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Habitação

Saiba o que tem de mudar para que se arrendem mais casas

Elisabete Soares  
10/03/10 00:05

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O primeiro passo é mudar a lei para que o mercado se corrija e as rendas possam baixar.

A procura de casa para arrendar disparou nos últimos dois anos, devido às restrições impostas pelos bancos em emprestar dinheiro para a aquisição. Muitas das empresas de venda de casas passaram a ter quase como actividade principal a procura de fogos, mas para arrendamento. Contudo promotores, mediadores e clientes queixam-se que a oferta é reduzida, sendo esta a principal razão para explicar o facto de o mercado não funcionar.

A escassez de oferta para arrendamento - que faz disparar os valores das rendas - é um paradoxo quando se sabe que há milhares de casas novas vazias, localizados tanto no centros das cidades, como nas periferias. Isto porque os promotores e proprietários continuam a não colocar as casas no mercado do arrendamento. E a razão é simples: à falta de confiança no mercado - devido à dificuldade em despejar os arrendatários maus pagadores na rua - somam-se os impostos pagos pelos proprietários. Feitas as contas os proprietários chegam à conclusão que afinal o que lucram não dá para as obras que é necessário fazer.


O que é preciso Mudar

Na opinião de Maria Teresa Ramos Pinto, presidente da Associação dos Industriais de Construção de Edifícios (AICE), "muitas medidas podem ser tomadas, tais como procedimentos camarários menos burocráticos, diminuição de algumas taxas e isenção de outras e mais alguns incentivos fiscais". A AICE, que hoje realiza um sugestivo seminário "Arrendamento Urbano: oportunidade ou miragem", no auditório do LiberOffice, no Chiado, considera que a "falta de agilidade dos tribunais e a consequente desresponsabilização de todos os agentes, contribuiu para que o mercado de arrendamento seja visto como uma actividade de alto risco, afastando qualquer hipótese de investimento". Os promotores e investidores imobiliários consideram que o Governo devia tomar medidas que incentivassem a compra de casas para arrendamento, como vem acontecendo em outros países da Europa, como é o caso de França. O anterior governo e o actual tem mostrado alguma sensibilidade para estas questões. Contudo Maria Teresa considera que "as questões infelizmente são apreciadas numa óptica imediatista, e tarefas desta envergadura precisam de estratégias a longo prazo que não se compadecem com alterações sistemáticas de governação".





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