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Finanças Pessoais

06 Jul 2010

Quer comprar um carro em segunda mão?

Catarina Melo
Quer comprar um carro em segunda mão?

Um carro usado pode ser uma alternativa compensadora mas também pode transformar-se num desastre financeiro.

"Não sei viver sem carro". Quase de certeza que já disse, ou pelo menos já ouviu, esta expressão. A mobilidade durante a semana de trabalho, nas deslocações da família e nos momentos de lazer, transformaram o carro num bem indispensável para muitas pessoas. Mas a aquisição de um automóvel novo não é acessível a todos os bolsos. Já outras pessoas assustam-se com a forte desvalorização que os carros sofrem logo à saída do ‘stand' e nos anos que se seguem. Em média, uma viatura nova perde entre 15% e 25% do seu valor, por ano. Face a este cenário, em alguns casos a compra de um carro usado acaba por ser a solução mais atractiva.

Contudo, a aquisição de um veículo usado tem muito que se lhe diga. Passou pelas mãos de outras pessoas e já tem uma rodagem associada, em condições que se desconhecem na maior parte das vezes. Neste sentido, e para que esteja mais alerta quando estiver à procura de carro em segunda mão, deixamos alguns conselhos sobre onde comprar e como escolher.

Em Portugal, cerca de 300 mil automóveis usados trocam de mãos todos os anos. Segundo Hélder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), isto equivale a aproximadamente 1,5 vezes o número de viaturas novas comercializadas. Num mercado com tanta oferta, o que pode oscilar muito são os preços praticados. Além da vontade do vendedor, estes variam de acordo com o número de anos do veículo, da quilometragem, do seu estado de conservação bem como do ciclo do mercado. Por isso mesmo antes de avançar para a compra pesquise bastante.

Algumas revistas divulgam tabelas de preços de compra e venda de usados que podem servir de referência. Uma das mais conhecidas é o Guia do Automóvel. A internet também é um meio privilegiado para recolher informação. Entre os sites mais populares incluem-se o Standvirtual (standvirtual.com) e o Standpt (standpt.com) onde se pode fazer pesquisas com diferentes critérios: modelos, preços, quilometragem, etc. Mais orientado para a oferta de particulares está o Autosapo (autosapo.pt).

Outra das dúvidas que se colocam é precisamente a quem comprar: a um particular ou a um ‘stand'? A resposta a esta questão não é fácil. Em qualquer dos cenários existem vantagens e desvantagens. "Ao comprar directamente a um particular este não só vende mais barato, como também está mais apto a negociar e baixar o preço. Já a compra a um concessionário mais próximo das grandes marcas tem como vantagem o facto de oferecerem uma garantia mais alargada", refere Alexandre Rodrigues, director do Guia do Automóvel. Na compra a um ‘stand' ou concessionário de uma marca, a lei prevê uma garantia de dois anos. No entanto, esta poderá ser de apenas um ano se tal for acordado entre o vendedor e o comprador. No entanto, Alexandre Rodrigues aconselha evitar os designados "stands de beira de estrada": "Existem muitas situações de manipulação da quilometragem. É preciso muito cuidado", refere. Já a compra de viatura no estrangeiro não é tão vantajosa. "Com os agravamentos da fiscalidade, que depende da cilindrada e o CO2, já são poucos os modelos que ainda compensam ser adquiridos no estrangeiro (essencialmente média/alta gama), refere Conceição Caldeira, responsável pelos Estudos de mercado e Observador Cetelem.

O que comprar
De acordo com Hélder Pedro, a maioria das transacções de usados efectuadas são de carros com cerca de quatro anos de idade, designadamente dos modelos mais vendidos em novos naquela altura (ver caixa). Mas nem sempre o número de anos de um carro é o mais importante a ter em conta quando se procura um carro em segunda mão, mas sim o número de quilómetros. Ao adquirir uma viatura com mais de 90 mil km de circulação terá que estar preparado para potenciais encargos adicionais, como a substituição da correia de transmissão que poderá custar bem mais do que 500 euros. Outro patamar importante serão os 200 mil km e a partir do qual os custos podem disparar. O mais habitual é existirem problemas com a bomba de injecção, a embraiagem, a direcção e a suspensão. "Quem comprar um carro com tantos quilómetros tem que tentar negociar um preço mais baixo para ter em conta estes gastos eventuais", aconselha Alexandre Rodrigues. Para tentar perceber se o conta-quilómetros foi manipulado deve-se comparar o desgaste dos equipamentos com o número de quilómetros publicitado. Outro elemento a ter em atenção são os documentos do carro. Verificar se estão em ordem, confirmar o número do chassi e se existe o livro de revisões. Mas, acima de tudo deve experimentar o que pretende comprar.

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