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Cada uma nasceu para reinar mas competem todas em territórios diferentes. Conheça a história e principais características destes sites.
A chegada ao posto de trabalho, todos os dias, é recheada de rotinas. Se houver um computador por perto, a primeira será ligá-lo. Depois, se tiver acesso à Internet, é provável que não se resista à tentação do ‘login' nas redes sociais, com uma urgência tal que até pica nos dedos.
Mas não há que temer nem atribuir culpas. Como qualquer objecto de desejo, as redes sociais sabem cativar quem as visita e, por norma, é amor ao primeiro clique. Como se de um menu de restaurante se tratasse, têm os condimentos necessários para alimentar os interesses de cada um.
A primeira rede social identificada como tal surgiu em 1997. Chamava-se "Sixdegrees" e permitia o registo de um perfil virtual e a publicação de uma rede de contactos.Nos anos 2000, esta rede pioneira acabava por falta de financiamento, mas o mote estava lançado e plataformas como "Live Journal", "Blackplanet" ou o mais popular "Fotolog" sucediam-se, ainda que a grande maioria sem qualquer expressão em Portugal.
Hoje, Facebook, Twitter, Google+, Linkedin e agora o Pinterest - a rede que mais cresceu este ano, em todo o mundo - são das mais populares. Por cá, a rede social inventada por Mark Zuckerberg já superou os 4,37 milhões de utilizadores e só nos últimos seis meses este valor subiu cerca de 5%, fazendo de Portugal o 38º país da lista com maior índice de penetração da rede (mais de 40%) na população total - segundo o site ‘socialbakers.com'.
A popularidade que as redes atingem justifica-se, se não por serem terapêuticas para muitos, pelo facto de cada uma delas ter um propósito específico ajuda. Por exemplo, o Twitter é uma plataforma de "microblogging", o Pinterest assume-se como um ‘pinboard' (ou quadro visual) e o Linkedin é profissional.
Mas, se é legítimo que se coroe o Facebook como rei das redes sociais, tendo em conta o seu número de "súbditos", hoje mais que nunca o ditado "amigos, amigos, negócios à parte" faz sentido. A entrada atabalhoada da rede social mais famosa do mundo em bolsa provou isso mesmo.
Apesar dos muitos milhões de amigos espalhados um pouco por todo o mundo, Zuckerberg percebeu que, mais do que uma boa tirada para ‘posters' cinematográficos, a frase "Não se fazem 500 milhões de amigos sem ganhar alguns inimigos" já começa a dar prejuízo. Dois meses depois da entrada do Facebook no mercado de capitais, o balanço é negativo: as perdas rondam os 27,7% e, em termos de capitalização bolsista, vale hoje menos 21,1 mil milhões de dólares do que no dia de estreia. Isto até à hora de fecho desta edição, uma vez que a empresa ia apresentar os seus resultados dentro de umas horas. Segundo disse ao DE Brian Wieser, analista financeiro do Pivotal Research Group, "a acção [do Facebook] já está no preço-alvo onde o valor por acção atinge o preço justo".
Neste caso, a elevada expectativa em torno do potencial de mercado da empresa acabou por provocar um gigante ‘dislike' nos investidores e causou um efeito inesperado na bolsa de valores, um "ruído" que Wieser não acredita que afecte os utilizadores. "As pessoas utilizam o Facebook por razões muito pragmáticas. Este ruído em torno do IPO não deverá afectar os seus ‘users'", adiantou.
Redes têm impacto económico, social, político e emocional
Mas, apesar de a crise ter tomado de assalto o nosso dicionário, o impacto económico das redes sociais não é, de longe, o que mais consequências parece ter na vida dos utilizadores. A nívelsocial e mesmo político também se encontram exemplos, como quando as redes sociais foram o fio condutor das revoluções que implodiram no mundo Árabe, em 2011, ou quando, já em 2012, o Twitter começou a servir de campo de batalha para a conquista de fundos para as campanhas de Mitt Roomney e Barack Obama, nas eleições norte-americanas.
Mas afinal, o que justifica a ligação quase embrionária com os ‘likes', ‘pins' ou ‘follow' ? Para Madalena Lobo, directora da Oficina da Psicologia, "de um ponto de vista mundial e não exclusivo português, podemos dizer que as redes sociais vão ao encontro de uma necessidade humana fundamental: a do contacto interpessoal e sociabilização".
"Em tempos de forte aceleração de ritmo moderno e de fragmentação familiar, aos quais se acrescenta a crise financeira, impeditiva de oportunidades para estar com outros - jantares, festas, saídas - , as redes sociais vão adquirindo uma importância crescente como espaço de sociabilização de eleição". "Ampliam a nossa necessidade de sermos ouvidos e de buscarmos uma compreensão para temas" e, segundo a mesma especialista, permitem "um ‘feedback' imediato e inequívoco sobre a aceitação do que se diz - a reactividade em comentários, os ‘likes', as partilhas, as notações, como ‘smiles' ou corações".
