Os leitores online do Económico votaram massivamente em Miguel Relvas no inquérito de ‘pior ministro do Governo’, uma escolha que não surpreende, mas revela muita coisa.
Especialmente porque é que, em pleno Verão Quente, Pedro Passos Coelho não pode despedir o seu ministro-adjunto e está nas mãos do seu ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
As votações online não são notícias, nem têm a ambição de sê-lo, são inquéritos ‘vox populi', valem aquilo que quisermos que valham. E normalmente, são desvalorizados quando as votações não são de feição, ou são barómetros imunes a manipulações quando vão ao encontro de interesses e desejos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, nem são lixo, nem são ouro. Têm um significado e um mérito, neste caso políticos, que devem ser lidos de forma cuidada, porque são uma expressão popular. E por isso não devem ser substimados. É isso mesmo que revelam quando, durante uma semana, milhares de leitores votaram em Miguel Relvas como ‘o pior ministro do Governo'. Os sucessivos casos em que se viu envolvido, tarde e mal-explicados, a que se somou o anedotário nacional que, como um vírus, alastrou nas redes sociais e foi amplificado pela comunicação social, teria de dar o resultado que deu.
Se Miguel Relvas é ‘o pior ministro', porque é que Pedro Passos Coelho não o demite? Ainda não sabemos como é que Pedro Passos Coelho gere as remodelações governamentais, o que valoriza, o que tem em conta na avaliação dos seus ministros e secretários de Estado. Mas, à luz desta votação, sabemos uma coisa: Relvas é o pára-raio do primeiro-ministro, não é só o homem de confiança que contribuiu decisivamente para a sua chegada ao poder. Além disso, os portugueses responsabilizam Pedro Passos Coelho pelas políticas e pelos resultados. E poupam os ministros, que são transformados em ajudantes, na velha expressão de Cavaco Silva. Mesmo Nuno Crato e Paulo Macedo, que têm estado expostos a uma pressão alta de duas corporações - professores e médicos - basicamente por emprego e salários ficam muito longe das votações de Miguel Relvas e, logo a seguir, de Passos Coelho. Assim, se sai Relvas, Passos passa a ser o pára-raio de Passos. Insustentável para qualquer primeiro-ministro.
Se Passos não pode dispensar Relvas, está nas mãos de Vítor Gaspar. O ministro da austeridade foi o menos votado, logo, é o melhor ministro deste Governo. Especialmente porque o inquérito é no site de um jornal económico - www.economico.pt - e os leitores são mais informados do que a média do País. Gaspar não está em estado de graça, mas tem um estado de graça. É credível na austeridade, mas deixará de o ser se os resultados não aparecerem.
A remodelação do Governo, arrisco sem recurso a votação online, será feita em Setembro, depois da revisão do acordo com a ‘troika', ou Novembro, depois da aprovação do Orçamento para 2013. Em qualquer dos momentos, a decisão do primeiro-ministro terá também em conta o vox-populi dos inquéritos online.
____
António Costa, Director
antonio.costa@economico.pt
Comentários
Publicidade
Acções do PSI 20
Divisas
A tecnologia que muda a internet. Realtime
Última Hora
Comunidade
- Honda Civic 1.6 é o mais económico da família 16:45
- Seguro quer Estado a entrar no capital de empresas "sem gastar um cêntimo" 15:31
- Seguradoras com oferta integrada para empresas 15:26
- Jardim diz que vai ao Conselho com "sensação de impotência" 14:41
- Combustíveis voltam a subir a partir de amanhã 13:19




