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Crédito

Saiba quanto vai subir a prestação da sua casa no próximo mês

Alexandra Brito  
25/02/11 07:31

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A subida das taxas Euribor vai levar a um aumento dos encargos com a casa.

Uma má notícia nunca vem só. Depois das famílias terem sido confrontadas no início do ano com cortes salariais, eis que surge mais um novo dado que promete pesar nos orçamentos dos portugueses: os encargos com juros no crédito à habitação vão voltar a subir no próximo mês. Quem revir a prestação mensal da casa em Março será brindado com uma factura mais elevada, independentemente do indexante que tenha escolhido. Isto porque as taxas Euribor a três, seis e 12 meses estão agora mais elevadas face à última revisão da prestação. Contas feitas, e tomando como exemplo, um empréstimo à habitação no valor de 100 mil euros a pagar em 20 anos e com um ‘spread' no valor de 1%, a prestação ficará entre dois e 23 euros mais cara no próximo mês, consoante a taxa interbancária escolhida.

É nos créditos indexados à Euribor a 12 meses que o agravamento será maior. No total, uma família que tenha um empréstimo de 100 mil euros, a pagar em 20 anos (e com este indexante) pagará em Março uma prestação de 540 euros. Um valor que compara com os 516 euros verificados até aqui. No entanto, importa ressalvar que este aumento afectará poucas famílias já que- segundo dados do Banco de Portugal relativos ao final de 2009- apenas dos 2,3% dos créditos à habitação em Portugal estão indexados à Euribor a 12 meses. Na verdade, a maioria dos empréstimos para a compra de casa estão associados à Euribor a seis meses- 54% dos contratos, segundo dados do regulador. Mas também neste caso as famílias vão sentir uma subida dos encargos. Um crédito de 100 mil euros indexado à Euribor a seis meses irá ver a prestação subir dos actuais 512 euros para os 522 euros. Os dados comprovam que a tendência de queda de juros já terminou e que o caminho agora é só um: o das subidas. A generalidade dos agentes do mercado acredita que esta tendência de subida será feita de forma gradual, dando tempo às famílias para adaptarem progressivamente os seus orçamentos ao aumentos dos encargos com juros. No entanto, a recente escalada da inflação, motivada sobretudo pelo agravamento dos preços do petróleo, poderá levar o Banco Central Europeu a subir, mais cedo do que o previsto, a taxa de juros de referência para a Europa. Recorde-se que em Janeiro, a inflação na Zona Euro atingiu os 2,4%. No mesmo período, a taxa de inflação em Portugal atingiu os 3,6%.

O BCE tem como meta manter a inflação abaixo (mas próximo) dos 2%. Para fazer os preços dos bens e serviços na Europa recuarem até este nível, Jean Claude Trichet pode ter de subir a taxa de juros de referência, que se encontra no valor mais baixo de sempre (1%) desde Maio de 2009. Nos últimos dias, vários membros do Banco Central têm vindo a público alertar para esta possibilidade. Um dos últimos a fazê-lo foi Yves Mersch, governador do Banco Central do Luxemburgo. "Não ficaria surpreendido se ajustássemos a nossa avaliação dos riscos inflacionistas e se a maioria dos colegas concluíssem que existem riscos para a estabilidade dos preços", afirmou. Perante as pressões crescentes, as atenções estão viradas para a próxima reunião do BCE, no dia 3 de Março, para saber qual será a decisão de Trichet sobre esta matéria.

O certo é que no mercado interbancário, as taxas Euribor já antecipam uma subida da taxa Refi. Nos últimos quatro dias, todos os indexantes subiram de forma consecutiva. Esta expectativa é também sentida na NYSE Liffe, onde são negociados contratos de futuros sobre a Euribor a três meses. Os agentes do mercado esperam que em Dezembro de 2012, a Euribor a três meses se situe nos 2,62%, o que compara com os actuais 1,087%.

Para muitas famílias esta é altura de preparar os orçamentos para prevenir o impacto que uma eventual subida dos encargos com juros pode vir a ter nas suas finanças. Por exemplo, uma família que tenha um crédito à habitação no valor de 100 mil euros, a pagar em 20 anos, indexado à Euribor a seis meses e um ‘spread' irá pagar uma prestação em Março de 522 euros. Mas se a Euribor subir mais 1%, os encargos mensais subirão 50 euros por mês. Veja nas caixas ao lado, quanto é que a prestação da sua casa subirá caso os juros aumentem 0,5%, 1% ou 2%. As contas mostram que caso haja uma subida da Euribor na ordem dos 2%, os encargos com a prestação mensal podem subir até 20%.


Quanto irá pagar em Março?

Euribor a três meses
Quem tiver um crédito à habitação no valor de 100 mil euros, a pagar em 20 anos, com um spread de 1% e indexado à Euribor a três meses e revir a prestação da casa em Março, irá pagar uma prestação mensal de 509,97 euros-mais 2,10 euros do que até agora.

Euribor a seis meses
Os encargos também sobem para quem tem empréstimos à habitação associados à Euribor a seis meses. Neste caso, um empréstimo de 100 mil euros irá pagar no próximo mês uma prestação de 522 euros. Um valor que compara com os actuais 512 euros.

Euribor a 12 meses
É nos créditos indexados à Euribor a 12 meses que ser irá notar um aumento maior dos encargos. Quem tiver um financiamento no valor de 100 mil euros e revir a prestação da casa no próximo mês irá pagar mais 23 euros, face à prestação actual (516,61 euros).

Prepare-se para a subida da Euribor

1 - Se os juros subirem 0,5%
É impossível determinar quanto vão subir realmente as taxas Euribor nos próximos meses. O Diário Económico fez as contas para determinar quanto é que um aumento de juros poderá ter na factura mensal com a casa. Assim uma família que pague hoje uma prestação mensal do crédito à habitação no valor 522 euros, se os juros aumentarem 0,5%, os encargos mensais serão agravados para os 547 euros.

2 - Se o juros subirem 1%
Uma família que pague neste momento uma prestação mensal de 522 euros com o seu crédito à habitação, irá ver os encargos mensais subirem para os 572 euros, caso a Euribor aumente 1%, face aos níveis actuais. Contas feitas, isto representa um agravamento de 9,5% da prestação mensal.

3 - Se os juros subirem 2%
Num cenário mais pessimista, no qual as taxas Euribor possam aumentar 2% face aos níveis actuais, os encargos com a prestação da casa podem aumentar consideravelmente. Contas feitas, uma família que pague hoje uma prestação de 522 euros, irá ver a factura mensal subir para os 624 euros, caso os juros subam 2%. Ou seja, isto representa um aumento de 20% dos encargos com a casa.

 





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