Para a psicóloga, "tudo nos diz a aceitação que estamos a ter junto dos outros. Sendo esta uma das motivações humanas mais importantes, este ‘feedback' permite uma redução da ansiedade que a ambiguidade das relações humanas comporta. O facto de irmos criando círculos sociais com os quais nos identificamos ajuda-nos igualmente a sentirmo-nos suportados de uma forma mais forte do que aquela que é possível com a fragmentação de contactos do dia-a-dia".
Por ser demasiado novo, o fenómeno não produziu ainda resultados fiáveis do ponto de vista científico, mas a curiosidade está instalada no meio clínico e é possível que, em breve, as redes sociais sejam tema de conversa no divã.
Pinterest: a que mais cresce
Mas se o Facebook é rei, o Pinterest ganha um título honorário nesta história. A justificá-lo há vários números: nos primeiros cinco meses do ano cresceu 749% na América Latina; entre Maio de 2011 e Janeiro de 2012, o seu uso disparou 50% em França, 79% no Reino Unido, 794% em Itália, 1348% em Espanha e 2956% na Alemanha, segundo dados do site ‘comScore' - que não tem valores para Portugal.
A rede social criada nos EUA em 2010 tem um mural virtual onde os ‘pinners' (utilizadores) partilham os seus gostos, categorizando-os por imagens, vídeos ou infografias, sobre moda, gastronomia, arquitectura, fotografia ou música. A rede social que, ao contrário do Facebook, tem maior adesão com o público feminino, já tem, inclusive, a sua antítese: o "Dudepins", uma rede social idêntica que, em vez de imagens de decoração, paisagens, moda, arte ou inspirações, prioriza imagens de desportistas, automóveis ou de bens de consumo masculinos.
O fenómeno das redes sociais é meteórico e não parecem haver indícios de que a sua rota vá abrandar. Aliás, arriscamos até dizer que há mais duas ou três novas redes a nascer e perto de se tornarem tendências, no tempo que demorou a ler este artigo.
O que eles pensam (mesmo) sobre as redes sociais
- Nas suas veias poderia correr sangue azul, não porque tem ascendência real, mas porque está intimamente ligado ao Facebook. Para o publicitário Edson Athayde, o que a rede tem de melhor é a "proximidade, mesmo que virtual, com pessoas que já gostamos ou com quem descobrimos afinidades" e "de poder entabular uma ‘conversa sem fim' com interlocutores indefinidos".
- Assume-se como "quase um sócio-fundador" por isso são poucos os defeitos que atribui ao Facebook. Apesar de considerar que também oTwitter ou o Pinterest são redes "simpáticas" e "úteis" para quem trabalha em publicidade, não têm "a potência necessária" para o fazer sair do Facebook. Admite também que dá muito trabalho alimentar a rede diariamente.
- Inês Fontoura fez "pin" imediato quando no final de 2011 uma amiga lhe deu a conhecer a rede social visual. Oque mais a cativa no Pinterest é o facto de poder "guardar imagens que interessam e a origem das mesmas". "Quantas vezes vemos algo que gostamos, não escrevemos em lado nenhum e depois vemo-nos gregos para encontrar?", questiona.
- Falar sobre o Pinterest é fácil. Apontar-lhe defeitos é que nem por isso, para a especialista em comunicação. "Até agora não encontrei nenhum defeito e eles fizeram um ‘update' há pouco tempo. Eu vejo o Pinterest como um arquivo de imagens que encontro na Internet e que de alguma maneira quero guardar. Um arquivo de ideias, inspirações".
- A resposta à pergunta sobre qual é a rede social favorita de Nuno Markl veio com pontos de exclamação de entusiasmo. "O Twitter é quase uma forma de arte. A limitação de caracteres estimula a que se seja certeiro e interessante. É perfeito para humoristas testarem material. É uma loja ‘gourmet' das redes sociais, por oposição ao gigantesco hipermercado que é o Facebook".
- Descobriu o Google+ recentemente e gostou do viu. "Parece ser o elo perdido que junta o que de melhor têm o Facebook e o Twitter", mas "acaba por ser um brinquedo inútil, se não houver mais meninos com quem brincar". Crítico do Facebook e em particular da nova ‘timeline', identifica várias "lacunas" e "'bugs' tenebrosos" para a ‘app' do iPhone.
Trabalho publicado na edição de 27 de Julho de 2012 do Diário Económico
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