Mais Lidas
Comunidade
O medo e a ambição excessiva são inimigos do investidor bem sucedido. Aprenda a controlar as suas emoções.
Sabia que 80% das decisões de investimento se baseiam em factores emocionais e que apenas 20% da actividade de ‘trading' se fundamenta em factores meramente técnicos, de análise de mercado e gestão de carteira? Quem o diz são os especialistas.
"O peso da psicologia de mercados tem muito mais importância do que normalmente se pensa", afirma Diogo Oliveira, da Direcção de Investimentos do Banco Best, ao Diário Económico. "Podemos definir um conjunto de regras de gestão da carteira (‘money management') associado ao desenvolvimento de um bom modelo de ‘trading', mas se não o conseguirmos aplicar na prática devido a questões emocionais, os resultados no final poderão ser muito diferentes do pretendido", alerta.
Em tempos de crise, o impacto das emoções nos mercados é ainda mais flagrante. Nos primeiros três meses do ano, os principais índices mundiais acumularam ganhos, a reflectir o optimismo dos investidores depois das operações de cedência de liquidez aos bancos europeus pelo BCE, a descida dos juros na zona euro e as expectativas de mais medidas de estímulos pela Reserva Federal norte-americana. A bolsa alemã subiu 18% até Março, enquanto o índice tecnológico Nasdaq acelerou 19%, nos EUA, registando o melhor trimestre desde 2009. Contudo, as bolsas já voltaram às perdas perante o adensar da crise na Grécia, em Espanha e também na Itália.
Dizem os peritos que o segredo para uma actividade de ‘trading' lucrativa passa então pelo controlo das emoções, o que pode ser muito mais difícil do que se pensa à partida. O investidor deve conhecer-se bem a si próprio e aos seus limites antes de partir para a aventura de tentar lucrar nos mercados financeiros. É um erro não conhecer o perfil de risco em que se sente mais confortável - se é mais conservador ou agressivo, por exemplo - e também é um erro não definir metas realistas nem o horizonte temporal que deseja para os seus investimentos.
"Um dos principais inimigos do investidor poderá ser a natureza do próprio investidor. Será aquele investidor que entende que não é necessário preparar-se adequadamente, que na primeira contrariedade sente o medo apoderar-se de si, e liquida as suas posições contrariamente à sua estratégia inicial, ou que pela ambição excessiva está exposto a um nível de risco muito superior ao que seria desejável", explica Diogo Oliveira. No universo das emoções, o medo e a ambição excessiva, tal como a falta de disciplina dos investidores, são assim obstáculos à actividade de ‘trading'.
"Associado à componente emocional, temos o facto de a grande maioria dos investidores não estar preparado/mentalizado para assumir perdas, pelo que normalmente criam defesas mentais para manterem investimentos em perda dentro das suas carteiras", indica Diogo Oliveira.
Mas o contrário também é válido, sendo igualmente um erro desfazer uma carteira de investimentos pensada para um horizonte de longo prazo passadas poucas semanas, perante uma conjuntura percepcionada como menos favorável, como, por exemplo, num cenário de quedas acentuadas em bolsa. "Sabemos que é desejável fazer uma análise contínua da evolução da carteira para que, entre outras coisas, se possam fazer determinados ajustes, mas permitir uma alteração estrutural desta natureza pode colocar em causa os objectivos inicialmente definidos", alerta o perito do Banco Best.
Antes de investir em bolsa há um conjunto de questões a que todos os investidores devem responder: quanto pretendem ganhar e quanto estão dispostos a perder, em média; quanto estão dispostos a alocar do seu património a uma carteira de maior risco e qual o nível de alavancagem que vão assumir ou não. Acima de tudo, importa frisar que investir em bolsa não é o mesmo que jogar num casino e existem muitos riscos associados à actividade de ‘trading', muito além do fenómeno da aleatoriedade e das probabilidades que possam aplicar-se a jogos de sorte ou azar.
"O investimento em activos de risco - como é o caso de investir em acções - está associado a uma multiplicidade e amplitude de fenómenos, como sejam os políticos, sociais e económicos, em que os preços dos activos traduzem as expectativas de todos estes agentes do mercado. É por isso que o investimento nos mercados financeiros requer análise, preparação e constante aperfeiçoamento", argumenta Diogo Oliveira.
Na aventura de tentar obter lucros nos mercados financeiros, é indispensável fazer o trabalho de casa, estabelecer previamente e seguir um conjunto de regras e ter em mente que "se não se conhecer a si próprio, a bolsa é um local muito dispendioso para o fazer". Lembre-se também que o negociador bem sucedido não é o que ganha muito dinheiro, mas aquele que, quando as coisas estão más, perde pouco.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20
Divisas
A tecnologia que muda a internet. Realtime





