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O primeiro semestre de 2010 foi marcado por uma ligeira retoma do segmento da habitação.
Os preços subiram em relação ao final de 2009, principalmente no último mês de Junho. Contudo, os agentes do mercado imobiliário alertam que os valores estão abaixo do praticado nos anos anteriores, quando o sector estava em alta. Saiba, ponto por ponto, o que de mais relevante marcou os primeiros seis meses do ano.
Preços sobem por causa das reabilitações
Para Miguel Bacalhau, director do departamento de estudos da Aguirre Newman, os preços por metro quadrado (m2) subiram cerca de 5% devido aos novos projectos de reabilitação que têm surgido nas zonas nobres e centrais da cidade.
Número de casas vendidas pode ter subido
Mesmo não havendo, ainda, estatísticas do número de casas vendidas, o Banco de Portugal revela um aumento do valor do crédito concedido nos primeiros meses do ano. Este valor pode siginificar que as casas que se venderam foram as mais caras e não que se venderam mais casas que no primeiro semestre de 2009, mas os agentes imobiliários acreditam na retoma - contudo, mais uma vez, nada comparado com as vendas dos anos anteriores. A verdade é que o acesso ao crédito continua difícil. Não só a banca empresta menos dinheiro, como também pratica ‘spreads' mais altos, para colmatar o facto de comprar o dinheiro mais caro lá fora.
Arrendamento dispara
Em consequência, o mercado de arrendamento ganhou uma enorme expressão no primeiro semestre. Na Century 21, por exemplo, fizeram-se arrendamentos em 24 horas. De acordo com Miguel Bacalhau, as razões para esta situação são "a descida nos ritmos de vendas", a dificuldade de obtenção de crédito e o facto de se exigir uma maior mobilidade territorial como factor preferencial para arranjar emprego. Ricardo Guimarães, director do Confidencial Imobiliário, diz, no entanto, que as rendas estão a baixar, "o que significa que o arrendamento pode estar a tornar-se menos atractivo".
Menos casas em construção
Segundo os dados do Confidencial Imobiliário, o número de projectos licenciados no primeiro trimestre de 2010 caiu 22% em relação ao último trimestre do ano passado. Quer isto dizer que tem havido cada vez menos intenções da parte dos promotores em lançar novos projectos. Ainda de acordo com o Confidencial Imobiliário, também as obras em casas já existentes caíu, tanto em relação ao trimestre anterior (menos 21%) como em relação ao primeiro semestre de 2009 (menos 50%).
Retrato do primeiro semestre...
832 €
É o valor do crédito à habitação concedido por mês, nos primeiros cinco meses do ano. No total, foram concedidos 4.161 milhões.
4%
Foi quanto terão caído os preços das casas em Portugal no primeiro semestre de 2010 em relação ao final de 2009.
18 meses
É quanto demora, em média, vender uma casa nova em Lisboa, diz o Confidencial Imobiliário - as usadas demoram 17 meses.
11.300
São as habitações que há para arrendar em Lisboa. No final de 2009 havia 13 mil e em 2005 eram apenas 3.200 casas.
4.500
É o número de casas que há para arrendar no Grande Porto, sendo que o Porto e Matosinhos são as zonas com mais oferta.
E estimativas para o segundo semestre em números
2 a 3%
É o ‘spread' praticado actualmente no crédito à habitação. A taxa de juro está em 1,1% e o BCE só deverá alterá-la no 1º trimestre de 2011.
700 €
Com estes ‘spreads', uma ‘renda' mensal de 700 euros já só paga uma casa de 130 mil euros - antes dava para uma de 150 mil.
480 mil
É o número máximo possível de casas que estão à venda em Portugal. Há quem aponte um volume de 350 mil imóveis.
500 €
É a média das rendas pagas por mês em Lisboa. O arrendamento continua a crescer, mas há procura a mais para a oferta.
5 a 10%
Quem tem a casa à venda está disposto a baixar os preços entre 5 a 10%, diz o director-geral da ERA, Miguel Poisson.
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