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O ex-ministro das Finanças diz que a conjuntura portuguesa é "realmente muito difícil".
"A situação do país é realmente muito difícil, mas temos de pensar agora o futuro. Tenho vindo a alertar para esta situação como uma situação possível e ela materializou-se infelizmente para todos nós", disse à agência Lusa o economista Campos e Cunha, à margem da conferência Talento - Uma Agenda para Portugal, organizada pela SEDES, que preside.
Questionado sobre as consequências da eventual reestruturação da dívida soberana, Campos e Cunha considerou que isso "significa um custo de reputação a longo prazo para o país e que seria terrível", lembrando que "a última vez que isso aconteceu foi em 1891".
O ex-ministro das Finanças, durante o primeiro mandato de José Sócrates, sublinhou que Portugal está "a viver um período particularmente difícil" e a sociedade civil necessita estar organizada, e fazer pressão para reformar o poder político.
"A reforma do poder político vai ser feita pelos partidos, que são os pilares da democracia. Se os partidos não funcionam bem, a democracia também não. Temos todos essa consciência de que alguma coisa tem de mudar no funcionamento da nossa democracia", disse.
Campos e Cunha frisou que os partidos são uma área "onde a pressão exterior da sociedade civil é muito importante para que se reformem" e destacou que a emigração cada vez maior de jovens portugueses para o estrangeiro "é uma dura perda" para o país.
"Temo pelo ambiente que se está a viver e que se perspectiva nos próximos tempos, que essas pessoas não voltarão. A maior parte deles provavelmente já não voltará e isso é uma perda especialmente se estes números se tornarem a regra e não a excepção", afirmou o economista.
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