A reflexão de João Cardoso Rosas [ver edição de ontem] sobre a proposta dos accionistas de referência da EDP à Assembleia Geral Extraordinaria (AGE) de 20 de Fevereiro, que inclui o meu nome como independente para Presidente do Conselho Gral e Supervisão (CGS), e o do accionista principal (empresa chinesa Three Gorges) para vice-presidente, assenta em alguns pressupostos incorrectos.
Na realidade:
1) Não se trata de uma nomeação, mas de uma pré-selecção por parte dos accionistas de referência nacionais e estrangeiros,que ponderaram várias alternativas para o lugar;
2) Os critérios-chave que levaram à minha escolha foram dois: a minha experiência de gestão de topo a nível estratégico em grandes empresas nacionais e estrangeiras; o facto de já ser membro (em dois mandatos) do dito CGS,também como independente dos accionistas;
3) A remuneração que tem vindo a ser especulada foi a do actual Presidente em 2010 (em representação do então accionista pricipal em 2010). Aquela que vier a auferir será fixada por uma Comissão de Vencimentos a eleger pelos accionistas, que tem nesta como noutras matérias o poder soberano na empresa;
4) A chamada pensão de reforma, que recebo desde os 65 anos, deriva do meu trabalho passado de 40 anos no sector privado (nacional e estrangeiro) e de 20 anos também de descontos para a CGA por funções de professor universitário em regime de tempo parcial. Na Universidade, desde há quase quatro anos, que não tenho qualquer remuneração,tendo prescindido da mesma, mesmo antes da disposição legal sobre a matéria;
5) Tenho continuado a trabalhar activamente depois dos 65 anos no sector privado, onde me pagam em função do meu valor de mercado,o qual é de nível internacional desde os meus 31 anos, quando fui escolhido exclusivamente pela minha competência para Administrador da CUF (então o maior grupo económico português) antes da sua destruição pelo processo das nacionalizações;
6) Continuei na CUF após a nacionalização como Administrador (recusando ofertas para ir trabalhar para o estrangeiro), e então fui vítima da medida supostamente revolucionária de Vasco Goncalves, que, ao fixar o salário máximo nacional em 50 contos, reduziu a metade a minha remuneração. Nao me queixei nem fugi para o estrangeiro;
7) Sempre paguei impostos no escalão máximo e estou seguramente no TOP 10 em matéria de IRS no País. Não sei se irei ganhar mais na EDP do que ganho já hoje, mas recordo-lhe que a taxa marginal é praticamente 50%; a que há que adicionar o desconto para a Segurança Social que continua (em certa extensão) sobre as remuneraçõe nas empresas privadas mesmo depois de ter exercido o meu direito financeiro aos 65 anos junto da Segurança Social e CGA;
8) O meu amigo Pedro Passos Coelho foi informado por mim em momento posterior ao do convite que recebi dos accionistas principais; enquanto que há seis anos, quando entrei na EDP como independente, fui convidado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, na medida em que o fez em nome do Estado como accionista principal.
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Eduardo Catroga, Gestor
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