De acordo com as oposições, este Governo é o mais “radical” e “ideológico” desde o 25 de Abril. É acusado ainda de “estar muito à direita” e de prosseguir uma agenda “neo-liberal” (seja ela o que for porque ainda não vi alguém definir “neo-liberalismo”), não gozando de um “mandato eleitoral” para o fazer.
Antes de mais, confesso que não descortino uma agenda "ideológica", e muito menos "radical", na actuação do Governo. O PSD continua, no essencial, a ser o que sempre foi: um partido de poder pragmático, mais ou menos de centro-direita, procurando misturar social-democracia com liberalismo. Quanto ao CDS, é necessário recuar à segunda liderança de Freitas do Amaral, para o encontrar tão ao "centro" como hoje. Tornou-se também um partido de poder, responsável, institucional, moderado e, de um modo inteligente, bastante próximo do Presidente da República.
Quanto à sua acção, é um Governo de salvação nacional que está a fazer o que pode e o que é necessário, e de um modo muito pragmático. Passou apenas meio ano mas, tendo em conta a fraqueza da memória nacional, convém recordar o estado em que o governo encontrou o país. Se não tivesse sido a ajuda financeira da União Europeia e do FMI, o país teria chegado à falência. Se hoje Portugal tem dinheiro para pagar aos médicos dos hospitais públicos, aos professores das escolas públicas, e para garantir as pensões, deve-o ao empréstimo que recebeu. Ou seja, é o "dinheiro da troika" que garante o Estado social português.
Os governos socialistas deixaram a soberania nacional nas mãos dos mercados, a sustentabilidade financeira do Estado a depender de um empréstimo externo e a participação no Euro em risco. E é o futuro do país no euro que está em jogo. É a questão essencial. Mesmo que o governo quisesse ser "ideológico", não o poderia ser. Quando se governa em tempos de emergência, não há condições para agendas ideológicas. O facto das esquerdas considerarem como "ideológicas" as medidas necessárias para manter Portugal no euro, só mostra como ainda não perceberam o que significa e como funciona a União Monetária (o que também explica o desastre da última governação socialista).
A continuidade no euro é muito mais do que manter uma moeda comum. Significa preservar a decisão estratégica mais importante feita pelo Portugal democrático: a sua integração plena na Europa. Não haja dúvidas: se não formos capazes de continuar no euro, é a democracia portuguesa que fica em causa. A incapacidade de garantir uma economia estável e próspera afecta de um modo muito sério a legitimidade das democracias. Neste sentido, é verdade que o Governo tem um objectivo ideológico, e o mais nobre de todos: salvar a legitimidade da democracia portuguesa. E, como é óbvio, tem o mandato político para o fazer.
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João Marques de Almeida, Professor universitário
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"Amo-vos..." disse o pinóquio aos labregos, e pôs-se ao fresco...
Boa tirada Pedro.
O que é mais triste é que não tenham a coragem de defender as ideias que têm e identificar os inspiradores!!!
Lamentável a todos os titulos e diz bem o tipo de ideologia que é!!!
johnny,
relativamente ao corte dos subsídios para a fp tem razão, embora eu saiba que é uma desculpa usada frequentemente neste país pelos nossos politicos, existia tb uma divida superior ao que se pensava ( exe: madeira ). agora apresente-me uma medida que tenha sido feita e não acordada no memorando de entendimento com a troika. É que johnny, a partir do momento em que pedimos ajuda foi o sinal de que já não tinhamos dinheiro sequer para fazermos o pagamento de salários e pensões, o que seria bem pior do que o tal corte nos subsidios , ou não ?
por isso não percebo essa do haircut, ou cumprimos ou então não há $ , infelizmente é tão simples como isto. podemos é eventualmente tentar prolongar os prazos para o pagamento do empréstimo. agora que temos que cumprir com aquilo a que nos comprometemos é uma evidência, ou tb pensa que a divida é uma coisa que não se paga ?
caro nonio,
aconselho-o a ver o discurso do nosso actual pm antes das eleições e após e diga-me se ele está a cumprir com aquilo que prometeu, como não está, não tem legitimidade democrática, isto para mim é simples. ah e o incumprimento é uma alternativa como outra qualquer, a grécia já acordou o haircut da dívida após estes apoios da troika, isto chama.se incumprimento e não ficaram pior nem melhor por causa disso.
Pois Johnny,
"é cumprir com a vontade do eleitorado", e não foi isso que aconteceu ?
"não aplicar um programa que nos é imposto", mas foi assinado pelo PS.
"existem sempre alternativas", a alternativa seria talvez a bancarrota ?