a revisão constitucional proposta pelo PSD é despropositada e que não deve ser mexida "por razões discutíveis de oportunidade política ou para desviar as atenções".
"Neste momento, realmente, o que é urgente é que nos concentremos na passagem do orçamento e no ataque à crise global. É o que mais interessa a todos os portugueses", disse o antigo Presidente da República.
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