Vamos imaginar uma economia de um País fictício cuja produção anual se resume a duas bananas. Chamemo-lo a República das Bananas.
Cada banana custa 2 euros, logo o PIB desse país são 4 euros (preço vezes a quantidade de bens e serviços produzidos no País). Até um dia em que alguém, cheio de boas intenções e de boas ideias, como no filme ‘Bananas' de Woody Allen, resolve candidatar-se à presidência do País. E para ajudar o seu povo, o candidato à presidência promete aumentar a riqueza do País, e pede ao BCRB - o Banco Central da República das Bananas - para imprimir mais 4 euros de moedas. Todos ficam momentaneamente mais felizes já que a economia terá mais dinheiro. O que o benemérito líder político não contava era que o preço da banana passasse de 2 para 4 euros. Claro está que o senhor nunca de ouviu falar de inflação.
Esta história vem a propósito das declarações feitas no Parlamento por António José Seguro que, com toda a legitimidade, veio defender que o BCE_passasse a financiar directamente os países do Euro. O líder do PS mostrou-se indignado com o facto de o BCE emprestar dinheiro à banca comercial a 1%, quando o Estado português é obrigado a pagar muito mais para ter acesso ao financiamento. Sacou da calculadora e fez as contas: "Segundo os dados do Governo, estamos a falar num serviço de dívida de 7,3 mil milhões e se os juros forem pagos a 1% estamos a falar de dois mil milhões. Ou seja, estamos a falar numa poupança de cinco mil milhões".
Confesso a minha ignorância de não ter percebido as contas feitas pelo líder socialista. Os créditos passados, privados e os da ‘troika', passavam a ter retroactivamente uma taxa de 1%? E por que é que o BCE nos emprestava a nós e aos outros países a 1%? E por que não a 0,5%? Podíamos dar as nossas bananas da Madeira como colateral? E que tal se o BCE fosse mais amigo e simplesmente nos desse o dinheiro a fundo perdido?
Pedir ao BCE para pôr a rotativa a trabalhar não é solução para sair da crise. O mandato principal do Banco Central, com reminiscências da hiperinflação na República de Weimar, é preservar o poder de compra do euro, assegurando assim a estabilidade de preços. E quando o BCE empresta dinheiro aos bancos é precisamente para dar liquidez à economia, sendo que alguns deles até usam o dinheiro para financiar os estados-membros através de compra de dívida pública.
O que não se percebe, e aqui concordo com António José Seguro, é por que razão numa região onde dois países (Alemanha e Portugal) partilham a mesma moeda, um paga 0,209% para comprar essa moeda e ao outro é-lhe exigido 7,5% para adquirir essa mesma moeda com prazo a três anos, a maturidade mais longa que o BCE empresta dinheiro aos bancos a 1%. Que venham as Eurobonds, caso contrário a zona euro ainda se transforma numa República das Bananas.
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