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As quedas de notação atribuída à dívida soberana de vários estados Europeus no início da semana e o sucesso dos vários leilões de colocação de dívida na Europa, constituíram os principais factores de mercado na semana passada.
Esta semana aguarda-se a revisão em baixa do cenário de crescimento pelo Fundo Monetário Internacional, relembrando aos líderes Europeus que o principal problema na origem da crise poderá estar a ser subestimado - o do crescimento económico. Ainda a reunião da Reserva Federal, que poderá indicar o prolongamento dos actuais níveis das taxas de intervenção até finais de 2013. Finalmente, poderá estar próximo o acordo final entre o Governo grego e os credores privados (PSI), facto que a concretizar-se, retiraria um factor de incerteza significativa do mercado, suportando um ambiente de menor aversão ao risco.
Apesar da tensão que ainda persiste no mercado interbancário, onde o grande interlocutor passou a ser o Banco Central Europeu, as medidas de concessão de ampla liquidez ao sistema financeiro pela autoridade monetária têm possibilitado alguma tranquilidade e sinais mais animadores, nomeadamente no que diz respeito à forma como decorrem os leilões de dívida soberana. Os mercados financeiros mostram-se menos turbulentos, tendo diminuído a aversão ao risco. Na Zona Euro, a França e a Espanha, apesar do corte de rating pela Standard & Poor's, financiaram-se a taxas de juro mais baixas que em colocações similares anteriores e registaram uma procura superior aos montantes indicados pelas autoridades. O Tesouro português colocou, com sucesso, três emissões de Bilhetes do Tesouro a 3, 6 e 11 meses, tal como tinha anunciado no seu programa de financiamento para 2012. O montante total colocado foi de 2.5 mil milhões de euros e a procura superou em 4.1 vezes a oferta. Não obstante, o prémio de risco exigido à dívida pública continuou a agravar-se, reflectindo a revisão em baixa da classificação de risco da República e a incerteza quanto ao sucesso na negociação do PSI da dívida pública grega.
Entretanto, os indicadores económicos continuam a pautar-se genericamente pela positiva, contrariando o pessimismo recente, algo enraizado. Nos EUA, destacou-se a queda dos pedidos de subsídio de desemprego, aproximando-se de patamares indicativos da proximidade de uma melhoria expressiva no mercado de trabalho; a este respeito importa referir que essa eventual melhoria poderá não se traduzir totalmente no consumo privado, pois há indícios de uma significativa contenção salarial, sobretudo ao nível das novas contratações. Na zona euro, o destaque vai para o indicador de sentimento económico ZEW de Janeiro, na Alemanha, que verificou a maior recuperação de sempre, tendo passado de -53.8 para -21.6. As recentes medidas do BCE e os últimos sinais económicos germânicos influenciaram as expectativas de investidores e analistas que contribuem para o cálculo deste índice. Em Portugal, salienta-se o encolhimento em 32% das necessidades líquidas de financiamento externo (Balança Corrente e de Capitais) nos primeiros 11 meses do ano, de acordo com dados publicados pelo Banco de Portugal. Esta boa notícia surge graças à redução do défice da balança de bens, aumento do excedente dos serviços e melhoria da Balança de Capitais, mais que compensando a deterioração da Balança de Rendimentos. De referir ainda a queda do crédito ao sector privado pelo sexto mês consecutivo, em Novembro, reflectindo-se na queda do crédito global 2% y/y, embora o financiamento às Administrações Públicas tenha aumentado 54% no mesmo período. Ambos os indicadores apontam para o progresso na redução dos principais desequilíbrios da economia portuguesa, reduzindo o endividamento e a dependência do financiamento externo.
Esta semana, na reunião da Reserva Federal, para além das previsões macroeconómicas, serão incluídas pela primeira vez estimativas para a taxa dos fed-funds, atribuindo-se alguma probabilidade a que o período de taxas próximo de zero se prolongue até finais de 2013. Adicionalmente o Fundo Monetário Internacional deverá publicar as previsões intercalares, apresentando uma actualização do cenário macroeconómico para as maiores economias mundiais. Segundo a imprensa, a previsão de crescimento mundial deverá descer para 3.3%, face a 4% no WEO de Setembro, não constituindo surpresa; a principal novidade será a acentuada revisão em baixa do cenário de crescimento na UEM, antecipando o FMI uma recessão em 2012 e 2013 em Espanha e Itália (mais profunda) e revendo a previsão para o conjunto dos estados para -0.5% face a 1.1% anteriormente.
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