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Crise

Reino Unido absteve-se no pagamento da tranche a Portugal

Luís Rego em Bruxelas  
11/10/12 00:05


Londres decidiu não apoiar o desembolso. É a primeira vez que o faz na crise do euro.

É conhecida como a ‘mais velha aliança do mundo', a que une Portugal a Inglaterra, mas serviu de pouco na terça-feira no Luxemburgo. O Reino Unido saltou fora do acordo para conceder a Portugal um crédito, que lhe permite honrar pagamentos no quadro do resgate de 78 mil milhões. Uma decisão que não tem quaisquer consequências em termos do desembolso mas que tem algum significado político.

Quando a União Europeia decidia soltar uma tranche de dois mil milhões de euros, relativa ao fundo de resgate gerido pela Comissão Europeia (MEEF), o ministro inglês, George Osborne, absteve-se em sinal de protesto por, alegadamente, não ter sido devidamente consultado no procedimento que precedeu a votação. O ligeiro atraso na consulta aos Estados-membro para o desembolso desta parte da tranche foi da responsabilidade do Governo português, porque reabriu do acordo inicial da ‘troika' para rever a medida da TSU, recorda a Comissão Europeia. De qualquer forma foi a primeira vez que o Reino Unido não apoiou o desembolso por parte da Comissão Europeia a um país resgatado, dentro ou fora da zona euro.

"Foi uma espécie de birra", explicou uma fonte comunitária que acompanhou o debate, adiantando que "é apenas lamentável que ocorra com um país com tantos laços". Osborne terá deixado claro que o Reino Unido "está muito impressionado com o que Lisboa está a fazer, apesar dos enormes desafios que enfrenta", explica uma outra fonte presente no encontro. A fatia correspondente ao Reino Unido, nos 22,5 mil milhões de euros do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF), o tal gerido pela Comissão e garantido pelo Orçamento Comunitário, é maior que a da maioria dos Estados do euro, ainda que seja de forma indirecta e apenas uma garantia. E, por isso, Londres reclama que a utilização desses recursos siga rigorosamente os procedimentos de informação. Desta vez, o Reino Unido diz não ter sido "consultado" e apenas soube do assunto na reunião do comité económico e financeiro na semana passada, e não previamente como é hábito.


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