Comunidade
A forma como José Sócrates venceu as últimas legislativas – quer pela forma como decorreu a campanha, quer pelo resultado que alcançou – já deixavam antever que o País caminhava em direcção ao pântano.
O que se passou desde então só tem acelerado essa aproximação. Começando na crise económica e financeira. Passando pela teimosia do Governo em recusar encarar os problemas e pela crise política entretanto aberta. E acabando em mais uma pré-campanha eleitoral que, ao contrário de todos os apelos feitos, se vai desenrolando sem discutir o essencial. Tudo aponta para que o País vá mesmo bater no fundo. Mas se há quem pensa que a situação não pode piorar, esqueça. É sempre possível ficar pior.
Nos últimos dias, de forma mais explícita ou em surdina, e tendo em conta as sondagens conhecidas, tem vindo a ser levantada a hipótese de o Presidente da República vir a dar posse a um Governo de coligação PSD/CDS caso estes dois partidos, juntos, consigam uma maioria absoluta. Isto mesmo se o PS for o partido mais votado e vencer as legislativas.
A hipótese não é meramente académica. É mesmo constitucionalmente possível. Mas não seria a mesma coisa. Para já, ninguém parece assumir a ideia. Espera-se que a prática venha a demonstrar que não passou disso mesmo. Uma ideia. Se assim não fosse, constituiria a machadada final no nosso sistema político.
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