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Passos Coelho e Marcelo Rebelo de Sousa em segundo e terceiro lugar na votação do Económico.
Começou nas listas da Acção Nacional Popular, durante a Primavera Marcelista, na companhia de Francisco Pinto Balsemão e Mota Amaral, chamou à atenção na célebre Ala Liberal e, logo após o 25 de Abril, esteve entre os fundadores do Partido Popular Democrático. Francisco Sá Carneiro, nascido no Porto a 19 de Julho de 1934, liderou o partido que se tornaria Social Democrata, foi ministro sem pasta em Governos provisórios e durante onze meses assumiu a liderança do país, com o Executivo de Aliança Democrática, formado na companhia o CDS de Freitas do Amaral e o Partido Popular Monárquico de Ribeiro-Telles.
Nessa altura, num discurso na comissão política do PSD, garantia que o seu governo deveria "governar com isenção e numa linha de serviço nacional, colocando-se acima da luta partidária, sem deixar de ter presentes os resultados eleitorais". Uma das lições que deixou e que ainda hoje fazem da cartilha da política nacional. Talvez por isso, nem o prematuro final de vida lhe ameace o estatuto de "melhor líder da história do PSD", com 1710 pontos, mais 496 que Pedro Passos Coelho e 625 para Marcelo Rebelo de Sousa.
Dois anos como secretário-geral do PPD/PSD (74/75 e 79/80) e onze meses com primeiro-ministro foram suficientes para deixar marca na política nacional e para deixar um manual de sobrevivência política. Sobre as guerras no Parlamento, Sá Carneiro disse uma das suas mais célebres frases - "Nunca me senti tão sozinho e nunca tive tanta certeza de estar tão certo" - e mesmo recentemente Santana Lopes, que lhe era próximo, lembrava que o ambiente em torno do líder nem sempre foi o mais tranquilo.
"Quase todos os dirigentes do partido, não todos, mas uma boa parte, nomeadamente vários que hoje falam de Sá Carneiro como se tivessem sido próximos dele, fizeram tudo em vida para lhe fazer a vida negra", recordava Santana Lopes, em 2010, ano em que se assinalaram os trinta anos da sua morte. Ao longo da sua carreira política, Santana Lopes sempre assumiu admiração por Sá Carneiro, mas nem por isso conseguiu ficar perto na votação do Económico - o ex-primeiro ministro ficou em quinto, com 342 votos, entre Manuel Ferreira Leite (383 votos) e o actual Presidente da República, Cavaco Silva (166 votos).
Sá Carneiro morreu a 4 de Dezembro de 1980, num acidente aéreo que muitos defendem ainda estar por explicar e que ao longo dos anos tem alimentado teorias, livros e acaloradas discussões. Garantido é que nem o facto da passagem pela política ter sido abruptamente interrompida lhe roubou o lugar de destaque na memória dos militantes sociais-democratas.
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