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O eurodeputado Paulo Rangel vai enviar hoje um pedido de esclarecimento formal ao presidente do Parlamento Europeu, na sequência das críticas de Martin Schulz à visita do primeiro-ministro a Angola para atrair investimento.
"O presidente de uma instituição europeia não pode fazer uma crítica à política externa portuguesa", afirmou Paulo Rangel à agência Lusa, sublinhando que "Portugal é, há nove séculos, um Estado independente e há cinco séculos que tem relações privilegiadíssimas com os cinco continentes, designadamente com os espaços em que se fala a língua portuguesa".
O presidente do Parlamento Europeu criticou, num debate gravado em vídeo e hoje noticiado pelo jornal Público, a visita-relâmpago que o primeiro-ministro português fez em novembro a Angola, na qual admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.
"Passos Coelho apelou ao governo angolano a que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da UE", disse Martin Schulz.
Embora admita que as críticas do presidente do Parlamento Europeu tivessem um caráter exemplificativo, "procurando dar a entender que a Europa não está a fazer tudo o que devia e isso faz com que os países tenham de procurar soluções noutros continentes", o eurodeputado referiu não compreender a "facilidade com que se fala sobre a diplomacia portuguesa e das suas prioridades".
Por isso, Paulo Rangel, eleito pelo PSD, vai apresentar ainda na manhã de hoje um pedido formal de esclarecimento. "Aquilo que eu vou fazer esta manhã - aliás dentro de momentos - é apresentar ao presidente Martin Schulz um pedido formal de esclarecimento. Vou pedir que ele esclareça qual o sentido das suas afirmações, explico as prioridades da política externa portuguesa - que ele, aliás, conhece", revelou Paulo Rangel.
"Não é institucionalmente correto que o presidente do Parlamento Europeu, enquanto tal, possa produzir esse tipo de declarações", acrescentou. Para o eurodeputado português, existe hoje "um certo facilitismo na forma como se fala da política externa portuguesa", quer por parte de dirigentes de países europeus, quer pelas instituições europeias.
"Isto tem a ver com uma crise de confiança. Um dos problemas da crise europeia é que se criou uma desconfiança, um ressentimento entre as opiniões públicas e entre os dirigentes dos vários países", concluiu.
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