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Sanções por não cumprimento de défices destruirão a Europa

Económico com Lusa  
12/10/10 09:05

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João Ferreira do Amaral sustenta que "a Europa não se constrói com sanções".

A imposição, no seio da União Económica e Monetária (UEM), de "sanções a um país que não tenha instrumentos para lidar rapidamente com a balança de pagamentos é um absurdo", afirma o professor catedrático do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão).

As regras na UEM e na União Europeia (UE) "têm de ser substancialmente alteradas" e "a Europa tem de voltar à filosofia da cooperação e da ajuda e não da dominação", defende o economista, que falava hoje na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

A UEM "tornou-se mais num espaço de dominação do que de cooperação", critica João Ferreira do Amaral, defendendo a necessidade de esta União "se redefinir", sob pena de "desaparecer na forma como a conhecemos hoje, porque as tensões que se estão a criar" no seu interior torná-la-ão "impraticável".

O comportamento da Alemanha pode, de algum modo, ser compreensível, mas "as políticas macroeconómicas" que este país está a impor servem uns, mas são "muito negativas para outros países", acrescenta o economista, que falava num debate sobre a UEM, no âmbito do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios, este ano subordinado ao tema "Reflexões sobre a economia global em crise: migrantes, cidades, mercados, governação".

"É impensável um Estado moderno ficar dependente dos mercados para se financiar", afirmou, por outro lado, João Ferreira do Amaral, em declarações à agência Lusa, à margem do debate, em que também participaram o economista José Silva Lopes, o director da FEUC, José Reis, e os também docentes universitários Mário Nuti (Roma), Achim Truguer (Dusseldorf) e Andrew Watt (Bruxelas).

"No século XIX os Estados financiavam-se nos mercados", mas então, sublinha João Ferreira do Amaral, "tinham funções muito estritas".

Hoje, "isso não é possível porque um Estado não pode deixar de satisfazer os seus compromissos".

Aquela perspectiva "significa o enfraquecimento do Estado", situação "não é aceitável". De resto, prevê, "se não for resolvida a questão do financiamento dos Estados agravar-se-ão as tensões no seio da UEM e da Europa".

Defendendo idêntica perspectivo, José Reis afirma que o Banco Central Europeu (BCE) "deve intervir no mercado primário da dívida soberana".

Do mesmo modo, "é também claro" que a UEM deve "importar-se tanto com os défices das balanças correntes como com os excedentes", sustenta.

Limitar-se a "cuidar dos interesses das economias exportadoras, ou, noutro plano, dos bancos alemães, é uma negação profunda da Europa e a mais radical demissão de um compromisso com o desenvolvimento da integração europeia", sublinha o director da FEUC.

 

 





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