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Comunidade
Jardim Gonçalves deixa o BCP na segunda-feira. Ontem, no Conselho Superior, aprovou a equipa de Santos Ferreira. Há 26 administradores proibidos de se candidatarem. Alguns accionistas mantêm dúvidas sobre Vara, mas não têm lista alternativa.
Carlos Santos Ferreira já fechou a equipa com a qual pretende liderar o BCP nos próximos três anos. A lista, que será submetida à votação dos accionistas na assembleia de 15 de Janeiro, garantiu já o apoio de uma base alargada do capital, mas também do fundador do maior banco privado do país. Em declarações ao Diário Económico, Jorge Jardim Gonçalves disse que “o nome de Carlos Santos Ferreira e das pessoas que me foram indicadas como fazendo parte da lista que os accionistas submeterão à assembleia geral, dão-me as garantias de boa governabilidade do BCP”. O banqueiro sublinhou, aliás, que, quando no passado dia 4, anunciou a sua renúncia aos cargos que exerce no banco – presidente do conselho superior e do conselho geral e de supervisão –, o fez com base na convicção que os accionistas apoiariam uma lista que daria as garantias de boa governabilidade à instituição. Nesse dia, Jardim suportou a candidatura de Filipe Pinhal. O actual presidente do conselho de administração executivo do BCP foi obrigado pelo Banco de Portugal a desistir, devido às investigações em curso por parte das autoridades de supervisão.O aval de Jardim Gonçalves, que, na segunda-feira, deixa de ter qualquer cargo no BCP, a Carlos Santos Ferreira reflecte o consenso registado ontem à tarde na reunião do conselho superior, que decorreu na sede da instituição, na Rua Augusta. Segundo uma fonte contactada, a maioria dos accionistas com assento naquele órgão consultivo aprovou a candidatura de Santos Ferreira, não tendo existido manifestações públicas de descontentamento. Mas, a aparente concordância dos accionistas que integram o conselho superior está longe de traduzir uma unanimidade. Outra fonte garante que ontem ainda existiam divergências entre alguns accionistas do BCP, no que respeita à futura relação de forças no conselho geral e de supervisão. Na assembleia geral de 15 de Janeiro, os accionistas do banco serão chamados para eleger um novo conselho de administração executivo do banco, mas também para decidir sobre o preenchimento de vagas no conselho geral e de supervisão, bem como o seu eventual alargamento.
Jardim Gonçalves deixa o BCP, na sequência de uma crise sem precedentes, suportou a candidatura frustrada de Filipe Pinhal a um novo mandato como presidente do banco, mas, no momento da despedida deixa um sinal de apoio a Carlos Santos Ferreira e à sua equipa. Comentando a equipa na globalidade, o fundador do BCP opta por não se envolver na polémica que surgiu à volta do nome de Armando Vara, uma escolha de Santos Ferreira e que ainda ontem causava irritação a alguns accionistas de referência do banco. Ainda assim, o gestor da Caixa não prescinde do seu homem de confiança, que será um dos dois vice-presidente do BCP. Ao que o Diário Económico apurou, Santos Ferreira escolheu trabalhar com Armando Vara e Paulo Macedo, que serão vice-presidentes, Vítor Fernandes, actual administrador da CGD, e José João Guilherme, Nelson Machado e Luís Pereira Coutinho, da alta direcção do banco. Hoje, último dia do prazo para a entrega de candidaturas, será feito o anúncio oficial da equipa. A lista deverá ser entregue ao presidente da mesa da assembleia geral, Germano Marques da Silva, por um grupo de accionistas. Para já, é conhecido o apoio de Joe Berardo, Manuel Fino, Bernardo Moniz da Maia, da EDP e da própria CGD, da Sonangol, do BPP e até da Teixeira Duarte. Anteontem, o BPI deu o seu voto de confiança a Santos Ferreira. Na opinião das fontes contactadas pelo Diário Económico, persistem, entre portas, algumas “guerrilhas” entre accionistas por causa da influência que cada um pretende assegurar nos futuros órgãos sociais do BCP, mas não é de supor qualquer oposição, nem tão pouco o aparecimento de uma lista rival. Feitas as contas aos apoios registados, Carlos Santos Ferreira parte para as eleições com a vitória assegurada.
Santos Ferreira é decisão dos accionistas, diz Governo
O Governo confirmou ontem o pedido de Santos Ferreira para cessar funções na CGD e vincou, através de Pedro Silva Pereira, no final do Conselho de Ministros, que a futura administração do BCP “é exclusiva responsabilidade dos accionistas do banco”. O ministro da Presidência comentou ainda a proposta do PSD no sentido de ser nomeada para a CGD uma figura ligada ao partido, chamando-lhe “indecorosa”. “O Governo escolherá as pessoas que entende adequadas”, concluiu. Esta quarta, o líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, contestara a transferência de Santos Ferreira para o maior banco privado português “sem interregno”, sugerindo, num texto do seu blogue, que poderá haver “espionagem” e afirmando que “algo de estranho se passa neste país”.
Já ontem foi o líder da bancada parlamentar do PP, Diogo Feio, quem teceu duras críticas, desta vez a Vítor Constâncio. O deputado pediu justificações ao governador do Banco de Portugal, acusando-o de “não ter a credibilidade expectável” para liderar a supervisão dos bancos no país, exigindo a sua presença no Parlamento para que se justifique.
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