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O sector segurador nacional tem três mil milhões de euros investidos em obrigações soberanas portuguesas.
Uma exposição que, de acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Pedro Seixas Vale, tem vindo a diminuir, e que representa hoje cerca de 5% da carteira das seguradoras.
"Não tenho dúvidas que hoje existem muitas empresas com ‘rating' superior ao dos Estados e portanto faz todo o sentido diminuir a exposição à dívida pública e aumentar à dívida privada", justificava o presidente da APS por ocasião da apresentação dos resultados do sector referentes a 2009.
Pedro Seixas Vale aproveitou a ocasião para avançar ainda os primeiros indicadores de 2010. E o presidente alerta: "O ano de 2010 não vai ser um ano para recordar". Embora o balanço do primeiro semestre seja positivo em termos operacionais - principalmente no ramo Vida, onde a produção de seguro directo aumentou 34,3% em termos homólogos - o contínuo aumento da sinistralidade a par da desvalorização dos activos antecipa um "ano difícil", nas palavras do presidente da APS.
Devido ao perfil de risco das seguradoras, grandes gestoras de poupanças e de fundos de pensões, mais de dois terços (69,6%) das suas carteiras estão investidas em obrigações - 70,9% em dívida de entidades privadas e 25,9% em dívida pública, principalmente da zona Euro.
Pedro Seixas Vale assume que, a tendência dos últimos anos de decréscimo no valor dos prémios cobrados pelas seguradoras, poderá ter que ser invertida. Uma opção para fazer face ao aumento da sinistralidade, a par da desvalorização dos activos (afectados pela crise de dívida soberana) e alterações legislativas no ramo automóvel e de acidentes de trabalho, as quais dotam os segurados de coberturas mais abrangentes. "Não há milagres. A tendência de diminuição dos prémios deverá inverter. Mas isso depende sempre de cada seguradora", avança o presidente da APS.
Em 2009, o sector segurador gerou lucros na ordem dos 263 milhões de euros (que resultaram da valorização dos activos), ou seja, cerca de 6% dos capitais próprios, o que é, segundo Pedro Seixas Vale, "resultados insatisfatórios para um investimento normal". No entanto realça que os rácios de solvência do sector representam actualmente o dobro do que é exigido pelos reguladores, estando a indústria preparada para as maiores exigências que se avizinham a este nível.
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