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Entrevista

“Sem CIP e UGT podia haver acordo mas com um ‘A’ pequenino”

Maria João Avillez  
03/02/12 07:40

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Maria João Avillez entrevistou o advogado Luís Pais Antunes que ajudou o Governo no acordo da concertação social.

Diz de si mesmo que "não é de capinar sentado" e também diz "o que pensa às pessoas". Subentendido: sejam elas quais forem, de ministros a empregados de café, passando por colegas ou adversários políticos.

Na juventude andou com fôlego pela extrema-esquerda tendo porém o talento de não se deixar consumir pela voragem da revolução de 74. Formou-se em Direito, foi crescendo na advocacia, impôs-se nas áreas da Concorrência e das Comunicações, ambas "da sua eleição" e onde hoje é um craque. E desde 2008, dirige o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, um ‘think tank' independente (criado em 1980 por Álvaro Vasconcelos) para "investigação e promoção do debate sobre questões internacionais e prioridades da política externa portuguesa".

Há uma década, Luís Pais Antunes, 54 anos, consentiu-se um breve intervalo político, aceitando ser dirigente nacional do PSD e secretário de Estado dos então ministros Bagão Félix, primeiro, e Álvaro Barreto, a seguir. Tido - e respeitado - como um excelente negociador, firme, paciente, lúcido, além de tecnicamente bem preparado. Conhecedor dos meandros do mundo do trabalho e de outros mundos - o de Bruxelas, por exemplo, onde esteve durante alguns anos - costumam bater-lhe à porta. Desta vez também: Pais Antunes foi "convocado". Para negociar e ajudar a negociar muitas - ou melhor, todas - as etapas do acordo de concertação, recentemente assinado pelos parceiros sociais e pelo Governo de Passos Coelho. Após a maratona, guardou uma certeza: o país ficou melhor.

Qual foi, exactamente, o seu papel nas negociações do acordo de Concertação Social? Diz-se que apareceu no fim, quando tudo ‘derrapava' mas desde Setembro que dialoga com ministro da Economia, sobre estas e outras coisas...
Direi que tive um papel de "facilitador", tentando contribuir para o que considerava ser um desígnio nacional, face aos nossos desafios. E é verdade que ao contrário de algumas coisas que por aí se disseram não cheguei a este processo como aquele jogador de futebol que é contratado na época de Inverno para substituir o ponta de lança que não mete golos, e tal...Não! Desde Setembro que converso com o ministro da Economia e...

Santos Pereira chamou-o com a concertação na agenda?
Sim. Tendo em conta a experiência que eu tivera em situações semelhantes ocorridas no passado, queria ouvir a minha opinião, conhecer melhor os processos, a metodologia, para desenhar um quadro mais geral.

Mas tratava-se também de amparar a possível inexperiência do ministro que segundo sei, acreditava poder concluir as negociações muito mais cedo...
O que havia - e percebi logo isso - era a intenção de ser tão rápido quanto possível, ultrapassando os obstáculos que existiam. O calendário de execução das medidas da ‘troika' é muito exigente. Embora a minha percepção fosse a de que estávamos face a um processo mais longo do que as nossas vontades. Para não dizer, bastante mais longo.


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