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As instalações do BPP no Porto foram vendidas no final do ano passado.
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Comissão liquidatária pretende “recuperar o valor patrimonial” dos bens que vão ser leiloados.
O recheio das instalações do Banco Privado Português (BPP) no Porto foi posto a leilão. No total, são 1.312 os objectos que estão à venda e que compõem os 250 lotes a ser leiloados na próxima sexta-feira e Sábado, no Centro de Leilões em Cascais.
No entanto, é possível começar desde já a licitar desde candeeiros de pé a destruidoras de papel, passando por mesas, cadeiras, floreiras, cortinados, tapeçarias ou estantes. Até o candeeiro de cristais que iluminava os corredores do banco que faliu em 2010 está a leilão. Muitas da peças apresentadas têm um preço de venda ao público superior a 1.000 euros, segundo a ‘Oportunity Leilões', a leiloeira responsável pelos lotes. Os bens a licitar estão disponíveis na internet, no site dessa mesma empresa, com quem o BPP fez o acordo de venda dos objectos (www.oportunityleiloes.com).
Segundo Manuel Mendes Paulo, vogal da comissão liquidatária do BPP, "as expectativas [para este leilão] são de que seja recuperado o valor patrimonial que consta nos livros do banco", revelou o responsável ao Diário Económico. "Não estamos a falar de um património elevadíssimo.
Estamos a falar de um valor inferior a 50.000 euros, e é claro que existe uma ou outra peça mais caras. Mas não é significativamente relevante", referiu ainda Mendes Paulo, notando que leiloar os objectos evita despesas de armazenamento ao mesmo tempo que se dá utilização a "material de escritório que começa a ficar desactualizado e que perde valor".
A base de licitação de todos os objectos colocados em leilão é de um euro, sendo que todos os bens já contam com diversos lances e alguns já registam ofertas superiores a 500 euros, segundo o site da leiloeira.
Edifício foi posto à venda em Novembro
Recorde-se que o edifício onde funcionava o BPP no Porto, e cujos bens estão agora a leilão, foi posto à venda em Novembro, pelo Ministério das Finanças, no processo de execução de uma dívida associada ao financiamento dado ao banco, antes da sua falência. Os bens móveis que decoravam o edifício, no entanto, "continuam a ser pertença do BPP", explicou Mendes Paulo.
Em 2010, o Estado foi forçado a pagar ao sindicato bancário que financiou o BPP quando este entrou em dificuldades. O caso começou em 2008, quando CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta e Crédito Agrícola financiaram o banco em 450 milhões de euros, com garantia do Estado. Este, por sua vez, ficou com contra-garantias de cerca de 672 milhões de euros. Quase 80% dos activos dados então em garantia eram descobertos bancários e direitos de crédito.
Depois de falhadas várias tentativas para salvar o banco, o BdP retirou-lhe a licença em Abril de 2010. A falência do BPP levou os seis bancos em causa a executar o aval estatal.
Edifício portuense vendido por 3,5 milhões
O Ministério das Finanças recebeu 218 propostas pelo edifício na zona mais nobre do Porto, que foi vendido no final do ano passado pelo valor de 3,5 milhões de euros. "o correspondente ao valor da proposta de valor mais elevado, de entre as 218 apresentadas", revelou na altura o Ministério das Finanças ao Diário Económico.
O edifício em causa tem três pisos, 15 divisões e conta com uma área bruta de mais de dois mil metros quadrados, na zona da Foz, numa das avenidas mais caras e mais exclusivas da cidade do Porto.
As instalações do BPP na cidade invicta foram palco de alguns dos mais dramáticos protestos dos clientes do BPP, que as chegaram a invadir e ocupar por longos períodos, o que também aconteceu na sede de Lisboa, antes da liquidação da instituição.
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