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A Ryanair inaugurou em Setembro uma base aérea no Porto, num investimento de 146 milhões.
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‘Low cost’ irlandesa começa hoje a fazer concorrência à TAP nos voos domésticos.
Se não existirem percalços o primeiro voo da Ryanair entre o Porto e Faro aterrará às 01h15 da próxima segunda-feira no aeroporto da capital algarvia. A bordo irão mais de 160 passageiros, num Boeing 737-800 com lotação máxima para 189 pessoas.
Daniel de Carvalho, director de comunicação da companhia aérea irlandesa, confessa que está satisfeito com estes números e diz que "os portugueses estão a abraçar o primeiro voo doméstico de tarifas baixas".
"É visivelmente melhor do que a média verificada em outros voos inaugurais da Ryanair", diz ao Diário Económico Daniel de Carvalho, explicando que este valor se situa habitualmente nos 130 lugares vendidos. E a Ryanair garante que se "mantém um cenário semelhante para os voos seguintes", com bilhetes a ser vendidos pelo preço de seis euros, já com taxas incluídas, para viagens num único sentido.
A companhia aérea irlandesa irá operar numa rota em que não tem concorrência directa. A TAP mantém cerca de 10 voos diários para Faro, mas todos eles com escala no aeroporto da Portela, em Lisboa. E esta é uma situação para manter.
Fonte oficial da transportadora aérea portuguesa explica que "o grande ‘hub' da TAP é Lisboa", pelo que faz sentido que "numa lógica de rede, de interligação e de posicionamento estratégico no mercado europeu", também as ligações a Faro se façam a partir do aeroporto da capital.
A opção da Ryanair pela ligação a partir do Porto está directamente relacionada com a criação da base aérea da companhia ‘low cost' no aeroporto Sá Carneiro, que implicou um investimento de 210 milhões de dólares (140 milhões de euros à cotação de sexta-feira). "Por razões operacionais voamos sempre entre aeroportos dos quais pelo menos um é uma base da Ryanair", diz Daniel de Carvalho. Se até Setembro a Ryanair ligava o Sá Carneiro a 32 aeroportos internacionais, com a inauguração da base, o Porto passou a poder estar ligado a 151 aeroportos. Uma possibilidade que por enquanto é apenas teórica, já que a Ryanair mantém os mesmos 21 voos a partir do Sá Carneiro, acrescentando apenas Faro ao ‘portefólio'.
Aeroporto condiciona ligações de Lisboa
A Ryanair afasta para já qualquer possibilidade de fazer ligações de e para Lisboa. Ainda que esta tenha sido uma estratégia já abordada pela companhia ‘low cost', Daniel de Carvalho explica que não voam para o Aeroporto da Portela "principalmente por razões de infra-estrutura". "Precisamos de ter os nossos aviões preparados para a descolagem 25 minutos após a aterragem", diz o responsável da ‘low cost'. Segundo a mesma fonte tal só será possível "quando terminarem as obras [de alargamento do aeroporto] e a TAP for para a nova área em construção, deixando por completo o terminal doméstico".
Daniel de Carvalho diz que o objectivo da nova ligação não é alimentar os voos internacionais da Ryanair a partir do Porto, mas apenas "oferecer uma alternativa mais barata e mais rápida às auto-estradas, comboios, autocarros e à TAP" (ver caixas).
João Moutinho, especialista em aviação, explica a estratégia de outra forma: "A Ryanair tem que crescer como todas as empresas para fazer face aos custos fixos."
Com a ligação a Faro a companhia consegue reduzir os custos fixos, "aproveitando os aviões que estão disponíveis na rotação e ocupando melhor cada um deles". À semelhança de qualquer outra companhia, a Ryanair começa, diz João Moutinho, a debater-se com "custo de idade e dimensão" - os primeiros causados pela antiguidade dos quadros, os segundos com "práticas que se vão sedimentando e nem sempre são as mais eficientes".
O especialista defende que a estratégia da ‘low cost' irlandesa não pode ser dissociada da intenção de "alimentar os seus próprios voos a partir do Porto", principalmente quando a Ryanair continua de olho no mercado da Galiza. "Estão a olhar muito para o mercado do norte da Galiza que está mais perto do Porto do que de Madrid", conclui João Moutinho.
[Esta notícia foi publicada na integra no diário económico de dia 24 de Outubro]
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