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Bruno Valverde Cota

Sem demoras, mudemos!

25/03/09 00:01 | Bruno Valverde Cota 



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Quais são as pessoas da sua empresa que possuem maior capacidade criativa? Que condições criou para a sua utilização e valorização?

Vivemos num país onde o pensamento organizado e sistémico é bastante frágil. Somos todos muito críticos e "opinativos", as reuniões são "infinitas", é difícil organizar o tempo e o rigor é pouco valorizado. Para agravar a situação, 1 em cada 5 portugueses é pobre e 1 em cada 10 portugueses é analfabeto. Na prática, quase um terço dos portugueses não contribui para o PIB. A percepção de corrupção tem vindo a aumentar, o pessimismo dos portugueses atingiu os níveis mais elevados, as assimetrias sociais e económicas são, cada vez, maiores e, desde 1986, o índice de confiança dos portugueses atingiu o valor mais baixo. Como sair deste ciclo? Tenho lido e ouvido atentamente opiniões de reputados economistas e políticos, mas nenhum deles dá o peso necessário e merecido ao desafio da Educação para Portugal. Antes de mais, quando se fala em Educação pensa-se apenas nas crianças e jovens. E os pais? Sabemos que amam os seus filhos, mas neste "novo mundo" estarão preparados para educar eficazmente os seus filhos? Sabia que a Educação se reproduz? Como tal é essencial a criação de programas educativos integrados para pais e filhos, que, obviamente, terão que ser avaliados e monitorizados. Feito este parênteses, que gostaria de realçar, o que interessa é o futuro. E não vejo ninguém a pensar nisso. Ouvimos medidas avulsas, projectos isolados e Portugal? Como queremos que venha a ser? Quais são os objectivos para o futuro?

Eu gostaria de um Portugal onde as pessoas fossem felizes, onde houvesse confiança. Confiança nas instituições, na sociedade, na família, nas pessoas e sobretudo nos líderes. Fala-se de crise financeira, mas a crise é de evolução. Para mim é provavelmente a primeira "crise de transformação" do mundo global. Temos que mudar, comportamentos, atitudes, estilo de vida e políticas. E, infelizmente, há muita resistência. Dizem-nos que se tem que mudar, mas no fundo não querem. Mas, vamos mesmo ter que mudar! E espero que seja o mais cedo possível. Assim, mais do que nunca, precisamos de líderes "a sério".

Em Portugal, se quisermos ter empresas globais, sustentáveis no longo prazo - não apenas num período efémero "para a fotografia" - é fundamental que se pense não apenas no accionista, mas também no que se poderá fazer para melhorar a sociedade. Desenvolver programas fortes em temas como a mudança climática, direitos humanos e redução da pobreza serão factores críticos de sucesso. Temos que remir a ética e resgatar os valores mais essenciais do ser humano. É basilar uma reflexão sobre o que é menos ético no quotidiano da nossa sociedade, da nossa economia, da nossa empresa, da nossa família e implementar urgentemente mudanças. Traga estes temas para as reuniões de administração ou direcção da sua empresa. Já percebeu o quanto poderá ser importante para o futuro desta? Como disse Einstein, "os problemas mais significativos que enfrentamos hoje não poderão ser resolvidos no mesmo nível de pensar em que estávamos quando criámos esses problemas".

Se é político, economista, gestor ou simplesmente alguém com responsabilidades de gestão sobre um grupo de pessoas ou sobre uma organização não "use" as pessoas, não pense só na sua carreira, não tema concorrência e não perca tempo com intrigas. Trabalhe para transcender, procure superar os seus limites, não deixe de querer crescer e de querer desenvolver profissionalmente os que trabalham consigo. Seja um líder que não teme a mudança e que como não tem medo dela, procura encontrar sempre novas soluções para superar, por vezes, até mesmo causas consideradas impossíveis. Para isso é essencial ser competitivo, mas viver em integridade e coerência, crescendo constantemente em sabedoria e prudência. Das pessoas que trabalham consigo, sabe quais são as que possuem uma maior capacidade criativa? Que condições criou para a sua utilização e valorização? Olhe que um clima de confiança no trabalho estimula a entrega e dedicação. E é um item básico da felicidade. É por isso que luto por ser feliz. E você?
____

Bruno Valverde Cota, Doutorado em Gestão de Empresas




Comentários (19)

Sovimver, Lisboa | 07/04/09 21:42
Mais um excelente artigo! É um facto.
Durante os quase 20 anos de vida profissional que levo fui tentando mudar atitudes e tentar fazer ver às pessoas que muitas das nossas atitudes podem de facto fazer a diferença. Mas, este país e os Portugueses no geral têm duas características que me assustam por demais e que me fizeram ao longo dos anos "desacreditar" que a mudança possa vir a acontecer. Falo da Indiferença e da resistência à mudança que se fossem traduzidas em indicadores dariam com certeza uma boa fonte de estudo e reflexão.



Graça Roque, Luanda | 03/04/09 19:30
Mas que grande artigo! Foi por isso que eu sai de Portugal. Ai todos sabem tudo e ninguem quer mudar. Alguns precisavam de vir para Angola para ver o que custa. Achei o seu texto brilhante.


João Bessa Gomes, | 31/03/09 18:14
Gostei da opinião.
Deixo aqui a opinião que encontrei de Franklin Roosevelt e Lao-Tsé:
"As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia."
"Quando o líder efectivo dá o seu trabalho por terminado, as pessoas dizem que tudo aconteceu naturalmente."

É necessário mudar mentalidades e comportamentos... Porque não começar em nós próprios???



E.A, | 29/03/09 03:10
Sem dúvida é preciso Mudar! Mas quem dá o primeiro passo? Todos opinamos sobre tudo mas não fazemos nada para alterar o rumo que a sociedade está a tomar: falta de Valores!


Sergio Guerreiro, Lisboa | 27/03/09 11:50
Parabéns pelo pragmatismo e alcance ético do Artigo!!


Rita Correia, Lisboa | 26/03/09 20:54
É bom saber que não sou só eu e algumas pessoas que conheço que têm este sonho. A luta é dificil, o descontentamento é geral e ninguém quer lutar contra a palavra crise.... como estão em crise, não se mexem. Se todos pensarem assim ninguém vence. Apenas os que seguirem e lutarem pelos ideais que defende é que vão no final respirar e conseguir cheirar a liberdade sem ter a corda no pescoço.


Teresa Santos, | 26/03/09 12:11
"De Espanha nem bom vento, nem bom casamento", não é Pedro ? Estou de acordo com o Bruno, estamos perante uma crise de evolução, que requer diferentes formas de saída e de pensar. A resposta terá que vir dos políticos e ao que vejo está longe de cumprir as expectativas dos portugueses.


Pedro, Valencia, Espanha | 26/03/09 10:57
Ola,

gostava de comentar o artigo mas de facto nao sei o que comentar. Nao vejo nenhuma ideia concreta, nem qualquer plano de acçao. Concordo que é preciso mudar mas seria mais eficaz começar por analisar problemas concreto e planos de acçao especificos. Para mudar e actualizar paradigmas é preciso mais que teorias macro-economicas, principios teoricos, ou palavras bonitas.

Recomendo aplicar especificamente a qualquer problema: analise > intrepretaçao > acçao > eficacia > resultados

Sou empresario. Todos os meus empregados teem de pensar, agir e trabalhar por resultados. Ideias inconsequentes nao contribuem para o progresso individual, corporativo ou de uma sociedade.


Dilen Ratanji, | 25/03/09 19:37
Caro Bruno,

Excelente artigo, com a tua habitual visão pragmática da nossa realidade. Apenas um pequeno senão: o problema de Portugal é estrutural, cultural, sistémico,... é muito difícil mudar a atitude dos portugueses (assim como naturalmente de outros povos) e a nossa sistemática aversão ao risco e à mudança impedem que o país evolua num sentido ascendente. Não há impossíveis, apenas dificuldades que apenas poderão ser ultrapassadas com uma permanente atitude de persistência e coragem. Mas tudo a seu devido tempo e eu não faço a mínima ideia de quanto tempo Portugal precisará...

E sim, também quero ser feliz! Lutemos para que Portugal venha ainda um dia a ser um país de referência na Europa!

Grande abraço!


Paulo Curto de Sousa, Lisboa | 25/03/09 15:13
Objectivo e oportuno artigo. Para os novos (e alguns permanentemente adiados) desafios há que apostar em novos lideres. Não nos que estão comprometidos com os velhos problemas. Entendo que existem gestores de referência que poderiam dar excelentes contributos para a alteração preconizada no artigo. E talvez a classe política ficasse a ganhar com isso. Menos teoria... mais prática. Einstein não podia estar mais certo.


Napo, | 25/03/09 13:39
Muito paleio académico, ignorando a realidade deste pobre País, governado e presidido a partir de palácios !


Miguel Trigo, Porto | 25/03/09 12:13
Caro Prof. Bruno Cota,

Os meus sinceros parabéns! O meu pensamento e sentir está totalmente sintonizado com o que escreve neste artigo. A respeito do que apresenta deixo uma sugestão de assistirem aos vídeos constantes no seguinte url: http://migueltrigo.ufp.edu.pt/Home/things-i-consider-valuable-to-share



Leticia Portugal, Lisboa | 25/03/09 11:07
Professor! Excelente artigo! A sociedade precisa urgentemente de líderes com esta forma de pensar e agir. Já aderi a esta luta :)


Pedro Ruivo, Oeiras | 25/03/09 10:23
Muitos parabéns pelo artigo,
As organizações que não vêem a criatividade como a urgência necessária para fazer face ao panorama actual, bem se podem reformar. A miopia de alguns gestores agrava-se pelo facto da organização do trabalho ser cada vez mais baseada na liderança e desenvolvimento do conhecimento que tem por base as pessoas. Depois de motivadas as pessoas naturalmente desenvolvem uma nova atitude, onde a criatividade é a resposta natural aos problemas. Sendo assim o factor de maior sucesso nas sociedades desenvolvidas.



Rui Pedro, Cascais | 25/03/09 10:18
Achei muito interessante quando diz que estamos a passar a primeira "crise de transformação" do mundo global. Estou totalmente de acordo. E isso acontece porque uns não querem mudar e outros ou estão resignados ou têm medo. Talvez a nova geração possa mudar este ciclo de incompetência, pessoas como o Senhor ... mas se os deixarem.


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